domingo, 18 de fevereiro de 2018

Quatro artigos de «Abril Abril» | Four articles of «Abril Abril»



O portal «Abril Abril», que já recomendámos, publicou recentemente quatro artigos de qualidade excelente e que pensamos valer a pena serem lidos:


Por André Levy (jornalista)

«Os EUA aumentam brutalmente o seu orçamento militar, propõem-se desenvolver novas armas atómicas e admitem usá-las para atacar primeiro.  Desde 1953 que a probabilidade de um holocausto nuclear nunca foi tão grande. Daqui ninguém sai vivo.»

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Por José Goulão (jornalista)

«Não restam hoje dúvidas de que a estrutura mercenária do Daesh funciona como um corpo clandestino do Pentágono, da própria NATO, no quadro da privatização crescente das operações militares nos campos de batalha.»

O autor relata factos pouco conhecidos do Daesh e também reporta sobre os planos da CIA e Pentágono para «reciclar» os terroristas do Daesh, de forma a servir os seus interesses.

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Por António Abreu (jornalista)

«Passado e presente de um país ainda com futuro. História, política e economia de uma região na encruzilhada de continentes e de civilizações, devastada pela geoestratégia imperial dos EUA.»

Um artigo que descreve a história recente do Afeganistão que pensamos ser imprescindível ler para entender em poucas linhas o que tem sido o martírio do povo sujeito à ingerência imperial a diversos níveis.

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Por Luís Lobo

«O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas pressiona o Governo para que este impeça os docentes e investigadores de recorrerem ao Programa de Regularização de Vínculos na Administração Pública. A razão desta oposição não é lisonjeira para os reitores. Saiba porquê.»

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The "Abril Abril" (April April) site, which we have recommended in past articles, has recently published four articles that are of excellent quality and we believe are worth reading:



By André Levy (journalist)


"The US brutally increases its military budget, proposes to develop new atomic weapons and admits to use them to attack first. Since 1953 the probability of a nuclear holocaust has never been so great. No one escapes alive from here. "


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By José Goulão (journalist)



"There is no doubt today that the mercenary structure of the Daesh functions as a clandestine body of Pentagon, of NATO itself, in the context of the increasing privatization of military operations on the battlefields."

The author presents less known evidence and also reports on the plans of the CIA and Pentagon to "recycle" the Daesh terrorists in order to serve their interests.


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By António Abreu (journalist)


«Past and present of a country still with future. History, politics and economy of a region at the crossroads of continents and civilizations, devastated by the US imperial geo-strategy. "



An article describing the recent history of Afghanistan that we think is imperative to read in order to understand in a few lines what has been the martyrdom of the people subjected to imperial interference at various levels.


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[This article addresses labor precariousness of Portuguese public Universities lecturers and researchers. We don’t know whether or not this is an issue of interest in other countries]

By Luís Lobo


"The Council of Rectors of Portuguese Universities presses the Government to prevent lecturers and researchers from using the Programme for Regularization of Labor Bond in Public Administration. The reason for this opposition is not flattering for the rectors. Learn why. »


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sábado, 3 de fevereiro de 2018

Acerca de um artigo sobre vestuário e calçado

Num artigo anterior em que analisámos a produção em outsourcing – a actual fonte de super-exploração do trabalho usada pelos monopólios – referimos o caso de Portugal que «ainda produz em outsourcing bens de consumo como confecções e calçado, para grupos estrangeiros que exploram os nossos baixos salários e precariedade de emprego». Citámos, a esse respeito, um caso concreto da indústria de calçado.

Segundo os dados do Boletim da AICEP (Portugal Global n.º 90, Setembro 2016) -- que se baseia em dados do INE --, as indústrias de vestuário e calçado constituíram conjuntamente em 2015, o terceiro maior grupo exportador de bens, de entre 16 grupos: contribuiu com 9,6% do total de exportações de bens (4,8 mil milhões de euros de um total de 49,8 mil milhões de euros).

O grupo «vestuário e calçado» só foi suplantado nas exportações de bens pelo grupo «máquinas e aparelhos» (14,6%) e «veículos e outros materiais de transporte (11,4%).

As indústrias de vestuário e calçado são de trabalho intensivo. Segundo um estudo, empregavam em 2015 cerca de 115,9 mil trabalhadores; ou seja, cerca de 15% do total de trabalhadores empregados em 2015 nas indústrias trabalhadoras. (Nestas, há outras também de trabalho intensivo: «madeira e cortiça», «peles e couros», etc.)

O JN de hoje, 3 de Fevereiro, publicou um interessante artigo de opinião da autoria de Óscar Afonso, Presidente do OBEGEF-Observatório de Economia e Gestão de Fraude. Intitulado «Vestuário e calçado: nova crise iminente?» o artigo, que assume uma posição pró-capitalista, alerta precisamente para algo que abordámos no artigo supra-citado e ouros: a vulnerabilidade da economia portuguesa que, para além de assentar quase exclusivamente nas exportações -- desprezando a produção para o mercado nacional que diminuiria as importações --, assenta em larga medida em exportações de baixo valor acrescentado proveniente de produção terceirizada («sub-contratada», como diz pudicamente Óscar Afonso) para monopólios estrangeiros que super-exploram os trabalhadores portugueses. Isto, até acharem preferível deslocalizar empresas para outros horizontes que permitem maior super-exploração do trabalho. Quando o autor diz no final «subsiste ainda um elevado número de empresas cuja competitividade depende do preço», deve entender-se: cujo lucro para o patrão estrangeiro, descontado o lucro para o subcontratado patrão português, ainda é atraente para ambos, dado o muito baixo “preço” e más condições do trabalho português.
Aqui deixamos ficar o artigo:


Vestuário e calçado: nova crise iminente?
Escrito por Óscar Afonso
Publicado pelo Jornal de Notícias em 3-Fev-2018 (acessível online)

Desde há alguns meses, em particular no pós-verão, muitas empresas dos setores industriais intensivos em trabalho do vestuário e do calçado, localizadas maioritariamente nos concelhos de Felgueiras, S. João da Madeira, Santo Tirso, Trofa e Vizela, enfrentam uma quebra muito acentuada de encomendas - sabe-se informalmente da deslocalização para países de mão de obra barata do Leste europeu e Norte de África.

Muitas das respetivas empresas já atribuíram as férias do ano aos seus trabalhadores. Há mesmo trabalhadores que já "devem" horas às empresas (horas em casa sem produzir, mas pagas). Com este "clima" instalado, os prejuízos e as dificuldades vão-se avolumando. A refletir este cenário está o recurso, por parte de algumas empresas, ao Programa Especial de Revitalização (PER), vocacionado para as empresas recuperáveis, mas em situação económica difícil; isto é, em insolvência iminente.

Apesar deste programa, se nos próximos meses persistir a situação de ausência de encomendas, iremos certamente assistir a uma maré de falências e de desemprego nos concelhos referidos. Trata-se de setores com empresas fortemente integradas em redes, que produzem em Portugal em subcontratação por marcas internacionais - a Inditex é o exemplo de referência, mas parece não ser o único.

Salientam-se ainda dois aspetos que poderão ser paradoxais face a esta realidade. Por um lado, o longo silêncio das respetivas associações empresariais. Será caso para questionar se se inibem de trazer notícias indesejadas por dependerem quase integralmente de fundos estatais e, portanto, do poder político para a sua existência. Por outro lado, as exportações podem continuar a crescer apesar desta situação. Observando os valores de janeiro a novembro de 2017 do Instituto Nacional de Estatística regista-se que a taxa de variação homóloga nominal foi de 3,3% no vestuário e de 3,5% no calçado. No entanto, e aqui é que está o problema, esse aumento das exportações está sustentado por importações, sendo a transformação local apenas marginal - acabamentos e embalagem! Efetivamente, naquele período, a taxa de variação das importações foi bem mais significativa, registando 5,5% no vestuário e 6,0% no calçado.

Apesar da fração de empresas que evoluíram substancialmente nas últimas décadas, em ambos os setores, com melhoria nas suas competências e nos modelos de negócio, subsiste ainda um elevado número de empresas cuja competitividade depende do preço.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Sintomas graves. Nenhuma terapia tradicional possível

Severe symptoms. Traditional therapy unviable



A humanidade sob o sistema capitalista é como um doente com sintomas cada vez mais graves. Muitos dos sinais sintomáticos – investimento produtivo, emprego, especula-ção financeira, exploração e super-exploração do trabalho, desigualdade social, serviços sociais, violência sobre as populações, guerras e conflitos imperiais, etc. --, podem ser objectivamente avaliados com bastante rigor. Essas avaliações são todas de agravamento da doença desde há décadas: investimento produtivo em declínio, baixa acentuada de emprego, elevada especulação financeira, forte exploração do trabalho, degradação de serviços sociais, aumento continuado de conflitos e guerras devido à ganância imperial, etc.

Quando falamos em «agravamento» é da esmagadora maioria da população que se trata, englobando trabalhadores assalariados, trabalhadores independentes e os pequenos e médios produtores e empreendedores. Para o grande capital e seus penduras, para os 1% do topo, o referido agravamento é a condição sine qua non do seu enorme florescimento.

Muito do agravamento sintomático do capitalismo é disfarçado e negado pelos defensores do sistema e seus media. Assim, a especulação financeira é retratada como benéfica para o dinamismo dos negócios, a exploração do trabalho como inexistente, antes como o «salário justo» dadas as condições actuais de concorrência, a super-exploração da terceirização laboral é vista como ajuda aos países menos desenvolvidos para aprenderem a trabalhar como deve ser, os conflitos imperiais são ajudas humanitárias do «mundo livre» para instalar democracia e liberdade onde não existe, etc.

Há, contudo, um sintoma que os defensores do capitalismo não conseguem negar e disfarçar, porque está à vista de todos diariamente: a desigualdade social.

Estudos recentes da Oxfam, que se apresenta como uma «confederação internacional de 20 ONGs trabalhando com parceiros em mais de 90 países para acabar com as injustiças que causam a pobreza», revelaram:

-- «Nos últimos 25 anos, os 1% do topo ganharam mais rendimento do que o conjunto dos 50% do fundo».
-- «Desde 2015 os 1% do topo possuem mais riqueza do que o resto do mundo.»
-- «82% do rendimento criado [em 2017] foi para os 1% do topo, enquanto a metade mais pobre da humanidade não obteve nada».
-- «Oito homens possuem tanta riqueza quanto a metade mais pobre do mundo».
-- «A riqueza dos bilionários [património superior a mil milhões de US$] aumentou em média 13% ao ano entre 2006 e 2015, seis vezes mais rapidamente que os salários dos trabalhadores comuns».
-- «Nos 12 meses até Março de 2017 os 2.043 bilionários aumentaram a sua fortuna nuns impressionantes 762 mil milhões de US$ -- o suficiente para acabar sete vezes com a pobreza extrema».
-- «Se o crescimento tivesse sido pró-pobre entre 1990 e 2010, mais de 700 milhões de pessoas, a maioria mulheres, não viveriam hoje na pobreza».
-- «Três quartos da pobreza extrema poderiam, de facto, ser hoje eliminados usando recursos existentes, aumentando a tributação dos mais ricos e reduzindo gastos militares e outros».
-- «Longe de escorrerem para baixo [*], o rendimento e riqueza estão a ser sugados para cima a uma taxa alarmante».
(*) Alusão ao velho e ridículo argumento de que a existência de ricos é benéfica, dado que quanto mais ricos forem mais «escorre» da sua farta mesa para baixo.

A desigualdade social tem aumentado desde meados dos anos 70. Esse aumento acelerou desde 1990, com o colapso dos regimes da URSS e países do Leste Europeu aliados no âmbito do COMECON. Esse colapso – apresentado abusivamente como o «colapso do socialismo» ou «colapso do comunismo» -- não demonstrou a impraticabilidade do socialismo como os defensores da «economia de mercado» na altura afirmaram e continuam a afirmar. Bem pelo contrário, o colapso teve como causa principal as infracções às leis de construção do socialismo. Violações consciente e premeditadamente introduzidas desde os anos 60. Na verdade, enquanto o socialismo vigorou nesses países, mostrou a sua superioridade face ao capitalismo: havia um grande igualitarismo social, pleno emprego, bons serviços sociais, grandes conquistas na ciência e cultura, etc.

Com o apregoado «colapso do socialismo» o capitalismo sentiu-se livre como nunca para explorar os trabalhadores e oprimir e saquear nações mais fracas, invertendo processos de independência nacional.

À questão «Quem causa isto [desigualdade social]?» a Oxfam reconhece: «As corpora-ções e indivíduos super-ricos desempenham o papel fundamental». E exemplificam:

-- «As grandes empresas tiveram êxito em 2015/16: os lucros foram altos e as 10 maiores corporações do mundo tiveram uma receita global maior que a dos governos de 180 países em conjunto».
-- «Mercados bolsistas globais em alta considerados o principal motor da escala-da de riqueza dos detentores de activos financeiros no ano passado [2017]. A riqueza do fundador da Amazon, Jeff Bezos, dilatou em 6 mil milhões de US$ logo nos primeiros 10 dias de 2017».
-- «Nos próximos 20 anos, 500 pessoas doarão 2,1 biliões de US$ aos herdeiros, um valor maior que o PIB da Índia, país de 1,3 mil milhões de pessoas».
-- «Um CEO da FTSE-100 ganha tanto num ano como 10 mil pessoas a trabalhar nas fábricas de vestuário do Bangladesh».

Os porta-vozes da Oxfam vão por vezes bem longe na sua crítica da «economia»:

-- «Há algo de muito errado numa economia global que permite que 1% goze da maior parte do aumento de riqueza, enquanto a metade mais pobre do mundo fica de fora» [CEO da Oxfam Irlanda]
-- «Para que o trabalho seja de facto a via para sair da pobreza, há que garantir um salário digno para os trabalhadores comuns; que possam exigir condições decentes, sem discriminação das mulheres. Se isso significa menos para os ricos, então é um preço que nós -- e eles -- deveríamos estar dispostos a pagar.» [idem]
-- «A concentração da riqueza extrema no topo não é um sinal de uma economia próspera, mas sintoma de um sistema que está a falhar aos milhões que trabalham duramente, que confeccionam as nossas roupas e cultivam os nossos alimentos, vivendo com salários de miséria». [CEO da Oxfam Inglaterra]
-- «É tempo de construir uma economia humana que beneficie todos, não apenas os poucos privilegiados». [Ibid]
-- «Falsos pressupostos subjacentes à economia dos 1%»: «…o mercado tem sempre razão; o papel dos governos deveria ser minimizado…»; «…as corpo-rações precisam de maximizar os lucros e dividendos aos accionistas custe o que custar…»; etc. [Oxfam report, 2017]

Será que estes senhores são comunistas? Claro que não. Tal como não o são os autores de um relatório do FMI de Junho de 2016 que identificaram o neoliberalismo como causa fundamental da desigualdade crescente.

E, obviamente, o ex-presidente Obama também é insuspeito de comunismo, apesar de ter dito na Assembleia-Geral da ONU em Setembro de 2016 que «Um mundo onde 1% da humanidade controla tanta riqueza quanto os 99% do fundo nunca será estável».

Na realidade, todos estes senhores defendem o capitalismo com unhas e dentes. Qual é, por exemplo, a terapia recomendada ao doente e posta em prática pela Oxfam?

A tradicional, que encontramos noutras instâncias «preocupadas» com os pobres: «ajudamos o povo a reclamar os seus direi-tos», «ajudamos as mulheres a pedir justiça», «fornecemos água, alimentos e serviços sanitários em zonas de desastre», «pressiona-mos governos, organizações internacionais e corporações para políticas agrárias mais justas e acção sobre mudança climática»; «trabalha-mos para assegurar globalmente abasteci-mentos de alimentos para que as pessoas tenham sempre o suficiente para comer»; «pressionamos para garantir fluxos financei-ros adequados para apoiar serviços básicos às pessoas pobres».

Portanto, depois de muitas afirmações sobre a gravidade dos sintomas, de diagnósticos claros que a Esquerda subscreveria, a terapia recomendada pela Oxfam – e também por outras instituições «preocupadas» com a «economia» -- é a única que os defensores capitalistas podem oferecer: filantropia e apelos às boas almas dos governos e das corporações para que contribuam para uma «economia humana». Filantropia e apelos que se repetem há séculos sem curar o doente. Pelo contrário, os sintomas agravam-se.

A Oxfam bem clama: «levantemo-nos contra a desigualdade», «as corporações trabalham para os do topo», «apertam os trabalhadores e produtores», «evadem pagamento de impostos, compram políticos». Mas não passa pela cabeça da Oxfam e de outros tirar as únicas conclusões possíveis das suas próprias afirmações: ajudar os movimentos populares e dos trabalhadores que de facto se levantam contra as desigualdades, e exigir o fim dos monopólios, o fim do domínio do grande capital, através da socialização da economia.

Na realidade, as pregações da Oxfam e de outros tem como objectivos:

-- Manter nas massas a ilusão de que, de dentro do sistema, provém uma preocupação credível e crescente com a desigualdade social e outros males do capitalismo. Desigualdade e males que não seriam intrínsecos ao capitalismo, que não seriam consequências inevitáveis das suas leis internas, mas antes excrescências que podem ser extirpadas.

-- Esta ilusão é reforçada através da ideia de que a questão em causa é uma questão moral e não material. De que o mal do capitalismo se deve apenas ao facto de à frente das corporações se encontrarem indivíduos «maus», que se forem devidamente convencidos pela Oxfam e outros, logo se tornarão «bons» e colaborarão para uma «economia mais humana».

-- É assim, também mantida a ilusão de que, para curar o doente, basta confiar na Oxfam e outras organizações pró-capitalistas. Os respectivos CEOs e doutores são e serão as personalidades habilitadas ao exercício da filantropia e à emissão de apelos.

-- As ilusões, as falsas ideias, procuram criar a apatia nas massas, a travar a luta de classes. A frase acima de Obama, «Um mundo [assim] nunca será estável», reflecte precisamente a preocupação de Obama com a luta de classes. Luta pela qual passa a cura do doente e que atirará pela borda fora a filantropia, os apelos, e a conversa fiada.

Há um aspecto importante que ressalta dos relatórios da Oxfam, bem como de muitas afirmações e textos de defensores do capitalismo. Nunca usam as palavras «capitalista»» ou «capitalismo». Só falam numa abstracta «economia» ou, quando muito, em «economia de mercado». Má consciência ou medo de chamar os bois pelo nome?
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Não há terapia que salve o doente no âmbito do capitalismo. A única terapia possível é o socialismo
Mankind under the capitalist system is like a sick body with increasingly severe symptoms. Many of the symptomatic signals -- productive investment, employment, financial speculation, exploitation and super-exploitation of labor, social inequality, social services, violence against populations, wars and imperial conflicts, etc. -- can be objectively evaluated in a fairly accurate way. All such evaluations show a worsening of the disease for decades: declining productive investment, marked decline in employment, high financial speculation, heavy exploitation of labor, degradation of social services, continued escalation of conflicts and wars due to imperial greed, and so on.

When we say “worsening” we mean worsening for the overwhelming majority of the population, encompassing wage workers, self-employed workers and small and medium producers and entrepreneurs. For the big capital and their hangers-on, for the 1% of the top, the said worsening is the sine qua non condition of their thriving, of their booming wealth.


Much of the symptomatic worsening of capitalism is glossed over and even denied by the proponents of the system and their media. They portray, for instance, financial speculation as being beneficial to business dynamism, the exploitation of labor as non-existent, but rather as a “fair wage” given the current conditions of competition, over-exploitation of outsourced labor is described as helping the less developed countries, teaching them how work should be done, imperial conflicts are humanitarian aids of the "free world" to install democracy and freedom where they do not exist, etc.

There is, however, a symptom that the defenders of capitalism cannot deny and gloss over, because it is in plain sight of everyone and on a daily basis: social inequality.

Recent studies of Oxfam, which introduces itself as an “international confederation of 20 NGOs working with partners in over 90 countries to end the injustices that cause poverty”, revealed:

-- “Over the last 25 years, the top 1% have gained more income than the bottom 50% put together.”
-- “Since 2015, the richest 1% has owned more wealth than the rest of the planet.”
-- “82% of the wealth created last year [2017] went to the richest 1%, while the poorest half of humanity got nothing.”
-- “Eight men own the same wealth as the poorest half of the world.”
-- “Billionaire wealth rose by an average of 13 percent a year between 2006 and 2015 – six times faster than the wages of ordinary workers.”
-- “In the 12 months to March 2017, [2,043] billionaires’ fortunes grew by a staggering $762 billion – enough to end extreme poverty more than seven times over.”
-- “Had growth been pro-poor between 1990 and 2010, 700 million more people, most of them women, would not be living in poverty today.”
-- “Three-quarters of extreme poverty could in fact be eliminated now using existing resources, by increasing taxation and cutting down on military and other regressive spending.”
-- “Far from trickling down [*], income and wealth are being sucked upwards at an alarming rate.”
[*] An allusion to an old and ridiculous argument, according to which the existence of rich people is beneficial for the poor, since the richer they are the most trickles down out of their bountifully supplied tables.

Social inequality has increased since the mid-1970s. This increase has accelerated since 1990, with the collapse of the regimes of the USSR and Eastern European countries allied in the frame of the COMECON. This collapse – abusively referred to as the "collapse of socialism" or "collapse of communism" – did not demonstrate the impracticability of socialism as the defenders of the "market economy" at the time have claimed and continue to assert. On the contrary, the main cause of the collapse was the violations of socialism-building laws. Violations which were consciously and premeditatedly introduced since the 1960s. In truth, while socialism was in force in those countries, it showed its superiority vis-à-vis capitalism: there was great social egalitarianism, full employment, good social services, great achievements is science and culture, and so on.

With the proclaimed “collapse of socialism” capitalism felt free of any constraints to exploit the workers and oppress and plunder the weaker nations, reversing processes of national independence.

To the question "What is causing this [social inequality]?" Oxfam acknowledges: "Corporations and super-rich individuals both play a key role." And they exemplify:

-- “Big businesses did well in 2015/16: profits are high and the world’s 10 biggest corporations together have revenue greater than that of the government revenue of 180 countries combined.”
-- “Booming global stock markets were seen as the main driver for a surge in wealth among those holding financial assets last year [2017]. The founder of Amazon, Jeff Bezos, saw his wealth balloon by $6 billion in the first 10 days of 2017.”
-- “Over the next 20 years, 500 people will hand over $2.1 trillion to their heirs – a sum larger than the GDP of India, a country of 1.3 billion people.”
-- “A FTSE-100 CEO earns as much in a year as 10,000 people in working in garment factories in Bangladesh.”

Oxfam spokesmen go often much farther in their critique of the "economy":

-- “Something is very wrong with a global economy that allows the one percent to enjoy the lion’s share of increases in wealth while the poorest half of humanity miss out.” [Oxfam Ireland’s CEO]
-- “For work to be a genuine route out of poverty we need to ensure that ordinary workers receive a living wage and can insist on decent conditions, and that women are not discriminated against. If that means less for the already wealthy then that is a price that we – and they – should be willing to pay.” [same]
-- "The concentration of extreme wealth at the top is not a sign of a thriving economy but a symptom of a system that is failing the millions of hard-working people on poverty wages who make our clothes and grow our food." [Oxfam GB’s CEO]
-- “It’s time to build a human economy that benefits everyone, not just the privileged few.” [same]
-- “The false assumptions driving the economy of the 1%”: “… The market is always right, and the role of governments should be minimized…”; “… corporations need to maximize profits and returns to shareholders at all costs…”; etc. [Oxfam report 2017]

Are these gentlemen communists? Surely not. As are not the authors of an IMF report of June 2016 who identified neoliberalism as the cause playing the key role of growing social inequality.

And former President Obama is also, obviously, unsuspected of communism, despite having said at the UN General Assembly in September 2016 that "A world where 1% of humanity controls as much wealth as the bottom 99% will never be stable."

As a matter of fact, all these gentlemen defend capitalism tooth and nail. What, for example, is the therapy recommended to the sick body and put in practice by Oxfam?

The traditional one, also to be found in other organizations "concerned" with the poor people: "we help people to claim rights for themselves", "we help the women to seek justice", "we provide clean water, food and sanitation in disaster zones”, “we lobby governments, international organizations and corporations for fairer land policies and action on climate change”; “we work to secure global food supplies so that people always have enough to eat”; “We push to secure adequate financial flows to sustain basic services for poor people.”

Thus, after many statements about the severity of the symptoms, of outspoken diagnoses that the Left would subscribe to, the therapy recommended by Oxfam -- and also by other organizations expressing “concern” about the “economy” -- is the only one that capitalist advocates can offer: philanthropy and appeals to the good souls of governments and corporations to contribute to a "humane economy". Philanthropy and appeals that have been repeated for decades without healing the sick body. On the contrary, the symptoms worsen.

Oxfam does indeed cry out: "Let’s rise against inequality”, “Corporations, working for those at the top", "Squeezing workers and producers", "avoiding taxes, buying politics". But Oxfam and others never come to the point of drawing up the only possible conclusions from their own statements: to help popular and workers’ movements that actually rise up against inequalities and to demand an end of monopolies, of the domination of big capital, through the socialization of the economy.


In fact, the preachings of Oxfam and of others have the following aims:

-- To keep the masses in the illusion that, from within the system, there arises a credible and growing concern with social inequality and other evils of capitalism. Inequality and evils that would not be intrinsic to capitalism -- would not be inevitable consequences of their internal laws -- but rather excrescences that can be extirpated.

 
-- This illusion is reinforced by the idea that the issue being addressed is a moral one, rather than a material one. That the evils of capitalism are due only to the fact that at the head of corporations stand "bad" individuals who, if properly convinced by Oxfam and others, soon will become "good" and will collaborate for a "more humane economy".


-- This way, an illusion is also maintained that in order to heal the sick body, it is enough to rely on Oxfam and other pro-capitalist organizations. The respective CEOs and PhDs are precisely what is needed, the personalities qualified to exercise philanthropy and to issue appeals.


-- The illusions, the false ideas, are aimed at creating the apathy of the masses, of hindering the class struggle. The above sentence of Obama, "A world [like this] will never be stable," distinctly reflects Obama's concern with class struggle. A struggle which is the only path towards healing the sick body and which will throw overboard philanthropy, appeals, and small talk.


There is an important aspect that stands out from the Oxfam reports, as well as from many statements and texts by proponents of capitalism. They never use the words “capitalist” or “capitalism”. They only speak of an abstract “economy” or, at most, of “market economy”. Bad conscience or fear of calling a spade a spade?

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There is no therapy, under capitalism, that will save the sick body. The only effective therapy is socialism.