segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Acerca dos resultados das eleições autárquicas



No momento em que escrevemos, com praticamente todos os resultados das eleições autárquicas contabilizados, surge claramente uma constatação: a enorme transferência de votos do PSD, PCP e (em menor grau) do BE para o PS.
  
É certo que nas eleições autárquicas há muitos factores em jogo. Para além do nível de consciência política das massas, das classes trabalhadoras – factor predominante nas eleições legislativas --, há outros factores em jogo: desempenho técnico das anteriores vereações, clientelismo-caciquismos locais, etc. Destes últimos, o primeiro pode explicar a reeleição de Rui Moreira no Porto, e o segundo a insólita eleição do não menos insólito Isaltino Morais em Oeiras.
  
Nestas eleições houve vários casos locais; tal como os citados, contra o PS. Mas houve também um pano de fundo – aquilo que alguns jornalistas denominaram de «revoada» --a favor do PS, que alcançou resultados históricos, à custa do PSD, PCP e BE.
  
Porquê?
  
A razão está no brilharete económico que o PS tem vindo a alcançar. O brilharete tem os seus pontos escuros (de que falaremos noutro artigo) mas, no imediato – e as massas populares tendem a pensar no imediato a não ser em tempos de crise – as populações estão animadas com o governo da ala esquerda do PS.
  
Num artigo anterior, de Novembro de 2015, quando estava em discussão o acordo do PS com o BE e PCP, defendemos esse acordo («Os trabalhadores e as camadas mais pobres não compreenderiam, aliás, uma recusa do BE e do PCP a um acordo com o PS, impedindo uma melhoria das condições de vida. Foi, por isso, acertada a decisão de convergência do BE e PCP num acordo com o PS.»). Estávamos, contudo, enganados quando apontávamos razões pelas quais «o Acordo irá ter vida curta». Vários factores económicos globais têm contribuído para a durabilidade do acordo.
  
Num outro artigo sobre o momento político, de Janeiro de 2017, dizíamos ainda que a convergência do PS com o BE e PCP «Permitiram ainda -- e este aspecto não é de somenos importância -- difundir a ideia de que a austeridade não é «inevitável» desde que haja confluência das forças sociais ligadas ao mundo do trabalho que se oponham decididamente à agenda do capital.»
  
A derrocada do PSD nas autárquicas, com transferência de votos para o PS, tem precisamente a ver com este aspecto: o brilharete económico do PS com a demonstração de que a austeridade imposta pelo PSD não era inevitável; era sim mera submissão a interesses estrangeiros em correlação com interesses do grande capital nacional (em particular, o bancário). Apesar dos esforços de Passos Coelho, a imagem transmitida às massas populares foi a de uma mentira contra o povo. Permanecerá esta imagem de mentira do PSD nas mentes dos estratos sociais que tendem a ir a reboque dos barões do PSD, nomeadamente do pequeno campesinato do Centro e Norte? Veremos.
  
O CDS praticamente não sofreu perdas, por duas razões: alguma descolagem das teses do PSD no termo final da governação PSD/CDS; o efeito estabilizador das adesões ao catolicismo (padres, freiras, Opus Dei, etc.), da recente propaganda sobre Fátima e das pregações do clero.
  
Quanto às perdas do PCP e BE, a razão está em que, para as massas populares, a mensagem principal foi de que o brilharete económico se deveu exclusivamente ao PS. O PS ganhou uma nova imagem: a de um PS ressuscitado, defensor estrénuo do povo.
  
O facto de as medidas levadas a cabo pelo PS, o terem sido por vinculação e pressão do PCP e BE, ficou esquecido: Os media contribuíram para isso, mas não só. O PCP e o BE não conseguiram passar a mensagem de que o governo do PS não seria o do «milagre económico» e das benesses para o povo sem eles. 
  
Quanto ao BE, isso não nos surpreende, dada a sua postura baixamente reformista, de medidas a curto prazo, e de disposição para servir de muleta ao PS. 
  
Quanto ao PCP, é diferente. O PCP, para além de medidas a curto prazo como a do aumento do salário mínimo, defendeu medidas estruturais de fundo, importantes e necessárias, tais como a renegociação da dívida, a nacionalização da banca, e a saída do euro e da UE. Concentrou-se, porém, nestas eleições autárquicas e pelo que pudemos ver, exclusivamente nas questões técnicas locais. É uma área que, embora imprescindível nas autárquicas, tende a perder-se nas consciências das massas como mais uma enumeração de itens face a outras enumerações que parecem igualmente bons apresentadas por outros, Isto é, faltou uma mensagem de fundo: a de que no «local» tal como demonstrado no «global» é o PCP que tem verdadeiramente defendido os trabalhadores. E que o brilharete PS também se deveu ao PCP.
  
Parece-nos também ter faltado ao PCP mostrar claramente que não irá servir de muleta ao PS, esclarecer as limitações das actuais reformas PS e defender com afinco (e justificação acessível às grandes massas) a necessidade de renegociação da dívida, da nacionalização da banca, e da saída do euro e da UE. É óbvio que o que se irá passar a nível internacional (nomeadamente a aproximação de uma nova crise, para além de outros fenómenos de desagregação do capitalismo a que estamos a assistir) irá influir em tudo isto. Nas condições objectivas e subjectivas.
  
Para além das lutas dos trabalhadores, lutas populares, etc., as próximas eleições legislativas irão ter um papel importante no delinear de um novo rumo. Esperemos que o PCP, como vanguarda dos trabalhadores, tenha a arte política de influenciar substantivamente esse novo rumo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

A Polónia Socialista: Um Caso de Estudo

Socialist Poland: A Case worth Studying

Introdução
Os Erros da Vanguarda
-- Não construção de uma nova máquina estatal
-- Abandono da planificação central da economia
-- Muito fraca colectivização da agricultura
-- Debilidade nas relações com a igreja católica
-- Concessões à subversão interna e externa
-- Impreparação ideológica dos militantes
Introduction
The Errors of the Vanguard
- Not building a new state machine
- Abandonment of central planning of the economy
- Very weak collectivization of agriculture
- Feebleness in the relations with the Catholic Church
- Concessions to domestic and foreign subversion
- Ideological unpreparedness of the militants


Introdução

A Polónia socialista foi construída a partir de 1946 com o entusiasmo e enorme apoio do povo polaco: 77% votou a favor das reformas económicas (comités operários, reforma agrária, etc.) no referendo de 1946 promovido pelo governo provisório acordado em Ialta (URSS, GBR, USA). Nas eleições de 1947 a Frente Democrática, constituída pelo partido comunista, partido socialista e partidos aliados (estes representando pequena burguesia urbana e rural), obteve 80,1% dos votos. Nestas eleições todos os bispos católicos instruíram os fiéis para votarem contra os «comunistas» da Frente Democrática.
 
O socialismo entrou em colapso em 1980-81 por via do sindicato Solidariedade, dito «independente». De facto, dependente das forças reaccionárias, entre as quais intelectuais de direita do grupo KOR e do grupo anti-comunista Jovem Polónia que forneceram os principais quadros do Solidariedade. Por trás destas forças, estavam a burguesia (incluindo ex-donos de empresas), a aristocracia, e a hierarquia católica reaccionária que sempre pactuara com a extrema-direita e o anti-semitismo. Os reaccionários tiveram apoio financeiro e propagandístico (CIA, USAID, Voz da América, Rádio Europa Livre, BBC, etc.) do imperialismo.
 
Também faziam parte do Solidariedade, pelo menos nos primeiros anos, muitos operários membros do Partido Operário Unificado Polaco (POUP) – resultante da fusão do partido comunista e do partido socialista (foi, aliás, este último que propôs a fusão). A pertença ao Solidariedade de um número considerável de operários membros do POUP demonstra a degradação do POUP e a espantosa falta de consciência política desses operários completamente manipulados pelos reaccionários. Quando deram por isso e abandonaram o Solidariedade já era tarde.

As greves repetidas (e pagas pelo governo!) do Solidariedade, com reivindicações reaccionárias sempre atendidas pelo POUP, o «socialismo de mercado» do POUP que conduziu a uma dívida insustentável a bancos ocidentais, rapidamente afundaram o socialismo. O POUP tornou-se refém do Solidariedade que passou a ser o poder efectivo na Polónia. Em 1989, o presidente Jaruzelski, Primeiro Secretário do CC do POUP, aceitou nomear um cristão-democrata indicado pelo Solidariedade para primeiro-ministro. Jaruzelski resignou em 1990. Foi sucedido por Lech Walesa, chefe carismático do Solidariedade. Estava liquidado o socialismo. O país caíu no capitalismo.
 
Será que viriam agora com o capitalismo (perdão, «socialismo de mercado»), as maravilhas de bem-estar e liberdade prometidas pelos reaccionários do Solidariedade e da Igreja Católica?
 
Para a burguesia nacional e internacional foi, de facto, um fartote de bem-estar e liberdade. Os monopólios ocidentais assentaram arraiais. A Polónia passou a ter bilionários; eram já dois em 2005 e cinco em 2015. Os 10% mais ricos agregados familiares receberam em 2004 uma fatia de 27% do rendimento nacional e os 20% mais ricos uma fatia de 42,7%; em 1975, no socialismo (embora tremido), as respectivas fatias eram menores: 20,1% e 34,3%, respectivamente. (Estes e outros valores de fontes ocidentais.)
 
Os trabalhadores, pelo contrário, não tiveram (e têm) qualquer razão para estarem satisfeitos. O desemprego, praticamente inexistente no socialismo, regressou: saltou para 15% logo em 1995, 21% em 2004, e está agora em 7,5%. A Polónia socialista era bastante igualitária, com leque salarial apertado. Além disso, um estudo de 1983 de um analista ocidental (citado em [1]) ao procurar documentar os «privilégios» da elite do POUP mostrou que tais privilégios eram bem pequenos, nada comparáveis com os das elites capitalistas. Em 1953 um quadro técnico ganhava cerca de 1,56 vezes o salário de um operário [1]; em 2003 a proporção era já de 2,5 a 4 vezes (OIT). O índice de Gini dos vencimentos brutos mensais  saltou de 0,2 em 1989 para 0,24 em 1991, 0,28 em 1994 e 0,34 em 2006 (OCDE). A pobreza também cresceu dramaticamente. Segundo um analista do Banco Mundial cresceu de 3,3 milhões em 1978 para 8,6 milhões em 1987. Desde os finais dos anos oitenta que não tem diminuído substancialmente, mantendo-se em torno de 6,5% da população (segundo definições oficiais).

Em 1979 a Polónia era a nona potência industrial do mundo, acima de países como Índia, Brasil, Canadá, Espanha e Holanda [1]. Em 2009 tinha passado para 23.º lugar; abaixo desses países e da Rússia, Turquia, Indonésia e Tailândia (CIA). Com o socialismo tinha havido uma redução drástica da mortalidade infantil, de 140 em 1000 nados vivos em 1935 para 111 em 1950 e 22 em 1978 [1]. Os valores correspondentes para Portugal são respectivamente 148,7, 94,1 e 29,1 [2]. Depois de 1981 os valores para a Polónia sistematicamente pioraram face a Portugal, atingindo o dobro de taxa de mortalidade portuguesa em 2010 (Pordata).
 
A enorme regressão social com o capitalismo revela-se em muitos outros aspectos da Polónia actual: discriminação das mulheres, regresso do racismo e anti-semitismo, entrega de antigas mansões aos aristocratas, leis anti-trabalhador, perseguição e prisão de comunistas ao abrigo de leis anti-comunistas, extrema-direita no poder, etc. No Parlamento polaco há hoje 6 partidos: 4 da direita a extrema-direita «tradicional» (e estes têm o poder), 1 da direita liberal e 1 social-democrata «centrista». Em suma, é só a direita e extrema-direita que tem representação.
 
Quais as razões substantivas do colapso do socialismo na Polónia? É o que iremos procurar analisar com o apoio do livro de Albert Szymanski, Class Struggle in Socialist Poland [1]. O autor utiliza «quase inteiramente fontes anti-comunistas e pró-ocidentais no estabelecimento dos factos» a que depois aplica uma análise marxista. Concordamos com o autor quando afirma que o método de estabelecer os factos segue «O princípio historiograficamente correcto de que, se aqueles que argumentam contra uma tese fornecem evidência em favor dela, então a tese em causa tem elevada probabilidade de ser verdadeira». O método é correcto quanto ao estabelecimento de factos, mas pode ser insuficiente, quer por faltarem factos quer por os apresentados estarem truncados ou conterem distorções. Para além do livro de Szimanski, consultámos outras fontes pró-ocidentais. A análise a que aqui procedemos (que se afasta em alguns aspectos da de Szimanski) pretende ser apenas uma contribuição. Entre outras limitações do nosso estudo, não conseguimos consultar documentos do POUP.
 
A análise do colapso do socialismo em países ex-socialistas, a análise dos erros cometidos, é sempre importante por enriquecedora da prática política do marxismo-leninismo, podendo contribuir para evitar erros futuros. Acontece aqui o mesmo que em ciências aplicadas, que progridem aprendendo com erros passados. O caso da Polónia parece-nos particularmente importante por duas razões: por os erros cometidos surgirem com grande clareza; por o quadro social da Polónia ter algumas semelhanças com o de Portugal e outros países do Sul da Europa no que se refere ao peso da Igreja Católica e do pequeno campesinato.
 
Os Erros da Vanguarda
 
O socialismo é a primeira etapa no caminho da construção de uma sociedade sem classes, do comunismo.
 
A construção do socialismo -- depois da tomada de poder do proletariado -- é muito mais exigente que a construção do capitalismo. Esta última é a culminação, guiada por imperativos económicos, de milénios de formações sociais baseadas em classes, de que uma explora o trabalho de outras. Encontrar exploradores é fácil. O capitalismo não foi só construído pela burguesia. Parte da classe derrotada, a nobreza feudal, aliou-se à burguesia. Quanto aos imperativos económicos, sobressaem as leis «cegas» do mercado, instituição também milenar que a burguesia só teve (tem) de orientar a seu favor. Na realidade, quando a burguesia tomou o poder, o capitalismo já estava largamente construído. Esta situação difere radicalmente do socialismo: quando o proletariado toma o poder nada existe de socialismo; este tem de ser construído de raiz, com uma máquina estatal totalmente nova e com uma nova economia, a economia socialista.
 
Construir o socialismo implica romper com enormes pesos do passado. Implica: uma direcção consciente da economia: economia centralmente planificada e controlada; abolir a propriedade privada dos meios de produção, base histórica da exploração do trabalho: colectivização da indústria, agricultura, minas, etc.; reprimir os antigos exploradores que lutam ferozmente por recuperar os antigos privilégios e restaurar o capitalismo, recorrendo a toda uma rede poderosa de conhecimentos, contactos e subornos, usando meios materiais (atentados, sabotagem, vandalismo, açambarcamento, etc.) e espirituais (mentiras, difamação, desmoralização, disseminação de rumores, confusão, religião, etc.); defender o socialismo contra a burguesia imperialista internacional que também usa vários meios – materiais (sanções, guerra económica, grupos paramilitares, etc.) e espirituais (cadeias dos media, estacões específicas de rádio, propaganda de organismos internacionais, etc.) – para o mesmo fim. A subversão interna e externa contra o socialismo atinge rapidamente níveis de violência elevados. Enquanto o capitalismo for globalmente poderoso os países socialistas serão forçados a enfrentar uma forte subversão interna e externa, que pode incluir guerras, invasões, golpes militares, etc., despoletadas pelos países imperia-listas [3] com apoio dos reaccionários locais. A construção do socialismo exige, por isso mesmo, um partido das camadas mais conscientes e lutadoras do proletariado com uma direcção central forte de estadistas revolucionários firmes, estudiosos e experimentados, que gozem do apoio das largas massas conscientes e empenhadas no que é necessário construir.
 
A construção (desenvolvimento) do capitalismo guia-se largamente por imperativos económicos de exploração do trabalho, de que bancarrotas e desemprego são corolários das leis incontroláveis do mercado. A construção (desenvolvimento) do socialismo guia-se largamente por imperativos conscientes de uso eficaz de recursos económicos para satisfazer necessidades sociais, necessidades básicas do povo, onde figura o pleno emprego. No capitalismo a economia controla o homem. No socialismo o homem controla a economia. No capitalismo qualquer mediocridade de honestidade duvidosa pode ser chefe de estado sem colocar o capitalismo em perigo. (De facto, muitas vezes o que a burguesia pretende à frente do estado é precisamente uma mediocridade que lhe é submissa.) O socialismo exige estadistas firmes, honestos, estudiosos e experimentados; uma mediocridade chefiando um estado socialista é sintoma de que o socialismo vai mal.
 
A construção do socialismo é, portanto, difícil. Comprovadamente difícil – a nível teórico e prático. Rejeitamos as propostas dos vendedores de facilidades, do género «Construa Agora: Socialismo para o Século XXI», que vão contra toda a análise teórica e experiência prática.
 
Difícil, mas possível e necessária. A tomada do poder pelo proletariado e a sequente construção do socialismo exige um partido das camadas mais conscientes e lutadoras do proletariado: um partido de vanguarda da classe operária, capaz de -- em aliança com o pequeno campesinato e outros estratos sociais, e tendo em conta as condições concretas, objectivas e subjectivas, do país em causa -- estabelecer o domínio do proletariado indispensável à implementação das reformas económicas sequentes à expropriação dos grandes meios de produção, e à condução da luta contra a subversão interna e externa. Existe um vasto corpo de conhecimentos marxistas-leninistas, teóricos e práticos, que o partido da classe operária usa para se afirmar como vanguarda. A história demonstrou que um partido operário não é necessariamente, por esse simples facto, um partido de vanguarda. O ser ou não de vanguarda terá de ser testado na prática, na aplicação prática do marxismo-leninismo. A causa principal das derrotas do socialismo foi a acumulação de erros oportunistas de direita – abandono continuado de princípios marxistas-leninistas em troca de ganhos imediatos -- ao mais alto nível do partido operário condutor do processo; ao cometer acumuladamente tais erros o partido deixa de ser de vanguarda.
 
Na Polónia a tomada de poder pelo proletariado foi relativamente fácil. No final da 2.ª GM os grandes proprietários polacos não estavam em condições de se opor ao proletariado. Na Europa ocidental a ocupação de fábricas e de terras foi impedida pelo exército anglo-americano e aquelas devolvidas aos antigos donos; na Polónia o exército vermelho deu livre curso ao povo para se organizar como quisesse. Infelizmente, o POUP foi quase desde o início (com excepção do período de 1948 a 1956) liderado por direcções oportunistas. Cometeu erros sérios nos seguintes aspectos:
 
-- Não construção de uma nova máquina estatal
-- Abandono da planificação central da economia
-- Muito fraca colectivização da agricultura
-- Debilidade nas relações com a igreja católica
-- Concessões à subversão interna e externa
-- Impreparação ideológica dos militantes

Não construção de uma nova máquina estatal
 
Quando falamos numa nova máquina estatal temos em conta não só a necessidade de construir a economia socialista, mas mais do que isso: órgãos de poder que estabeleçam a ligação do partido com as massas trabalhadoras e com as camadas sociais aliadas do proletariado, e que, na base de uma democracia directa, elejam os funcionários civis e controlem os diversos departamentos governamentais.
 
Na URSS esses órgãos foram os sovietes. Na Polónia, segundo depreendemos da obra de Szimanski e de outros autores, não foram instituídos novos órgãos de poder. Adaptou-se os órgãos burgueses pré-existentes – Sejm (Assembleia Nacional), ministérios, polícia, exército, etc. – à realização das novas tarefas. A consequência foi a falta de consciencialização das massas, a perda de contacto do partido com as massas, as «quintas-colunas» no exército e intelectualidade, os comités de trabalhadores funcionando isoladamente, etc. A ausência de novos órgãos de poder contribuiu para o rápido desenvolvimento dos erros que descrevemos a seguir.
Abandono da planificação central da economia
 
À medida que o exército alemão retirava da Polónia em 1944-45 teve lugar uma revolução socialista espontânea, com comités de trabalhadores a ocupar fábricas e camponeses a ocupar terras. Em Outubro de 1944 o partido comunista (PTP-Partido dos Trabalhadores Polacos) ainda considerava uma eventual restauração da propriedade privada no âmbito de uma larga «frente democrática» antifascista. Abandonou essa política por pressão das massas populares. O Partido Socialista Polaco (PSP) colaborou com os comunistas no Conselho Nacional então formado, apelando à transformação socialista da sociedade segundo princípios marxistas, e ao fim do anti-comunismo e anti-sovietismo.
 
Em Maio de 1945 o PTP, sob liderança de Wladyslaw Gomulka, voltou atrás na sua política: apelou de novo a uma Frente Popular, que incluísse o reaccionário Partido Popular (PP) de Mikolajczyk de base pequeno camponesa. Foram minados os poderes dos comités de trabalhadores e entregue a gestão de fábricas, em nome da eficiência, a quadros técnicos e antigos capatazes que se tornaram administradores com ligações directas a ministérios.
 
Em Janeiro de 1946 foi implementada a Lei das Nacionalizações. O estado expropriou sem compensações todas as empresas com mais de 50 trabalhadores. Foi o PSP quem redigiu e pressionou para aplicar a lei. O PTP esteve relutante. O sector estatal e cooperativo tornou-se responsável por 94% da produção industrial em 1948.
 
Foi também aprovado o Plano Trienal (1947-49) de Reconstrução da Economia, com PSP e PTP apoiando a centralização económica (planeamento e controlo). Das eleições de 1947 resultou um Sejm de 440 deputados com 304 do PSP+PTP (234) e aliados (70), e 136 da oposição pequeno-camponesa e católica. O PSP e PTP fundiram-se no POUP em Maio de 1947. O PTP defendia, acertadamente, mais investimento do que consumo, nomeadamente investimento em indústria pesada, produtora de bens de capital (maquinaria, produção metalúrgica, produção de energia, construção naval, etc.); o PSP defendia mais consumo que investimento, e este na indústria ligeira.
 
Gomulka representava a política de «pequenos passos», de contemporizar com a pequena agricultura, e da «via Polaca para o socialismo», expressão que servia para ocultar o desvio opotunista das leis gerais de construção do socialismo. O oportunismo de Gomulka era tão evidente que foi afastado da liderança em 1948 por «erros nacionalistas» (intenções pan-polacas face a territórios ucranianos e bielorussos ocupados no passado pela Polónia, anti-sovietismo) e «desvios de direita». Foi substituído por Boleslaw Bierut que encabeçou um outro rumo do POUP: industrialização rápida com o sistema stakhanovista de incentivos morais e materiais, esforço de colectivização da agricultura (herdades estatais, incentivos a cooperativas), desenvolvimento de serviços sociais e do sistema de educação.
 
Em 1950 Iniciou-se um Plano de Seis Anos. Bierut e Hilary Minc que apresentaram o plano numa reunião do CC mostravam compreender bem o que era necessário à construção do socialismo na Polónia nomeadamente a necessidade de dar prioridade à produção de energia (electrificação), produção de bens de capital (p. ex., complexo do aço de Nowa Huta), aumento da produtividade do trabalho, e mudar o «nível de pequena escala, frequentemente de economia camponesa individual anã que ainda predomina na nossa agricultura» (palavras de Bierut, [4]).
 
A aplicação às condições da Polónia das leis gerais da construção do socialismo deu resultado. As condições económicas melhoraram consideravelmente. No período de 1951-56 a média anual de crescimento do PNB foi a mais alta de toda a história da Polónia: 8,6% atingindo 11% em 1953 [5]. Segundo Szimanski (fontes ocidentais) o crescimento industrial  em 1948-55 foi de 320%.  Segundo outra fonte [5] o crescimento industrial em 1951-55 foi o mais elevado de períodos de cinco anos a partir de 1951: 16,2% ao ano. Este crescimento corresponde a um aumento de pelo menos 146% em 1955 face a 1949 o que não está longe dos 158,3% propostos por Minc em 1950 como meta a atingir e tende a desmentir a tese de que as metas demasiado ambiciosas do plano seriam responsáveis pelas greves de 1956 [6]. A razão entre os 10% do topo e os 10% do fundo passou para menos de metade entre 1947 (13,8) e 1956 (5,2) [7]. O cooperativismo na agricultura atingiu o pico em 1955, com 10% da área cultivada [5]. O consumo não foi descurado. A média percentual do GNP dedicada ao consumo foi de 76,2% no período 1949-56, tendo o consumo de carne per capita aumentado de 28 para 41 kg/ano [7]. Os italianos consumiam 45 kg/ano per capita só em 1975-77. Os salários cresceram cerca de 40% de 1948 a 1956.
 
A «desestalinização» de Khrushtchev, iniciada em 1956, marcou o início do oportunismo continuado do desvio das leis gerais de construção do socialismo, das concessões aos inimigos do socialismo. Sobre a URSS e outros países socialistas Szimanski diz «O discurso de Nikita Khrustchev em 1956 atacando Estaline reverberou na intelectualidade polaca desejosa de ser libertada de controlos estreitos do partido». De facto, nem Szimanski nem outras fontes apresentam qualquer evidência dos «controlos estreitos do partido». O que apresentam sim é o desejo de muitos intelectuais e de trabalhadores de colarinho branco de ganharem mais altos salários e terem um nível de vida semelhante aos dos seus homólogos dos países capitalistas. Isto é, manifestavam sentimentos anti-igualitaristas e irreais face às condições económicas socialistas da altura. O rumo oportunista da URSS estimulou tais sentimentos.
   
No segundo plano quinquenal, iniciado em Janeiro de 1956, o POUP corta substancialmente o investimento em bens de capital de 64% para 50%, transferindo fundos para a indústria ligeira, agricultura, habitação e bens de consumo. Szimanski diz que isso foi feito para responder «à crescente pressão popular de aumentar o consumo». Todavia, um autor ocidental não comunista, David Mason, refere que «Desde 1954 as políticas sociais e de consumo tinham sido enfatizadas à custa de despesas em investimentos industriais», e que apesar de uma escassez de pão em 1956 «devido em parte a uma má colheita de cereais... o consumo da maior parte de outros produtos, alimentos e outros, cresceu substancialmente nesse ano», concluindo: «Os distúrbios populares de 1956 não podem, por isso, ser entendidos simplesmente em termos de insatisfação económica e de declínio do nível de vida» [7].
 
Na realidade, o corte substancial em bens de capital do segundo plano quinquenal parece ser um primeiro sinal de complacência do POUP com o oportunismo. Complacência que não deu resultado. Foi tomada pelos inimigos do socialismo como um sinal de fraqueza do POUP, estimulando reivindicações mais agressivas, num quadro que veremos repetir-se sistematicamente até à destruição final.
 
Na primavera de 1956 rebentou uma greve de trabalhadores em Poznan. Segundo David Mason, foram os trabalhadores altamente especializados das Obras de Engenharia Cegielski de Poznan que iniciaram os protestos [7]. Mason reconhece a melhoria da situação económica na Polónia [8], mas admite que os quadros técnicos talvez (sic) não tenham beneficiado tanto como outros trabalhadores; contudo, a tabela salarial incluída no seu trabalho não apoia tal tese. Os protestos iniciais dos grevistas eram: «irregularidade de fornecimentos de matérias-primas» e «incorrecta aplicação de regulamentos de salários». Uma delegação dos trabalhadores encontrou-se com líderes do POUP que prometeu analisar as reivindicações. Em Junho, os protestos já incluíam «falta de bens de consumo» e «habitação fraca». Rebentaram motins envolvendo jovens; foram invadidos edifícios públicos, a sede provincial do POUP, o arsenal e quartéis do exército onde os revoltosos pegaram em armas e enfrentaram a polícia e o exército. Não se sabe quem disparou primeiro. Houve 53 mortos e 300 feridos. Em qualquer país do mundo a acção destes revoltosos causaria com altíssima probabilidade mortos e feridos. (Os motins em Los Angeles em 1992 causaram 63 mortos e 2.383 feridos e os amotinados não assaltaram arsenais e quartéis e não tinham armas do exército.)
 
Devemos prestar atenção ao seguinte: Será que é crível que as reivindicações -- «irregularidade de fornecimentos», «incorrecta aplicação de regulamentos de salários», etc. –, num quadro de diálogo com o governo, fossem de molde a provocar motins envolvendo gente jovem, com invasão de edifícios públicos, da sede provincial do POUP e – pasme-se! – com assalto ao arsenal e a quartéis do exército onde os revoltosos pegaram em armas e enfrentaram a polícia e o exército?! Não, não é crível. Já muito antes de 1956 a Radio Free Europe e a Voice of America tinham apelado a revoltas na Europa de Leste [9]. Os motins de 1956 na Hungria seguiram o mesmo padrão e, neste caso, com bem documentada participação de agentes imperialistas [10]. Em 1953 tinham sido amnistiados na Polónia milhares de membros de vários grupos militares anti-comunistas [1] que só esperavam uma ocasião para atacar. Os motins «espontâneos» de Poznan revelam preparação organizativa, conhecimentos e cumplicidades militares. Na realidade, a amnistia de 1953 fortaleceu a organização clandestina Wolność i Niezawisłość («Liberdade e Independência») de militares anti-comunistas que algumas fontes mencionam como envolvidas nos motins  [11].
 
No Verão de 1956 a ala «liberal» (oportunista) do POUP, liderada por ex-membros do PSP, consegue remover Bierut e eleger Gomulka para Primeiro Secretário. Gomulka tinha permanecido na Jugoslávia de onde regressou com as ideias de «socialismo de mercado» (uma contradição nos termos). Em Outubro o CC do POUP apoiava a sua nova «via polaca para o socialismo». Com Gomulka abre-se a linha oportunista do POUP que conduzirà à restauração capitalista.
 
A liderança Gomulka implementou tudo que é contra a construção do socialismo: comités de trabalhadores quase autónomos; planeamento central muito reduzido; expansão de incentivos materiais; fábricas operando na base do lucro, com autonomia do plano central; enquanto em 1955 64% do investimento produtivo foi em bens de capital, com Gomulka o novo Plano Quinquenal baixou esse investimento para 50%; afrouxamento da disciplina no trabalho; ênfase no consumo (individual e não social); favorecimento salarial da intelectualidade; promoção de peritos técnicos para altos cargos (em vez de operários experientes com as devidas habilitações e conhecimentos, como até aí). O entusiasmo pela «via polaca para o socialismo» de Gomulka foi elevado, em particular nos territórios ocidentais onde a classe operária era de origem recente; iriam ser o bastião do Solidariedade em 1980-81. O entusiasmo revelou-se numa forte votação no POUP nas eleições de 1957 -- 89,4% dos votos.
 
Os comités de trabalhadores, com vastos poderes [12], tornaram-se uma arena de confronto de operários, jovens, quadros técnicos, e gestores do topo. Em breve os comités eram dominados pela intelectualidade técnica em aliança com gestores e jovens trabalhadores especializados. Esta aliança conseguiu aprovar políticas de bónus com base na especialização, defendendo que a desigualdade de salários e bónus era necessária à promoção da eficiência e produtividade. Aumentou a desigualdade social entre operariado e intelectualidade técnica. De 1958 a 1962 o rendimento dos colarinho brancos aumentou 10% face aos colarinhos azuis.
 
Dominados pela intelectualidade técnica, aumentou a autonomia dos comités de trabalhadores face ao planeamento central. Muitos velhos gestores oriundos da classe operária opuseram-se a este curso. A crescente desilusão do operariado com as práticas tecnocráticas dos comités levou a uma redução dos seus poderes em 1958 e ao reforço dos poderes dos sindicatos. A justificação do POUP para esta medida, ao atribuir as culpas aos trabalhadores, revela uma profunda incompreensão e oportunismo: «a classe trabalhadora não estava suficientemente preparada para gerir a democracia laboral implícita na formação dos comités de trabalhadores» e que iria preparar a «nova classe trabalhadora» para a democracia.
 
Como resultado das reformas dos comités de trabalhadores estes passaram a dar apenas parecer na nomeação de administradores do topo. A autoridade destes, como sendo os mais habilitados quadros técnicos, aumentou. A intelectualidade técnica também passou a ter forte influência nos sindicatos. A Polónia tornava-se uma tecnocracia.
 
O reino das facilidades de Gomulka -- com grandes dispêndios no consumo e benefícios sociais à custa de investimentos produtivos e com agricultura atrasada, fortemente deficitária – teria fatalmente de terminar. Em 1959 o governo resolveu aumentar o investimento na indústria: +17% face a 1958. Para tal teve de aumentar o orçamento de estado de 57% face a 1954 [Mason], um aumento mais rápido do que o do PNB. De facto, a taxa de crescimento do PNB que tinha sido de 5% em 1960 baixou para 2% em 1962. São então anunciadas medidas de austeridade e travado o crescimento industrial. O preço da energia aumentou. Os finais dos anos 60 são marcados por baixos crescimentos de salários e estagnação do consumo. As despesas sociais, contudo, aumentaram e houve alguma diminuição da diferença salarial entre a intelectualidade e o operariado. A liderança Gomulka lembra-se então de aumentar o investimento na indústria pesada que tinha estado esquecida. Mas para isso, e para não agravar mais a estagnação do consumo e salários, começou a importar massivamente tecnologia do Ocidente! Em troca de exportações de alimentos de uma agricultura deficitária!
 
Para fazer face ao elevado subsídio da agricultura o governo decretou em Dezembro de 1970 grandes aumentos dos preços dos alimentos, alguns de 30%. Szimanski fala em «reformas do leque salarial das indústrias» mas não concretiza. Os dados de Mason mostram descidas constantes mas moderadas do salário da intelectualidade técnica face ao salário do operariado: 1,54 vezes maior em 1969, 1,53 em 1970, 1,51 em 1971, 1,49 em 1972, 1,44 em 1973. Estaria a liderança Gomulka a corrigir benesses dadas anteriormente à intelectualidade, que chegou a ganhar 1,67 vezes mais que o operariado, ou a responder a constrangimentos orçamentais?
 
Os decretos de 1970 despoletam grandes manifestações nas docas e estaleiros do mar Báltico: Gdansk, Gdynia e Stetin. Há de novo motins durante cinco dias que se espalham a outras cidades, com pilhagens, destruição de edifícios públicos e sedes do POUP. O governo teve de chamar o exército. Morreram 45 pessoas. As reivindicações não se limitaram aos preços dos alimentos. Era exigido o aumento de poderes dos comités de trabalhadores e dos sindicatos e que os directores das empresas fossem jovens peritos técnicos, em prejuízo de administradores mais velhos, mais politizados, oriundos da classe operária.
 
A partir de 1970 os líderes do POUP mantêm o abandono do planeamento central, vivem a reboque dos acontecimentos, dobrando-se a todas as reivindicações dos «trabalhadores» teleguiadas pelo inimigo de classe, comportando-se como chefes de bombeiros a apagar fogos. Alguns marcos:
-- Dezembro de 1970: Edward Gierek substitui Gomulka. Os seus associados próximos são jovens peritos técnicos voltados para a modernização.
-- 1971: Quase todas as reivindicações são aceites. É também aceite a representação directa dos trabalhadores nos congressos do POUP! Em vez de vanguarda o POUP passa a retaguarda.
-- 1972: Mais poderes para os sindicatos e mais descentralização da decisão económica. O POUP torna-se uma espécie de partido anarco-sindicalista.
-- 1973: As directivas do planeamento central são limitadas a: volume de vendas; volume de exportações; volume de produção; compras; limites dos totais salariais; orientações de investimentos; resultados financeiros. Isto é anunciado como «socialismo desenvolvido», «democracia socialista» e expansão do poder popular na tomada de decisões!
-- 1976: Greves. (O inimigo esporeia para acelerar o desenlace.) A exportação de alimentos para o Ocidente tornou a economia polaca influenciada pelas crises do capitalismo; neste caso, pela crise do petróleo que fez declinar as exportações.
-- 1978: Desilusão dos trabalhadores com os comités. Já só há 536 empresas com comités, um décimo do número de 1957. Os comités tornam-se ferramentas da intelectualidade para aumentar a produção. Gierek reorganiza a administração económica de tal forma que reduz o papel do POUP dentro das empresas!
-- 1979: Diz o New York Times (26 de Janeiro, 1979): «Como parte de um esforço em obter um novo e substancial empréstimo a Polónia concordou em permitir a bancos ocidentais que monitorizem as suas políticas económicas... Esta concessão é vista como um marco histórico das relações financeiras com o mundo comunista... Os bancos envolvidos neste novo crédito vão a partir de agora vigiar o progresso da economia polaca da mesma forma que o Fundo Monetário Internacional monitoriza as economias dos países não comunistas em dificuldades financeiras.»

De facto, desde 1970 que a Polónia reduz importações dos países socialistas e passa a importar alta tecnologia dos países capitalistas. Para financiar esta recorre a crédito de bancos desses países! Resultado óbvio: rápida acumulação de dívida:
Introduction

Socialist Poland was built starting from 1946 with the enthusiasm and enormous support of the Polish people: 77% voted in favor of the economic reforms (workers’ committees, land reform, etc.) in the 1946 referendum promoted by the provisional government agreed in Yalta (USSR, GBR, USA). In the 1947 elections the Democratic Front, composed of the Communist Party, the Socialist Party, and allied parties (these representing urban and rural petty bourgeoisie), got 80.1% of the votes. In these elections all catholic bishops instructed the faithful to vote against the “Communists” of the Democratic Front.
 
Socialism entered in collapse in 1980-81 via the Solidarity trade-union, claimed as “independent”. Actually, dependent on reactionary forces, including the right-wing intellectuals of the KOR group and of the anti-communist group Young Poland, who provided the main cadres of Solidarity. Behind these forces, were the bourgeoisie (including ex-business owners), the aristocracy, and the reactionary Catholic hierarchy who always colluded with the far-right and anti-Semitism. The reactionaries had financial and propaganda support of imperialism (CIA, USAID, Voice of America, Radio Free Europe, BBC, etc).
 
Many workers, members of the Polish United Workers’ Party (PUWP) – resulting from the union of the Communist and Socialist parties (an union which was, indeed, proposed by the latter) – were also members of the Solidarity, at least in the first years. The adherence to Solidarity of a considerable number of workers members of the PUWP demonstrates both the degradation of the PUWP and the amazing lack of political conscience of those workers completely manipulated by the reactionaries. When they understood that and abandoned the Solidarity it was already too late.
 
The repeated strikes of Solidarity (strikes paid by the govenment!), with reactionary demands always attended to by the PUWP, the “market socialism” of the PUWP which led to an unsustainable debt to western banks, quickly sank socialism. The PUWP became a hostage of Solidarity which raised then to be the real power in Poland. In 1989, President Jaruzelski, First-Secretary of the PUWP CC, accepted to appoint a Christian-Democrat indicated by the Solidarity as Prime-Minister. Jaruzelski resigned in 1990. He was succeeded by Lech Walesa, the charismatic chief of Solidarity. Socialism was liquidated. The country fell into capitalism.
 
Would the marvels of welfare and freedom promised by the reactionaries of Solidarity and the Catholic Church now come and stay with capitalism (pardon, "market socialism")?

For the national and international bourgeoisies there came, indeed, a great bonanza of welfare and freedom. The western monopolies laid down their roots. Poland did succeed at last into having billionaires; they were already two in 2005 and five in 2015. The 10% richest households received in 2004 a share of 27% of the national income, and the richest 20% a share of 42.7%; in 1975, at the time of socialism (although shaken), the respective shares were smaller: 20.1% and 34.3%, respectively. (These and other data from Western sources.)
 
The workers, on the other hand, did not (and do not) have any reason to be satisfied. Unemployment, pratically nonexistent in socialism, came back: it sky-rocketted to 15% as early as 1995, 21% in 2004, and is now at 7.5%. Socialist Poland was fairly egalitarian, with a tight wage range. Moreover, a 1983 study by a Western analist (cited in [1]), who attempted to document the “privileges” of the PUWP elite, has shown that such privileges were rather small, not at all comparable with those of the capitalist elites. In 1953 a technically educated staff earned about 1.56 times a worker’s wage [1]; in 2003 the ratio was already between 2.5 to 4 times (ILO). The Gini index of the gross monthly earnings jumped from 0.2 in 1989 to 0.24 in 1991, 0.28 in 1994 and 0.34 in 2006 (OECD). Poverty has also increased dramatically. According to an analist of the World Bank, it increased from 3.3 millions in 1978 to 8.6 millions in 1987. It has not substantially decreased since the late eighties, remaining around 6.5% of the population (this figure is according to official definitions).

Poland was the ninth largest industrial power of the world in 1979, standing above countries such as India, Brazil, Canada, Spain and the Netherlands [1]. It descended to the 23rd place in 2009, below those countries and also below Russia, Turkey, Indonesia and Thailand (CIA). With socialism there had been a drastic reduction in infant mortality, from 140 in 1000 live births in 1935 downto 111 in 1950 and 22 in 1978 [1]. The corresponding values for Portugal are respectively 148.7, 94.1 and 29.1 [2]. After 1981 the values for Poland have systematically worsened compared to those of Portugal, reaching twice the Portuguese mortality rate in 2010 (Pordata).
 
The enormous social regression with capitalism is revealed by many other aspects of present-day Poland: discrimination against women, return of racism and anti-Semitism, handing over former mansions to aristocrats, anti-labor laws, persecution and imprisonment of communists under the cover of anti-comunist laws, far-right in power, etc. In the Polish parliament there are now 6 parties: 4 from the “traditional” right and extreme-right wings (and these have the power), 1 from the liberal right-wing and 1 “centrist” social-democrat. In short, it is only the right and extreme-right wings that have a representation.
 
What are the substantive reasons for the collapse of socialism in Poland? This is what we’ll attempt to analyze relying on the support of Albert Szymanski’s book, Class Struggle in Socialist Poland [1]. The author uses “almost entirely pro-Western, anti-Communist sources to establish the facts” to which he then applies a Marxist analysis. We agree with the author when he states that the method of establishing the facts follows “The historiographically sound principle that if those who are arguing against a hypothesis provide evidence in favor of it, such evidence has a high probability of being true, underlies this method”. The method is correct in establishing facts, but may be insufficient, either because there are facts that are missing or those presented are truncated or contain distortions. Besides Szimanski’s book, we also consulted other pro-Western sources. The analysis that we present here (which departs in some aspects from that of Szimanski) is intended only as a contribution. Among other limitations of our study, we were unable to consult documents from the PUWP.
 
The analysis of the collapse of socialism in former socialist countries, the analysis of mistakes that were made, is always important because it enriches the political practice of Marxism-Leninism and can help to avoid future mistakes. The same happens here as in applied sciences, which progress by learning from past mistakes. The case of Poland seems to us to be particularly important for two reasons: because the mistakes that wer made made satnd out with great clarity; because the social framework of Poland has some similarities with that of Portugal and of other southern European countries as regards the weight of the Catholic Church and of the small peasantry.
 
The Errors of the Vanguard
 
Socialism is the first stage on the road to building a classless, communist society.
 
The construction of socialism -- after the seizure of power by the proletariat -- is far more demanding than the construction of capitalism. The latter is the culmination, guided by economic imperatives, of millennia of class-based social formations, of which one class exploits the work of others. Finding exploiters is easy. Capitalism was not built by the bourgeoisie alone. Part of the defeated class, the feudal nobility, allied itself with the bourgeoisie. As regards the economic imperatives, the "blind" laws of the market stand out, the market also being a millenary institution that the bourgeoisie only had (has) to steer in its benefit. Actually, when the bourgeoisie seized power, capitalism was already largely built. This situation differs radically from socialism: when the proletariat takes power there is no such thing as socialism; this has to be built from scratch, with a whole new state machine and with a new economy, the socialist economy.
 
Building socialism implies breaking down enormous obstacles of the past. It implies: a conscious direction of the economy: a centrally planned and controlled economy; abolishing private ownership of the means of production, the historical basis of labor exploitation: collectivization of industry, agriculture, mines, etc; to repress the old exploiters who fiercely struggle to recover the old privileges and to restore capitalism, resorting to a whole powerful network of knowledge, contacts and bribes, and using material means (attacks, sabotage, vandalism, hoarding, etc.) and spiritual means (lies, slandering, demoralization, dissemination of rumors, confusion, religion, etc.); to defend socialism against the international imperialist bourgeoisie which also uses various means –material (sanctions, economic warfare, paramilitary groups, etc.) and spiritual (media networks, specific radio stations, propaganda from international organizations, etc.) for the same purpose. Domestic and foreign subversions against socialism rapidly reach high levels of violence. As long as capitalism is globally powerful, socialist countries will be forced to confront strong domestic and foreign subversion, which may include wars, invasions, military coups, etc., triggered by the imperialist countries [3] with the support of the domestic reactionaries. The construction of socialism requires, therefore, a party of the most conscious and fighting layers of the proletariat with a strong central leadership of firm, studious and experienced revolutionary statesmen who enjoy the support of the broad masses, conscious and engaged in what is necessary to build. 
 
The construction (development) of capitalism is largely guided by economic imperatives of labor exploitation, of which bankruptcies and unemployment are corollaries of the uncontrollable laws of the markets. The construction (development) of socialism is largely guided by conscious imperatives of the efficient use of economic resources to satisfy social needs, the basic needs of the people, with full employment as one of them. In capitalism the economy controls men. In socialism men control the economy. In capitalism any mediocrity of dubious honesty can be head of state without putting capitalism in danger. (In fact, what the bourgeoisie often intends to have as head of the state is precisely a mediocrity that is submissive to it.) Socialism demands firm, honest, studious, and experienced statesmen; a mediocrity leading a socialist state is a symptom that socialism goes in the wrong way.
   
The construction of socialism is, therefore, difficult. Demonstrably difficult – both at a theoretical and practical level. We reject the proposals of the sellers of “easy ways”, of the genre "Build it Now: Socialism for the 21st Century", which go against all theoretical analysis and practical experience.
 
Difficult, but feasible and necessary. The seizure of power by the proletariat and the subsequent construction of socialism requires a party of the most conscious and combative layers of the proletariat: a vanguard party of the working class capable of -- in alliance with the small peasantry and other social strata, and taking account of the concrete, objective and subjective conditions of the country concerned -- to establish the domination of the proletariat indispensable to the implementation of the economic reforms that follow the expropriation of the large means of production and to the fight against domestic and foreign subversion. There is a vast body of theoretical and practical Marxist-Leninist knowledge that the working-class party uses to assert itself as the vanguard. History has shown that a workers' party is not necessarily, by that mere fact, a vanguard party. To be or not to be a vanguard will have to be tested in the praxis, in the practical application of Marxism-Leninism. The main cause of the defeats of socialism was the accumulation of right-wing opportunist errors -- continued abandonment of Marxist-Leninist principles in exchange for immediate gains -- at the highest level of the workers' party leading the process; by committing such errors in a cumulative way, the party ceases to be a vanguard.
   
In Poland the seizure of power by the proletariat was relatively easy. At the end of WWII the large Polish proprietors were not in a position to oppose the proletariat. In Western Europe the occupation of factories and lands was prevented by the Anglo-American army, and those returned to the former owners; in Poland the Red Army gave free rein to the people to organize themselves as they pleased. Unfortunately, the PUWP was almost from the outset (with the exception of the period from 1948 to 1956) led by opportunist leaderships. It made serious errors in the following aspects:
 
- Not building a new state machine
- Abandonment of central planning of the economy
- Very weak collectivization of agriculture
- Feebleness in the relations with the Catholic Church
- Concessions to domestic and foreign subversion
- Ideological unpreparedness of the militants

Not building a new state machine
  
When we speak of a new state machine we take into account not only the need to build the socialist economy, but more than that: organs of power that establish the party's connection with the working masses and the allied social strata of the proletariat, and that on the basis of direct democracy elect the civil servants and control the various government departments.
 
In the USSR these organs were the soviets. In Poland, as far as we understand from the work of Szimanski and other authors, no new organs of power were instituted. The pre-existing bourgeois organs -- Sejm (National Assembly), ministries, police, army, etc. -- were adapted to the carrying out of the new tasks. The consequence was the lack of awareness of the masses, the loss of contact between the party and the masses, the "fifth-columns" in the army and the intelligentsia, the workers’ committees operating in isolation, etc. The absence of new organs of power contributed to the rapid development of the errors described below.

Abandonment of central planning of the economy
 
As the German army withdrew from Poland in 1944-45 a spontaneous socialist revolution took place, with workers' committees occupying factories and peasants occupying land. In October 1944 the Communist Party (PTP) still considered a possible restoration of private property within a broad anti-fascist "democratic front". The PTP abandoned this policy by pressure from the popular masses. The Polish Socialist Party (PSP) collaborated with the Communists in the then-formed National Council, calling for the socialist transformation of society according to Marxist principles, and the end of anti-communism and anti-Sovietism.
 
In May 1945 the PTP, under the leadership of Wladyslaw Gomulka, went back on its policy: it appealed again to a Popular Front, which would include the reactionary People's Party (PP) of Mikolajczyk of small peasant base. The powers of the workers' committees were undermined, and factory management was handed over, in the name of efficiency, to technical staff and former foremen who then became administrators with direct links to ministries.

The Law of Nationalizations was implemented In January of 1946. The state expropriated without compensation all companies with more than 50 workers. It was the PSP who wrote and pressed on to enforce the law. The PTP was reluctant. The state and cooperative sectors became responsible for 94% of industrial production in 1948.

The Triennial Plan (1947-49) for Reconstruction of the Economy was also approved, with the PSP and PTP supporting the economic centralization (planning and control). As a result of the 1947 elections, a Sejm of 440 deputies was formed with 304 of the PSP + PTP (234) and allies (70), and 136 of the small peasant and Catholic opposition. The PSP and PTP became united into the PUWP in May 1947. The PTP rightly defended more investment than consumption, namely investment in heavy industry, producing capital goods (machinery, metallurgical production, energy production, shipbuilding, etc.); the PSP advocated more consumption than investment, and this in light industry.
 
Gomulka represented the policy of "small steps", of compromising with small-scale agriculture, and of the "Polish road to socialism", an expression that served to conceal the opotunist drift from the general laws of socialist construction. Gomulka's opportunism was so evident that he was removed from the leadership in 1948 because of “nationalist errors” (grand-Polish intentions with respect to Ukrainian and Belarussian territories formerly occupied by Poland and anti-Sovietism) and “right-wing deviations”. It was replaced by Boleslaw Bierut, who headed another course of the PUWP: fast industrialization with the Stakhanovite system of moral and material incentives, effort of collectivization of agriculture (state farms, incentives to cooperatives), development of social services and of the education system.

In 1950 a Six Year Plan began. Bierut and Hilary Minc, who presented the plan at a meeting of the CC, showed a clear understanding of what was necessary for the the construction of socialism in Poland, namely the need to give priority to the production of energy (electrification), production of capital goods (e.g., Nowa Huta's steel complex), increasing labor productivity, and changing the “level of a small scale, often dwarf-like individual peasant economy which still prevails in our agriculture” (Bierut's words, [4]).
 
The application of the general laws of the construction of socialism to the conditions of Poland produced good results. Economic conditions improved considerably. In the period 1951-56 the annual average GNP growth was Poland's highest in all its history: 8.6% reaching 11% in 1953 [5]. According to Szimanski (Western sources) industrial growth in 1948-55 was 320%. According to another source [5], industrial growth in 1951-55 was the highest five-year period since 1951: 16.2% per annum. This growth corresponds to an increase of at least 146% in 1955 compared to 1949, which is not far from the 158.3% proposed by Minc in 1950 as a target and tends to deny the thesis that the overly ambitious goals of the plan would be responsible for the strikes of 1956 [6]. The ratio between the 10% of the top and the 10% of the bottom dropped to less than half between 1947 (13.8) and 1956 (5.2) [7]. Cooperativism in the agriculture attained its peak in 1955, corresponding to 10% of cultivated area [5]. Consumption was not neglected. The average percentage of the GNP devoted to consumption was 76.2% in the period 1949-56, with per capita meat consumption increasing from 28 to 41 kg / year [7]. The Italians consumed 45 kg / year per capita only in 1975-77. Wages grew about 40 percent from 1948 to 1956.
 
Khrushchev's “de-Stalinization”, begun in 1956, marked the beginning of the continued opportunism of diverting from the general laws of socialist construction and from concessions to the enemies of socialism. As regards the USSR and other socialist countries Szimanski says "Nikita Khrustchev's 1956 speech attacking Stalin reverberated in the Polish intelligentsia, desirous of being released from tight Party controls." As a matter of fact, neither Szimanski nor other sources provide any evidence of “tight party controls”. What they do provide is indeed the desire of many intellectuals and white-collar workers to earn higher wages and have a standard of living similar to their counterparts in capitalist countries. That is, they manifested anti-egalitarian and unrealistic feelings regarding the socialist economic conditions of the time. The opportunist orientation of the USSR stimulated such feelings.

In the second quinquennial plan, which began in January 1956, the PUWP substantially cut down capital investment from 64% to 50% by transferring funds to light industry, agriculture, housing and consumer goods. Szimanski says that this was done in response "to increased popular pressure to raise consumption". However, a non-communist Western author, David Mason, points out that "Beginning in 1954, both social policy and consumption policies were emphasized at the expense of industrial investments", and that despite a bread shortage in 1956 "due in part to a poor harvest in grains… consumption of most other other products, food and otherwise, was up substantially in that year", concluding: "The popular disturbances of 1956, therefore, cannot be understood simply in terms of economic dissatisfaction or declines in the standard of living." [7]

In fact, the substantial cut in capital goods from the second five-year plan seems to be a first sign of the PUWP's compliance with opportunism. A compliance that did not work out. It was taken by the enemies of socialism as a sign of weakness of the PUWP, stimulating more aggressive demands, in a framework that we will see systematically repeated until the final destruction.

In the spring of 1956 a workers' strike broke out in Poznan. According to Mason, it was the highly specialized workers at the Engineering Works Cegielski of Poznan who started the protests [7]. Mason acknowledges the improvement of the economic situation in Poland, [8] but admits that the technical staff perhaps did not benefit as much as other workers; however, the wage table included in his work does not support such a thesis. The initial protests of the strikers concerned: “irregularities in the supply of raw materials” and “incorrect application of wage regulations”. A workers' delegation met with PUWP leaders, who promised to analyze the claims. In June, the protests already included "shortage of consumer goods" and "poor housing". Riots broke out involving young people; public buildings were invaded, including the provincial headquarters of the PUWP, the arsenal and the army barracks from where the rioters took up arms and confronted the police and the army. It is not known who fired first. There were 53 dead and 300 wounded. In any country in the world, the action of these mutineers would cause deaths and injured people with very high probability. (The 1992 Los Angeles riots caused 63 dead and 2,383 injured people and yet the mutineers did not assault arsenals and barracks and had no army weapons.)

We must pay attention to the following: Is it credible that the claims – “irregularities of supplies”, “incorrect application of wage regulations”, etc. -- in the framework of a dialogue with the government, could provoke riots involving young people, with invasion of public buildings, of the provincial headquarters of PUWP and -- be amazed! -- with assault of the arsenal and army barracks from where the rioters took up arms and confronted the police and the army?! No, it's not credible. Long before 1956 Radio Free Europe and Voice of America had appealed to revolts in Eastern Europe [9]. The 1956 riots in Hungary followed the same pattern and, in this case, with well documented participation of imperialist agents [10]. In 1953, thousands of members of several anti-communist military groups had been amnestied in Poland [1]; they were only waiting for an occasion to attack. The "spontaneous" riots in Poznan reveal organizational preparation, military knowledge and complicity. In fact, the amnesty of 1953 strengthened the clandestine Wolność i Niezawisłość ("Freedom and Independence") an organization of anti-communist military men whom some sources mention as being involved in the riots [11].

In the summer of 1956 the "liberal" (opportunist) wing of the PUWP, led by former PSP members, managed to remove Bierut and elect Gomulka to First Secretary. Gomulka had stayed in Yugoslavia from which he returned with the ideas of "market socialism" (a contradiction in terms). In October the PUWP Central Committee supported its new "Polish road to socialism". With Gomulka the opportunist line of PUWP that will lead to the capitalist restoration is wide opened.
 
The Gomulka leadership implemented everything that is against the construction of socialism: almost autonomous workers’ committees; very reduced central planning; expansion of material incentives; factories operating on the basis of profit, with autonomy from the central plan; while in 1955 64% of productive investment was in capital goods, with Gomulka the new Five Year Plan lowered this investment to 50%; relaxation of work discipline; emphasis on consumption (individual, not the social one); wage increase of the intelligentsia; promotion of technical experts to top positions (rather than experienced workers with the appropriate qualifications and expertise, as before). The enthusiasm for Gomulka's "Polish road to socialism" was high, particularly in the western territories where the working class was of recent origin; it would become the bastion of Solidarity in 1980-81. This enthusiasm was revealed in a high percentage voting PUWP in the 1957 election -- 89.4 percent.
 
The workers' committees, with vast powers, [12] became an arena of confrontation among workers, young people, technical staff, and top managers. Soon the committees were dominated by the technical intelligentsia in alliance with managers and young skilled workers. This alliance was able to approve bonus policies based on specialization, arguing that wage and bonus inequality was necessary to promote efficiency and productivity. Social inequality between manual workers and technical intelligentsia increased. From 1958 to 1962 the income of the white collars increased by 10% against the blue collars.
 
Dominated by the technical intelligentsia, the autonomy of the workers' committees vis-à-vis the central planning increased. Many old managers of the working class opposed this course. The growing disillusionment of the working class with the technocratic practices of the committees led to a reduction of their powers in 1958 and the strengthening of the powers of the trade unions. The justification of PUWP for this measure, when blaming the workers, reveals a deep misunderstanding and opportunism: "the working class was not sufficiently prepared to manage the labor democracy implicit in the formation of the workers' committees" and the PUWP would prepare the "new working class” for democracy.

As a result of the reforms of the workers’' committees they ended up on only giving advice on the appointment of senior managers. The authority of the latter, as being the most qualified technical staff, increased. The technical intelligentsia also had a strong influence on the trade unions. Poland was becoming a technocracy.
 
The realm of Gomulka's easy ways -- with large expenditures on consumption and social benefits at the expense of productive investments and with a backward agriculture, heavily in deficit -- would inevitably have to end. In 1959 the government decided to increase the investment in industry: + 17% compared to 1958. To do so it had to increase the state budget by 57% over 1954 [Mason], a faster increase than the GNP had. Indeed, the growth rate of the GNP which was of 5 percent in 1960 fell to 2 percent in 1962. Austerity measures were then announced and industrial growth slowed. The price of energy increased. The late 1960s are marked by low wage growth and stagnant consumption. Social spending, however, increased, and there was some decrease in the wage gap between the intelligentsia and the working class. At that point the Gomulka leadership got the idea of increasing investment in heavy industry, which had been forgotten. But in order to do this, without further aggravating the stagnation of consumption and wages, it began to massively import technology from the West! In exchange for food exports from the loss-making agriculture!
 
To cope with the high subsidy of agriculture the government decreed large increases in food prices in December 1970, some attaining 30%. Szimanski speaks of "reforms in the industrial wage scale" but does not concretize. Mason's data show constant but moderate declines in the salary of technical intelligentsia compared to the salary of the manual working class: 1.54 times higher in 1969, 1.53 in 1970, 1.51 in 1971, 1.49 in 1972, and 1.44 in 1973. Was the Gomulka leadership correcting previously given benefits to the intelligentsia, who had gained 1.67 times more than the manual working class, or responding to budgetary constraints?

The 1970 decrees trigger large demonstrations on the docks and shipyards of the Baltic Sea: Gdansk, Gdynia and Szczecin. There were again riots, for five days, that spread to other cities, with looting, destruction of public buildings and PUWP headquarters. The government had to call the army. 45 people died. The demands were not limited to food prices. The demonstrators demanded an increase of the powers of the workers' committees and trade unions and for the managers of companies to be young technical experts, to the detriment of older and more politicized administrators issued from the working-class.
 
After 1970 the PUWP leaders maintain the abandonment of the central planning, they live in the wake of events, bending to all demands of the "workers" guided by the class enemy, behaving as chief firefighters with the mission to put out the fires. Some landmarks:

-- December 1970: Edward Gierek replaces Gomulka. His close associates are young technical experts focused on modernization.
-- 1971: Almost all demands are accepted. It is also accepted the direct representation of workers in the PUWP! Instead of a vanguard the PUWP becomes a rearguard.
-- 1972: More powers for trade unions and more decentralization of economic decision. The PUWP becomes a sort of anarcho-syndicalist party.
-- 1973: Central planning directives are limited to: volume of sales; volume of exports; production volume; purchases; limits on total wages; investment guidelines; financial results. This is heralded as “developed socialism”, “socialist democracy” and expansion of popular power in decision-making!
-- 1976: Strikes. (The enemy spurs to speed up the outcome.) Food exports to the West have made the Polish economy affected by capitalist crises; in this case, by the oil crisis that caused exports to decline.
-- 1978: Workers disillusionment with the committees. There are now only 536 companies with committees, one tenth of the number of 1957. Committees become tools of the intelligentsia to increase production. Gierek reorganizes economic management in such a way that it reduces the role of the PUWP inside the companies!
- 1979: The New York Times (January 26, 1979) states: "As part of an effort to obtain a major, new loan, Poland has agreed to permit Western banks to monitor its economic policies… They regard the concession as a historic breakthrough in the financial relations with the communist world… The banks involved in the new credit will henceforth track the progress of the Polish economy much as the International Monetary Fund monitors the economies of non-communist countries in financial distress.”
 
In fact, since 1970 Poland has reduced imports from socialist countries and has imported high technology from capitalist countries. This is financed by resorting to credit from banks of those countries! Obvious result: rapid accumulation of debt:


Dívida externa da Polónia a bancos capitalistas | Foreign debt of Poland to capitalist banks [13]
(mil milhões de US$ | billions of US dollars)
1972
1974
1976
1978
1980
1,5
4,8
11,2
16,9
23,0

-- 1980: Em Abril uma reunião de credores estrangeiros da Polónia em Varsóvia, como condição de reescalonamento da enorme dívida, pede ao governo que reduza os subsídios de alimentação, aumentando significativamente os preços dos alimentos!
 
Em meados de 1981 a dívida está em 27 mil milhões de US$. O FMI bate à porta. Gierek (POUP) concorda com tudo que o Solidariedade exige e uma das reivindicações do Solidariedade, para além de reduzir preços de alimentos, é reduzir muito mais as directivas de planeamento central. É a preparação para a privatização capitalista.

Muito fraca colectivização da agricultura

A Polónia praticamente nunca colectivizou a agricultura, o que constituiu um enorme erro na construção do socialismo, tanto mais que a Polónia era um país essencialmente agrícola: em 1949, 60% da populção activa era camponesa e só 20% operária. (Em Portugal, no mesmo ano, as percentagens eram respectivamente de 49,3% e 20,4% [14].)
 
Antes da 2.ª GM a terra na Polónia pertencia quase toda a aristocratas e à Igreja que lhes era aliada; 44% da terra era de enormes latifúndios. Em Outubro de 1944 o Concelho Nacional começou a implementar uma reforma agrária, apoiada inclusive por um partido camponês de direita (Mikolajczyk) para além de um mais pequeno de esquerda. Note-se que o partido comunista também tinha sólida base no campesinato: em 1948, 22% dos seus membros (225 mil militantes) eram camponeses. Havia, portanto, condições para efectuar uma reforma agrária radical.
 
A reforma agrária de 1948 distribuiu 4 milhões de hectares a 1,5 camponeses sem terra (ou quase), ficando o estado com 2 milhões de hectares (de territórios ocidentais que os alemães tiveram de abandonar) para herdades estatais; mas, permitiu-se aos grandes senhores ficarem com grandes e melhores terras, e não se tocou em nenhumas da Igreja Católica para, «não antagonizar o campesinato fortemente católico» [1]. O resultado desta reforma foi uma multidão de lotes de terreno «demasiado pequenos para serem auto-sustentáveis já para não falar eficientes. Em 1950, 57,2% das propriedades tinham menos de 5 ha». Pior que isso, ao longo do tempo a dimensão média das propriedades diminuiu: em 1968 as propriedades com menos de 5 ha constituíam já 67,1% do total e a percentagem de propriedades com mais de 15 ha baixou de 16% em 1950 para 12,4% em 1960. Em 1970 o tamanho médio dos 3,4 milhões de herdades privadas era abaixo de 5 ha e um terço delas tinha entre 0,6 e 2 ha [5]. Nestes milhões de propriedades a agricultura era ineficiente e impossibilitada de usar tecnologia moderna.
 
A liderança Bierut compreendeu o problema. Encorajou desde 1940 os pequenos camponeses a unirem-se em cooperativas, concedendo-lhes condições favoráveis de uso de tractores, menores impostos e subsídios. Nesta altura a direita do partido de Mikolajczyk embarcou em actividades agressivas, contra-revolucionárias. Alguns dos seus líderes foram presos e Mikolajczyk & C.ª foram para o ocidente onde desenvolveram violenta campanha anti-comunista. Contudo, a esquerda do partido de Mikolajczyk uniu-se a outro partido camponês (pró-governo) com assento no Sejm.

Em 1955, com Bierut, foi atingido o ponto mais alto da expansão co-operativa: próximo de 10% da área cultivada [5].

A direcção oportunista de Gomulka destruiu o cooperativismo: logo nos primeiros dois meses de 1956 80% das herdades colectivas foram desmanteladas, ficando apenas colectivizada 1,2% da área agrária; as estações de máquinas receberam ordens de vender o equipamento aos camponeses e dissolverem-se; as entregas compulsórias de cereais ao estado foram reduzidas para um terço e o crédito tornou-se mais fácil para os camponeses ricos. O estado passou a esbanjar fortes subsídios numa agricultura ineficiente que vendia ao estado produtos muito acima do custo real.
 
Gierek continuou esta política. O congelamento de preços de alimentos que decretou para satisfazer reivindicações populares foi à custa de subsídios crescentes e insustentáveis à agricultura. Em 1977 o estado subsidiava até 70% do preço a retalho! Além disso, aboliu quotas de fornecimento compulsório, garantiu a propriedade privada da terra (85% da terra cultivada em 1966!) e instituiu um preço demasiado alto de compra do leite. Ainda subsistiam as herdades estatais; mas estas só contribuíam para 13,3% da produção agrícola em 1966, e não parece ter aumentado até 1980.
 
Já vimos que desde os finais dos anos 60 a Polónia começou a importar alta tecnologia dos países capitalistas que pagava com produtos agrícolas. Szimansky apresenta uma tabela de dados de comércio externo de que não retira as devidas conclusões. Eia aqui o que interessa da tabela com cálculos nossos:
-- 1980: A meeting of Polish foreign creditors takes place in Warsaw in April. As a condition for rescheduling the huge debt, the creditors call on the government to reduce food subsidies, significantly increasing food prices!
 
In mid-1981 the debt is at US$ 27 billion. The IMF knocks on the door. Gierek (PUWP) agrees with everything that Solidarity requires and one of Solidarity's demands, besides reducing food prices, is to reduce much further the number of central planning directives. It is the preparation for capitalist privatization.
 
Very weak collectivization of agriculture
 
Poland hardly ever collectivized agriculture, which was a huge mistake in the construction of socialism, especially since Poland was essentially an agricultural country: in 1949, 60% of the working population were peasants and only 20% were workers. (In Portugal, in the same year, the percentages were respectively 49.3% and 20.4% [14].)
 
Before WWII the land in Poland belonged almost entirely to aristocrats and to the Church that was allied to them; 44% of the land was of huge latifundia. In October 1944 the National Council began to implement a land reform, supported even by a right-wing peasant party (Mikolajczyk) as well as by a smaller left one. It should be noted that the communist party also had a solid base in the peasantry: in 1948, 22 percent of its members (225,000 militants) were peasants. There were, therefore, conditions for a radical land reform.
 
The 1948 land reform distributed 4 million hectares to 1.5 peasants without land (or almost so), leaving the state with 2 million hectares (from western territories that the Germans had to abandon) for state farms; but the large land estate owners were allowed to keep large and the better lands, and no land of the Catholic Church was touched upon in order to "not antagonize the heavily Catholic peasantry." [1] The result of this reform was a multitude of plots of land “too small to be self-sustaining, let alone efficient. In 1950, 57.2% of the land plots had less than 5 ha.” Worse than that, over time the average size of the properties decreased: in 1968 properties with less than 5 ha accounted for 67.1% of the total and the percentage of properties with more than 15 ha decreased from 16% in 1950 to 12.4% in 1960. In 1970 the average size of the 3.4 million private farmsteads was below 5 ha and a third of them had between 0.6 and 2 ha [5]. In these millions of properties agriculture was inefficient and unable to use modern technology.
  
The Bierut leadership understood the problem. Since 1940, it has encouraged small farmers to join into cooperatives, granting them favorable conditions for the use of tractors, lower taxes and subsidies. At this point the right wing of the Mikolajczyk's party embarked on aggressive, counterrevolutionary activities. Some of their leaders were arrested and Mikolajczyk & Co. went to the West where they developed a rabid anti-communist campaign. Nevertheless, the left of Mikolajczyk's party joined another (pro-government) peasant party with seats in the Sejm.

In 1955, with Bierut, the highest point of the co-operative expansion was reached: close to 10% of the cultivated area [5].

The opportunist leadership of Gomulka destroyed the cooperatives: in the first two months of 1956 80% of the collective farms were dismantled, being only collectivized 1.2% of the agrarian area; the machine stations were ordered to sell the equipment to the peasants and to dissolve; compulsory cereal deliveries to the state were reduced to a third and credit became easier for rich peasants. The state began to squander strong subsidies on an inefficient agriculture that sold to the state products well above their real cost.
 
Gierek continued this policy. The freezing of food prices that was decreed to satisfy popular demands came at the expense of increasing and unsustainable subsidies to agriculture. In 1977 the state subsidized up to 70% of the retail price! In addition, it abolished compulsory supply quotas, it guaranteed private ownership of land (85% of the land cultivated in 1966!) and instituted a too high price of milk purchase. State farms still existed; but they only accounted for 13.3 percent of the agricultural production in 1966 and do not appear to have increased until 1980.

We have already seen that since the late 1960s Poland began to import high technology from the capitalist countries which was paid with agricultural products. Szimansky presents a table of foreign trade data from which he does not draw the appropriate conclusions. Here is what is of interest out of the table with our calculations:

Comércio externo da Polónia | Poland foreign trade, 1969-1978
(milhões de zloty | millions of zloty)
Ano
Year
I = Importações de
Importations from
E = Exportações para
Exportations to
E – I
I = Importações de
Importations from
E = Exportações para
Exportations to
E – I

Europa de Leste (socialista)
Eastern Europe (socialist)
Países capitalistas desenvolvidos
Developed capitalist countries
1969
8,0
7,8
-0,3
3,7
3,6
-0,2
1970
9,5
8,6
-0,9
3,9
4,2
0,3
1971
10,4
9,2
-1,2
4,8
4,9
0,1
1972
11,4
11,0
-0,4
6,9
5,8
-1,1
1973
12,9
12,4
-0,5
12,0
7,6
-4,5
1974
14,7
14,6
-0,1
18,2
10,4
-7,8
1975
18,1
19,4
1,3
21,1
11,4
-9,7
1976
20,7
20,8
0,1
23,2
12,3
-11,0
1977
24,1
23,2
-0,9
21,5
13,4
-8,1
1978
26,2
25,7
-0,5
21,1
14,9
-6,2
Soma
Sum


-3,3


-48,1

Vemos que, ao contrário do que acontece com os países socialistas, o comércio externo da Polónia com os países capitalistas acumula elevados e crescentes défices. A soma dos défices com os países capitalistas no período 1969-1978 é já 14,5 maior que a respectiva soma para os países socialistas!
 
Szimanski comenta: «Claramente o enorme subsídio aos produtores camponeses polacos inibiu o movimento dos camponeses para as cidades e bloqueou a consolidação sos seus diminutos lotes em unidades eficientes de larga escala capazes de usar tecnologia moderna. A falência em colectivizar a agricultura provou ser um sério obstáculo ao crescimento económico a longo prazo.» Refere também que num inquérito nacional entre 1969 e 1970 60% dos camponeses inquiridos (abrangendo 23% do total) aceitaram a ideia de cooperação e que um outro estudo mostrou que durante os anos 70 o número de camponeses «empenhados em continuar com lavoura privada tinha diminuído de cerca de 50% para menos de 20%.» Estes resultados tendem a confirmar o enorme erro do POUP.

Debilidade nas relações com a Igreja Católica

A Igreja Católica é influente na Polóna: 90% da população era católica em 1984. É também uma das mais reaccionárias da Europa. Esteve sempre ligada à aristocracia e à intelectualidade dela derivada. A aristocracia polaca – ainda hoje presente e reivindicando antigos domínios! [15] – foi e é também uma das mais reaccionárias da Europa. A Polónia foi o último país europeu a abandonar o regime de servidão. A aristocracia e a intelectualidade chauvinista desde tempos recuados que usaram os judeus como bodes expiatórios para desviar os camponeses e trabalhadores dos seus inimigos reais. Na Polónia a perseguição dos judeus tornou-se uma tradição nacional. Foi o último país europeu onde decorreu um pogrom contra os judeus: em 4 de Julho de 1946 um grupo de judeus polacos e soviéticos em viagem para a Palestina foi massacrado pela multidão na cidade de Kielce incitada por rumores de que os judeus estavam a matar crianças cristãs para lhes beber o sangue e que estavam a regressar dos campos de concentração para reclamar a sua propriedade.
 
A hierarquia da Igreja Católica sempre se comportou como uma nobreza feudal nos seus extensos domínios [16]. Aliada à aristocracia e à intelectualidade que lhe asseguravam um dócil rebanho no campesinato que a sustentava (largamente analfabeto antes do socialismo), sempre apoiou ou foi complacente com o fascismo e o anti-semitismo. Apoiou em 1944-46 a resistência de grupos fascistas que mataram 30 mil pessoas, 15 mil das quais comunistas. Apoiou a retórica da direita de que foram os judeus que criaram a ideologia comunista. A pastoral de 1936 do chefe da igreja, cardeal August Hlond, declarava que os judeus lutavam contra a igreja católica como vanguarda do ateísmo e do comunismo, corrompendo a moralidade, disseminando pornografia e lidando com traição e usura [17]. Em contraste com bispos de outros países, os da Polónia nunca denunciaram as perseguições nazis aos judeus quando o podiam fazer sem risco de vida; o relatório da Igreja enviado ao governo no exílio em Londres no verão de 1941, além de não dizer nada sobre as perseguições aos judeus, diz esta coisa espantosa: que os alemães, apesar do mal que fizeram, provaram ter uma atitude realista ao «libertar a sociedade polaca da praga judaica». A Igreja Católica nunca denunciou os campos de extermínio na Polónia de que tinha conhecimento: Auschwitz, Treblinka, Chelmno, Sobibor, Maidanek, Belzek. Sobre o pogrom de Kielce em 1946 o cardeal Hlond culpou os judeus por ocuparem cargos importantes e imporem uma forma de governo alheia à nação polaca [17].
 
É certo que no partido comunista e no POUP havia um número importante de católicos progressistas, hostis à hierarquia. Isto sempre acontece. A própria intelectualidade católica que sobreviveu à guerra abraçou com entusiasmo a construção socialista. Mas a instituição reaccionária Igreja Católica, representada pela hierarquia, permaneceu como bastião da reacção, tentáculo do Vaticano, estado dentro do estado, participante activa na luta de classes contra o socialismo.

A liderança do POUP deu mostras de compreender bem a questão da Igreja, mas as acções que inicialmente empreendeu parecem débeis:
-- Segundo fonte citada por Szimanski em 1947 o Concelho Nacional não tocou nas terras da Igreja. Segundo outra fonte [16] só as propriedades acima de 100 ha foram expropriadas em 1950. (Em comparação, a Lei da Reforma Agrária em Portugal considerava a retenção de um máximo de 50 ha para os atingidos por expropriação. E Portugal não era socialista!) Isto é, a base económica da hierarquia permaneceu.
-- Szimanski refere que no tempo de Bierut membros destacados do POUP assistiam a missas, incluindo o próprio Bierut; as publicações católicas eram impressas livremente, a instrução católica fazia parte do currículo das escolas estatais e numerosas igrejas foram reconstruídas com fundos estatais! Se esperavam com tudo isso conciliar as boas graças da Igreja estavam redondamente enganados. Como diz Szimanski, a hierarquia católica permaneceu hostil, «decididamente não estava interessada em nada parecido com a teologia da libertação da América Latina».
-- Mais, conforme irá acontecer com outras questões e é um axioma na luta de classes, as concessões feitas pelo POUP ao inimigo de classe foram entendidas como um sinal de fraqueza. Em Julho de 1949 o papa Pio XII – o papa que apoiou os fascistas e nazis auxiliando muitos a fugir no final da 2ª GM – emitiu um decreto excomungando todos os católicos que fossem membros ou apoiantes de partidos comunistas. O governo polaco reagiu dizendo que tal decreto era um «acto de agressão contra o estado polaco» e que não seria aplicado na Polónia. Uma lei de Agosto condenava a penas de prisão a quem recusasse sacramentos.

Em 1949 o POUP iniciou pela primeira vez uma campanha contra a hierarquia da Igreja ao mesmo tempo que apoiava os «católicos sociais» que apoiavam uma aliança católico-marxista. A hierarquia respondeu atacando os padres progressistas que colaboravam com o governo. O governo respondeu com ataques crescentes à hierarquia, encorajando greves nos domínios da Igreja, nacionalizando uma organização de caridade, prendendo cerca de 500 padres por actividades reaccionárias. Além disso, em Março de 1950 foram nacionalizadas terras da Igreja acima de 100 ha que ainda não o tinham sido. Em 1953 o estado tornou obrigatório para padres e bispos jurarem lealdade à Polónia Popular. Note-se que esta medida não foi uma invenção dos comunistas; já tinha sido aplicada pelos revolucionários burgueses da Revolução Francesa.
 
Portanto, pela primeira vez, eram tomadas medidas mais adequadas, ainda que suaves, para lidar com a hierarquia reaccionária da Igreja. Curiosamente, coube à liderança «liberal» de Gomulka aplicar mais um conjunto de medidas: os que dessem instrução religiosa teriam de ser professores e eram proibidos símbolos religiosos nas escolas (1958); o clero e instituições da Igreja passaram a pagar impostos (1959); em 1961 o ensino religioso foi retirado do currículo escolar oficial.
 
Com Gierek nos anos 70 regressa o oportunismo a que Szimanski chama «política pragmática»: são feitas «concessões à hierarquia na esperança de ganhar o seu apoio implícito ao papel do partido no estado e na economia. Contudo, a hierarquia tomou as concessões e apelos do partido como um sinal de fraqueza e agravou as reivindicações. Pediu o direito de difundir a missa pela rádio e televisão e o restabelecimento do ensino religioso nas escolas». É claro que a reivindicação da difusão da missa não era por causa da missa em si. Era sim porque a difusão do sermão da missa equivalia a difundir para todo o país uma prelecção anti-comunista.
 
Em 1976 é iniciada a cooperação entre a hierarquia e o grupo de extrema-direita da intelectualidade KOR, base do Solidariedade. Em 1977 a hierarquia pede o restabelecimento de uma imprensa católica independente e a abolição de censura política; a finalidade deste pedido de abolição torna-se claro tendo em conta que a hierarquia começa a apoiar a «universidade voadora» que ensinava cursos em nacionalismo tradicional e em anti-comunismo.
 
Em Outubro de 1978 a eleição do reaccionário cardeal Karol Wojtyla a papa é um golpe de mestre do Vaticano e não só [18]. É dado um forte impulso à dissidência na Polónia. Durante a visita de João Paulo II à Polónia no Verão de 1983 o Vaticano tornou-se uma fonte de empréstimo de dinheiro ao campesinato. Sizmanski refere que a Igreja «permaneceu a principal força organizada contra a colectivização» da agricultura. Isto é, a falta de colectivização da agricultura não só não proporcionou outro rumo social ao pequeno camponês como, pela mão da hierarquia católica e do papa, o pequeno camponês mais amarrado ficou à reacção.
 
Concessões à subversão interna e externa

O núcleo duro da subversão na Polónia foi constituído pela intelectualidade reaccionária, aliada à Igreja Católica e com apoio dos serviços secretos dos EUA, GBR e RFA.
 
A intelectualidade polaca, por razões históricas, sempre esteve em grande parte ligada à aristocracia e à Igreja, e contaminada por anti-semitismo e chauvinismo. Diz Szimanski que, ao invés de outros países eslavos, na intelectualidade polaca «eram as tradições e estilo de vida da aristocracia que eram celebradas. Mais do que em outros lados, prevalecia a tradicional aversão aristocrática pelo trabalho manual». A intelectualidade sofria mal as tendências igualitárias do socialismo, apesar dos benefícos que colheu dele (vultuosos apoios à cultura e artes, segurança económica). Quanto ao chauvinismo, a intelectualidade tendia a ver os russos como bárbaros asiáticos, culturalmente atrasados, e a sustentar vivamente a polonização forçada de terras ucranianas e bielorrussas conquistadas pelos polacos, nomeadamente durante o regime fascista de Pilsudski (1918-39). Estas ideias parecem ter também contaminado alguns comunistas polacos. Um alto líder do POUP, Edward Ochab, refere que Gomulka defendia parte das ideias nacionalistas de Pilsudski [19].

Segundo Szimanski, a partir de 1956 a intelectualidade torna-se cínica sobre o papel do POUP. Em 1964, dois professores da Universidade de Varsóvia, Jacek Kuron e Karol Modzelwski, membros do POUP criticaram num manifesto a «burocracia», apelando a um «estado verdadeiramente socialista». Assim, à la Trotsky! Em 1976 alguns intelectuais anti-comunistas, liderados pelo «verdadeiramente socialista» Kuron e o anti-comunista de longa data (anterior à 2ª GM) Lipinski organizaram o grupo KOR, sigla em polaco de Comité para a Defesa dos Trabalhadores (!). Dos 34 membros do KOR, 5 eram veteranos da guerra anti-bolchevique de 1920-21 e 13 do Exército Nacional organizado pelo governo polaco no exílio em Londres durante a 2ª GM, seguidor das ideias de Pilsudski; os restantes eram líderes veteranos de protestos estudantis ligados a Kuron. Szimanski cita o New York Times de 26 de Dezembro de 1981, segundo o qual o KOR era financiado por uma rede de emigrados da Europa de Leste com apoio da CIA.
 
O KOR editava um periódico «clandestino» Robotnik (O Trabalhador), com uma retórica social-democrata de «esquerda», distribuído nas fábricas com colecta de fundos. Em 1977 o KOR celebra um acordo com a Igreja. Em Setembro de 1979 o Robotnik publica uma Carta de Lech Walesa defendendo sindicatos independentes e outras reivindicações que se iriam tornar as do Solidariedade.
 
Quem era Walesa? Lech Walesa, um técnico de electricidade dos estaleiros de Gdansk, sabe-se agora que foi um informador dos serviços secretos nos anos 70 (ele nega-o, mas está confirmado) [20]. Na altura usava palavreado de esquerda e cantava a Internacional. Despertou a atenção do KOR pelas ligações que tinha com a intelectualidade técnica local e por logo virem nele um demagogo sem princípios. Começou a colaborar intensamente com o KOR em 1976 tornando-se um ativista dissidente a 100%. Em Abril de 1978 organizou com o KOR o «Comité Báltico do Sindicato Livre e Independente» que influenciou os operários das docas e estaleiros do Báltico, incluindo os do POUP. O «Comité» organizou manifestações em Dezembro de 1978 e 1979 comemorando com a Internacional as greves de 1970.
 
O que fez nesta altura a liderança do POUP para combater a já clara subversão interna e externa? Que tenhamos conseguido saber, nada.

Walesa e o KOR prepararam então as greves «espontâneas» de Gdansk em Julho-Agosto de 1980. O KOR organizou um centro de informações e um «Comité de Coordenação» para coordenar e espalhar as greves. Estas greves começaram ao som da Internacional mas rapidamente o som mudou para o hino da Polónia. As reivindicações que tinham sido do tipo económico -- «melhor nível de vida», «maior controlo sobre a produção», etc. -- passaram a icluir medidas políticas -- «sindicatos independentes», «mais direitos para a Igreja Católica», etc. O governo Gierek assinou um acordo com o Comité de Coordenação concedendo o direito de greve e a formação de sindicatos independentes. Imediatamente o «Comité de Coordenação» passou a  Comité de Coordenação Nacional do Sindicato Livre Solidariedade, tendo Walesa como Presidente (não eleito).
 
Entretanto, a rede de informação do KOR, projectada com o apoio dos serviços secretos ocidentais (CIA, USAID, BND, MI6, etc.) para desestabilizar o regime, recolhia notícias de acções dos trabalhadores transmitindo-as para agências de notícias ocidentais sediadas em Varsóvia, que as enviavam a estações de rádio anti-comunistas (Voz da América, Rádio Europa Livre, BBC, etc.) que por sua vez as emitiam para a Polónia. Para travar esta prática o governo deteve Kuron e outros membros do KOR. Uma acção isolada e débil que não serviu de nada. O líder do KOR Andrez Celinski tornou-se secretário do Comité do Solidariedade que passou a reivindicar a libertação de presos políticos. O governo então libertou Kuron e os outros líderes do KOR em Setembro de 1981. Nesse mês, o KOR, numa autêntica gargalhada contra o POUP, declarou-se oficialmente dissolvido porque os seus objectivos tinham sido plenamente atingidos!
 
A partir de 1980-81 a escalada reaccionária levada a cabo pelo Solidariedade tornou-se clara, os falsos amigos dos trabalhadores tiraram as máscaras, e a subversão externa tornou-se patente:

-- Em 16 de Novembro de 1980, Walesa diz ao Manchester Guardian, «Não sou socialista» e que concorda com a «Crítica de Soljenitsine quer do Ocidente quer da Rússia».
-- Em 9 de Dezembro de 1980, Walesa elogia numa entrevista a eleição de Ronald Reagan como «um bom sinal para o mundo e a Polónia». (Walesa irá tornar-se amigo pessoal de Reagan, Thatcher e George Bush.) Refere também que não vê razão para reparar o sistema da Polónia, «o melhor é construirmos uma nova máquina [de Estado]».
-- Em Dezembro de 1980, a organização sindical anti-comunista AFL-CIO financiada pela CIA (através da AID) apoia o Solidariedade com 140.000 US$. Edições em polaco da AFL-CIO são distribuídas aos líderes do Solidariedade mas não aos membros de base.
-- Em 1981 o Solidariedade estabelece relações estreitas com sindicatos anti-comunistas do Ocidente e convida o chefe da AFL-CIO, Lane Kirkland, e o seu veterano Irving Brown para a convenção do Solidariedade em Setembro de 1981. Brown era um perito em eliminar influência comunista nos sindicatos europeus [21].
-- Em Fevereiro de 1981 ainda a demagogia de Lech Walesa tem impacto sobre as massas populares (90% declaram confiança no Solidariedade). Contraditoriamente com a reivindiação de melhor nível de vida, um dos gritos favoritos de Walesa para atrair as massas era: «Podemos todos viver com uma crosta de pão se for o mesmo para todos!»
-- Numa entrevista ao Washington Post de Outubro de 1981, Walesa apela ao apoio dos EUA dizendo «Se formos bem sucedidos no que estamos a fazer aqui [Polónia] isso será benéfico para vós a longo prazo.»
-- Por essa altura Walesa também dizia numa reunião de líderes do Solidariedade que o confronto com o governo era inevitável, porque tinham de destruir o sistema através de privatizações e compra de herdades do Estado. Diz também: «Não devemos dizer em voz alta que o confronto é inevitável... Devemos dizer que gostamos de vós, gostamos do socialismo e do partido, e obviamente, da União Soviética. Mas ao mesmo tempo devemos continuar a executar o nosso trabalho através de faits accompli e esperar...»
-- Em Novembro de 1981 os estaleiros de Gdansk foram rebaptizados estaleiros Pilsudski, numa cerimónia de gala. O culto do fascista Pilsudski [22] – que sempre proibiu sindicatos! -- cresceu.
-- Durante 1981 a influência dos intelectuais anti-comunistas cresce no Solidariedade. Na Convenção desse ano, 70% dos participantes eram intelectuais (professores, cientistas, engenheiros, escritores). Os restantes eram quadros técnicos como Walesa. Os operários eram muito poucos. Por esta altura os trabalhadores do POUP já se afastaram e desconfiavam do Solidariedade. Mas mantêm-se apáticos.
-- Na convenção de 1981, 100 dos 829 participantes eram simpatizantes do KPN (Movimento para uma Polónia Independente), um partido abertamente fascista fortemente hostil ao KOR que considerava demasiado moderado. A convenção decorreu com total desrespeito por regras democráticas aprovando o desmantelamento de directivas centrais e o livre curso das «forças de mercado», da «competição entre empresas num mercado livre».

Entretanto o POUP, ultrapassado pelos acontecimentos, vítima dos seus próprios erros, foi fazendo concessão atrás de concessão até ao restauro selvagem do capitalismo em 1989 com a total liquidação dos direitos dos trabalhadores. Os trotskistas fizeram (fazem!) uma leitura diferente. O destacado trotskista Ernest Mandel foi um grande apoiante do Solidariedade, tendo declarado: «a legalização [do governo] do Solidariedade é uma vitória da classe operária.» [23] Note-se que, já depois de 1989, o NED (CIA) continuou a financiar generosamente o Solidariedade (ver site oficial do NED).
 
Impreparação ideológica dos militantes

No desenvolvimento das políticas oportunistas após de 1956 saltam à vista a impreparação ideológica dos militantes do POUP (incluindo altos dirigentes) e a correlativa falta de esclarecimento das massas. Notemos, entre outros:

-- Nas greves de 1956, 1970, e outras, parece terem estado lado a lado membros do POUP e fascistas, nomeadamente do WIN.
-- Nos motins de 1970, despoletados por aumentos de preços de alimentos, os trabalhadores pediram que fossem os jovens intelectuais técnicos a ter mais poder dentro das empresas do que os administradores de maior preparação política e oriundos da classe operária.
-- Na sequência dos motins de 1970 não vemos o governo a moderar aumentos e ao mesmo tempo a rever radicalmente a política agrária e a política de privilégios do clero (ausência de impostos e permanência de grandes domínios). Numa atitude de «sempre a reboque dos acontecimentos» limitou-se a cancelar os aumentos prometendo o congelamento de preços por dois anos.
-- Nessa altura Gierek prometeu aos trabalhadores reforçar a democracia interna do partido. Contudo, ao mesmo tempo, e aparentemente duvidando de tal reforço interno, prometeu que os trabalhadores das «maiores fábricas» iriam ter acesso directo a ele, e representação directa nos congressos do POUP!
-- No início dos anos 70 a liderança Gierek «reorganizou» a economia e o partido reduzindo o papel das células do partido dentro das empresas e substituindo quadros do partido por jovens licenciados em «administração pública». O resultado, conforme diz Szimanski, foi que «os funcionários locais do partido ficaram cada vez mais distantes dos militantes operários de base do partido, os gestores das fábricas locais cada vez mais isolados dos ramos locais do partido, e as associações de gestores e ministérios centrais operaram cada vez mais segundo os seus próprios critérios técnicos. As bases operárias do partido e a sua autoridade dentro da classe operária foram consequentemente fortemente debilitadas». Tudo isto claramente revela má preparação ideológica.
-- Com a «reorganização» de Gierek (e Gierek tinha sido um operário mineiro) cresceu o carreirismo: os novos gestores com aptidões técnicas aderiam ao partido tendo em vista progredir na carreira e não por adesão política.
-- Em Janeiro de 1981, quando já era clara a natureza reaccionária do Solidariedade, ainda 60% dos seus 8,5 milhões de membros eram assalariados. Mais: um sexto dos membros do Solidariedade era também membros do POUP, o que correspondia a 40% de todos os membros do POUP!!!
-- Num inquérito nacional em Maio de 1981, 90% dos polacos declararam confiança no Solidariedade.
-- Em Julho de 1981 o POUP apoiou oficialmente o recrutamento de membros do Solidariedade como membros do partido!!!
-- Com base nas percentagens de apoio às várias propostas de reformas do Solidariedade Szimanski afirma candidamente e tout-court que «a preocupação da classe operária estava focada nos aspectos económicos e não nos políticos das reformas.»
-- Walesa era claramente elitista. Contudo, atraía as massas, incluindo operários, com o seu popular slogan «Podemos todos viver com uma crosta de pão se for o mesmo para todos!» Aparentemente, era prestada pouca atenção à extrema demagogia do seu slogan e à sua amizade com Reagan, Thatcher, etc.

A impreparação ideológica dos militantes (e correlativa falta de esclarecimento das massas) não foi exclusiva da Polónia. Desempenhou também um papel importante no colapso da URSS e dos outros países socialistas da Europa de Leste. Na URSS, p. ex., os plenários do CC ouviam impávidos e serenos coisas espantosas, como existindo na URSS um «Estado de todo o povo», o já existir o comunismo na URSS, o ser necessário as empresas operarem na base do lucro, o ser necessário um «socialismo de mercado», etc. No clima de traição aberta de 1989 os militantes ficaram apáticos, sem saber o que fazer, à espera que chegassem ordens de cima, conforme referem vários testemunhos (ver p. ex. [24]). O que se passou após a restauração do capitalismo atesta também claramente a espantosa falta de preparação política dos militantes e das massas. Era comum, p. ex., a crença de que entrando no capitalismo os trabalhadores iriam manter os benefícios do socialismo (pleno emprego, educação e saúde grátis, etc.) mais uma enorme pletora de bens de consumo típica dos países capitalistas.

Pela informação que temos conseguido obter parece-nos que este tema que não tem merecido a devida atenção dos marxistas que analisaram as causas do colapso do socialismo na Europa de Leste.
We see that, contrary to what happens with the socialist countries, Poland's foreign trade with the capitalist countries accumulates high and growing deficits. The sum of the deficits with the capitalist countries in the period 1969-1978 is already 14.5 more than the respective sum for the socialist countries!
 
Szimanski comments: "Clearly, the heavy subsidy to inefficient Polish peasant producers has both greatly inhibited the movement of peasants to the cities and blocked the consolidation of their tiny plots into efficient, large-scale units able to use modern technology. The failure to collectivize agriculture has proved to be a serious obstacle to long-term economic growth." He also points out that in a national survey between 1969 and 1970, 60% of the peasants surveyed (covering 23% of the total) accepted the idea of ​​cooperation and that another study has shown that during the 1970s the number of peasants "committed to the continuation of private farming diminished from about 50 percent to less than 20 percent." These results tend to confirm the huge PUWP error.
 
Feebleness in the relations with the Catholic Church
 
The Catholic Church is influential in Poland: 90% of the population was Catholic in 1984. It is also one of the most reactionary in Europe. It was always attached to the aristocracy and to the intelligentsia derived from it. The Polish aristocracy -- still present today and claiming old domains! [15] -- was and is also one of the most reactionary in Europe. Poland was the last European country to abandon the fief serfdom regime. The aristocracy and the chauvinistic intelligentsia have since remote times used the Jews as scapegoats to divert the peasants and workers attention from their real enemies. In Poland the persecution of the Jews became a national tradition. It was the last European country where a pogrom was held against the Jews: on July 4, 1946, a group of Polish and Soviet Jews traveling to Palestine was massacred by the crowd in the town of Kielce prompted by rumors that Jews were killing Christian children to drink their blood and that they were returning from the concentration camps to claim their property.
 
The hierarchy of the Catholic Church has always behaved like a manorial nobility in its extensive domains [16]. Allied with the aristocracy and the intelligentsia that assured the Church a docile (and largely illiterate before socialism) flock in the peasantry, which was its support, the Church has always sustained or was complaisant with fascism and anti-Semitism. It supported in 1944-1946 the resistance of fascist groups that killed 30 thousand people, 15 thousand of them communists. It supported the right-wing rhetoric that was the Jews who created the communist ideology. The pastoral of 1936 of the chief of the Church, Cardinal August Hlond, stated that Jews fought against the Catholic Church as a vanguard of atheism and communism, corrupting morality, disseminating pornography, and dealing with treason and usury [17]. In contrast to bishops from other countries, those in Poland never denounced Nazi persecutions of Jews when they could do so without risk of life; the Church's report sent to the government in exile in London in the summer of 1941, in addition to saying nothing about the persecution of the Jews, says this astounding thing: that the Germans, despite the evil they did, proved to be realistic in "liberating the Polish society from the Jewish plague." The Catholic Church never denounced the extermination camps in Poland that it knew: Auschwitz, Treblinka, Chelmno, Sobibor, Maidanek, Belzek. On the pogrom of Kielce in 1946 Cardinal Hlond blamed the Jews for holding important positions and imposing a form of government alien to the Polish nation [17].
 
It is true that in the communist party and the PUWP there were a large number of progressive Catholics hostile to the hierarchy. This always happens. The Catholic intelligentsia itself, who survived the war, enthusiastically embraced the socialist construction. But the reactionary institution Catholic Church, represented by the hierarchy, remained the bastion of reaction, Vatican's tentacle, a state within the state, an active participant in the class struggle against socialism.
 
The PUWP leadership has shown a good understanding of the Church issue, but the actions it initially took seem feeble:
-- According to a source quoted by Szimanski in 1947 the National Council did not touch the lands of the Church. According to another source [16] only properties over 100 ha were expropriated in 1950. (In comparison, the Law of Land Reform in Portugal considered the retention of a maximum of 50 ha for those affected by expropriation.) And Portugal was not a socialist country!) That is, the economic base of the hierarchy remained.
-- Szimanski reports that during the time of Bierut prominent PUWP members attended masses, including Bierut himself; Catholic publications were printed freely, Catholic instruction was part of the curriculum of state schools, and numerous churches were rebuilt with state funds! If they hoped to reconcile the good wills of the Church, they were deeply mistaken. As Szimanski says, the Catholic hierarchy remained hostile, "decidedly not interested in anything like the Latin American liberation theology."
-- Moreover, as will happen with other issues and is an axiom of class struggle, the concessions made by the PUWP to the class enemy were understood as a sign of weakness. In July 1949 Pope Pius XII -- the pope who supported the fascists and Nazis, helping many to flee at the end of WWII -- issued a decree excommunicating all Catholics who were members or supporters of communist parties. The Polish government reacted by saying that such a decree was an "act of aggression against the Polish state" and that it would not be applied in Poland. An August law condemned to prison sentences anyone refusing sacraments.

In 1949 the PUWP began for the first time a campaign against the hierarchy of the Church while supporting the "social Catholics" who supported a Catholic-Marxist alliance. The hierarchy responded by attacking the progressive priests who collaborated with the government. The government responded with increasing attacks on the hierarchy, encouraging strikes in the Church's farmsteads, nationalizing a charitable organization, and arresting about 500 priests for reactionary activities. In addition, in March 1950 were nationalized Church lands of over 100 ha that had not yet been so. In 1953 the state made it obligatory for priests and bishops to swear allegiance to Popular Poland. It should here be noted that this measure was not an invention of the Communists; it had already been applied by the bourgeois revolutionaries of the French Revolution.
 
Therefore, for the first time, more appropriate, albeit soft measures were taken to deal with the reactionary hierarchy of the Church. Interestingly, it was left to the "liberal" leadership of Gomulka to apply a further set of measures: those who gave religious instruction had to be teachers and the religious symbols were banned from schools (1958); the clergy and Church institutions began to pay taxes (1959); in 1961 religious teaching was withdrawn from the official school curriculum.
 
With Gierek in the 1970s, the opportunism that Szimanski calls "pragmatic politics" comes back: "concessions [are made] to the hierarchy in hope of gaining its implicit support for the Party's role in the state and the economy. However, the hierarchy took the Party’s concessions and appeals as a sign of weakness, escalating its demands on the state. It demanded the right to broadcast the mass on state radio and television and the reinstitution of religious instruction in the schools." Of course, the claim to broadcast the mass was not because of the mass in itself. It was because the broadcast of the sermon of the mass was equivalent to spreading to the whole country an anti-Communist preaching.

In 1976 the cooperation between the hierarchy and the far right-wing group of the KOR intelligentsia, the basis of Solidarity, began. In 1977 the hierarchy called for the reestablishment of an independent Catholic press and the abolition of political censorship; the purpose of this abolition request becomes clear when taking into account that the hierarchy begins supporting the "flying university" that taught courses in traditional nationalism and anti-communism.

The election of the reactionary Cardinal Karol Wojtyla to pope In October 1978 is a master coup of the Vatican and others [18]. A strong impetus is given to dissent in Poland. During John Paul II's visit to Poland in the summer of 1983 the Vatican became a source of money loaning to the peasantry. Sizmanski says that the Church "remained the main organized force against the collectivization" of agriculture. That is to say, the lack of collectivization of agriculture not only did not provide another social way out to the small peasantry but on top of it and by the hand of the Catholic hierarchy and the pope, the peasantry remained tied to the reaction.
 
Concessions to domestic and foreign subversion
 
The hard core of subversion in Poland was constituted by the reactionary intelligentsia, allied to the Catholic Church and supported by the US, GBR and FRG.
 
The Polish intelligentsia, for historical reasons, has always been largely linked to the aristocracy and the Church, and contaminated by anti-Semitism and chauvinism. Szimanski says that, as opposed to other Slavic countries, in the Polish intelligentsia “it was the traditions and life-style of the aristocracy that were celebrated. More than elsewhere, the traditional aristocratic distaste for manual work prevailed." The intelligentsia coped badly with the egalitarian tendencies of socialism, in spite of the benefits it derived from it (massive support for culture and the arts, economic security). As for chauvinism, the intelligentsia tended to view the Russians as culturally backward, as Asiatic barbarians, and also tended to vividly support the forced Polonization of Ukrainian and Belarussian lands conquered by the Poles, notably during Pilsudski's fascist regime (1918-39). These ideas also seem to have contaminated some Polish communists. A senior PUWP leader, Edward Ochab, reports that Gomulka defended part of Pilsudski's nationalist ideas [19].
  
According to Szimanski, from 1956 onwards the intelligentsia becomes cynical about the role of the PUWP. In 1964 two professors from the University of Warsaw, Jacek Kuron and Karol Modzelwski, members of the PUWP criticized in a manifesto the "bureaucracy", calling for a "truly socialist state". Thus, à la Trotsky! In 1976 some anti-communist intellectuals, led by the "truly socialist" Kuron and the long-standing (prior to WWII) anti-communist Lipinski, organized the KOR group, the Polish acronym of Workers’' Defense Committee (!). Of the 34 KOR members, 5 were veterans of the 1920-21 anti-Bolshevik war and 13 of the National Army organized by the Polish government in exile in London during WWII, a follower of Pilsudski's ideas; the rest were veteran leaders of student protests attached to Kuron. Szimanski cites the New York Times of December 26, 1981, according to which KOR was funded by a network of emigrants from Eastern Europe with CIA support.
 
KOR edited the "clandestine" newspaper Robotnik (The Worker), with a "left" social-democratic rhetoric, distributed in factories together with fundraising. In 1977 KOR celebrates an agreement with the Church. In September of 1979 the Robotnik publishes a Letter of Lech Walesa defending independent trade unions and other claims that would become those of Solidarity.
 
Who was Walesa? Lech Walesa, a Gdańsk shipyard electrician, is now known to have been a secret service informant in the 1970s (he denies it, but it has been confirmed) [20]. At the time, he used leftist verbalism and sang The Internationale. He attracted KOR's attention because of the connections he had with the local technical intelligentsia and KOR soon saw in him an unprincipled demagogue. He began to collaborate intensively with KOR in 1976 by becoming a 100% dissident activist. In April 1978 he organized with KOR the “Baltic Committee of the Free and Independent Trade Union” which influenced the workers of the Baltic docks and shipyards, including those of the PUWP. The Committee organized demonstrations in December 1978 and 1979 commemorating the 1970 strikes with The Internationale.

What did the PUWP leadership do to combat the already clear domestic and foreign subversion? As far as we were able to know, nothing.

Walesa and KOR then prepared the “spontaneous”' strikes in Gdansk in July-August 1980. KOR organized an information center and a “Coordination Committee” to coordinate and spread the strikes. These strikes began with the sound of The Internationale but quickly the sound changed to the hymn of Poland. The claims that had been first of the economic type – “better standard of living”, “greater control over production”, etc. – soon came to include political measures -- "independent trade unions", "more rights for the Catholic Church", etc. The Gierek government signed an agreement with the Coordination Committee granting the right to strike and the formation of independent trade unions. The Coordination Committee immediately transformed itself into the National Coordination Committee of the Free Solidarity Union, with Walesa as the (unelected) President.

In the meantime, the KOR information network, designed with the support from the Western secret services (CIA, USAID, BND, MI6, etc.) to destabilize the regime, collected the news of workers' actions by transmitting them to Western news agencies based in Warsaw, who then sent them to anti-communist radio stations (Voice of America, Radio Free Europe, BBC, etc.) which in turn broadcasted them to Poland. To curb this practice the government detained Kuron and other KOR members. An isolated and weak action that was useless. KOR leader Andrez Celinski became secretary of the Solidarity Committee who went on demanding the release of political prisoners. The government then liberated Kuron and the other leaders of KOR in September 1981. That same month, KOR, in a veritable laughter against PUWP, declared itself officially dissolved because its objectives had been fully achieved!

From 1980-81 onwards the reactionary escalation carried out by Solidarity became clear, the false friends of the workers took off their masks, and the foreign subversion became exposed:

-- On 16 November 1980, Walesa tells the Manchester Guardian, “I am not a socialist” and agrees with “Solzhenitsyn's critique of both the West and Russia”.
-- On an interview of 9 December 1980, Walesa praised the election of Ronald Reagan as "a good sign for the world and Poland". (Walesa will become a personal friend of Reagan, Thatcher and George Bush.) He also says that he sees no reason to repair the Polish system, "it is best to build a new [state] machine."
-- In December 1980, the CIA-funded (through AID) anti-communist trade union organization AFL-CIO supports Solidarity with $140,000. Polish editions of the AFL-CIO are distributed to Solidarity leaders but not to grassroots members.
-- In 1981 Solidarity established close relations with anti-communist unions in the West and invited AFL-CIO chief Lane Kirkland and its veteran Irving Brown to the Solidarity Convention in September 1981. Brown was an expert at eliminating communist influence in European trade unions [21].
-- In February 1981 still the demagogy of Lech Walesa have an impact on the popular masses (90% declare confidence in Solidarity). Contrary to the claim of a better standard of living, one of Walesa's favorite cries for attracting the masses was: "We can all live on one crust of bread as long as we get the same amount!"
-- In an interview with the Washington Post in October 1981, Walesa appeals for US support saying "…if we can succeed with what we are doing here [Poland], it will benefit you in the long run "
-- Walesa also said at a meeting of Solidarity leaders that confrontation with the government was inevitable because they had to destroy the system through privatizations and the purchase of state farms. He also says: "We should not say aloud that a confrontation is unavoidable... We must say we love you, we love socialism and the party, and obviously, the Soviet Union. But at the same time we must keep doing our work through faits accompli and wait…”
-- In November 1981 the Gdańsk shipyards were rebaptized Pilsudski shipyards at a gala ceremony. The cult of the fascist Pilsudski [22] -- which has always banned trade unions! -- grown up.
-- During 1981 the influence of anti-communist intellectuals grew in Solidarity. At that year's convention, 70% of the participants were intellectuals (teachers, scientists, engineers, writers). The rest were technical cadres like Walesa. The workers were very few. By this time the workers of the PUWP already moved away and distrusted Solidarity. But they remained apathetic.
-- At the 1981 convention, 100 of the 829 participants were sympathetic to the KPN (Movement for an Independent Poland), an openly fascist party strongly opposed to KOR, which it considered to be too moderate. The convention completely disregarded democratic rules and move on to approve the dismantling of central directives and the free course of “market forces”, of “competition between companies in a free market”.

In the meantime, the PUWP, surpassed by the events, a victim of its own mistakes, went on making concession after concession until the savage restoration of capitalism in 1989 with the total liquidation of workers' rights. The Trotskyites have made (still make!) a different reading. The prominent Trotskyite Ernest Mandel was a great supporter of Solidarity and declared: "Solidarity's legalization [of government] is a victory for the working class." [23] Note that, after 1989, the NED continued to finance generously Solidarity (see NED official website).

Ideological unpreparedness of the militants

In the development of the opportunist policies after 1956, the ideological unpreparedness of the PUWP militants (including top leaders) and the correlative lack of elucidation of the masses stand out. Let us note, among others:

-- In the strikes of 1956, 1970, and others, there seems to have been members of the PUWP and fascists, namely of WIN, side by side.
-- In the 1970 riots, triggered by increases of food prices, the workers demanded that the young technical intellectuals should have more power within the enterprise than the more politically prepared administrators issued from the working class.
-- Following the riots of 1970 we don’t see the government moderating price increases and at the same time radically reviewing the agrarian policy and the policy of privileges of the clergy (absence of taxes and permanence of large domains). In an attitude of "always towed by events" the government limited itself to cancel the increases, promising price freeze for two years.
-- At that time Gierek promised the workers to strengthen the internal democracy of the party. However, at the same time, and apparently doubting such internal strengthening, he promised that the workers of "larger factories" would have direct access to him, and direct representation in the PUWP congresses!
-- In the early 1970s the Gierek leadership "reorganized" the economy and the party by reducing the role of party cells within companies and replacing cadres by young graduates in "public administration." The result, according to Szimanski, was that "local Party officials became increasingly distant from the Party's working-class rank and file, the local plant managers became increasingly insulated from the local Party branches, and the association managers and central ministries increasingly operated according to their own technical criteria. The Party's working-class base and its authority within the working class were consequently greatly weakened." All this clearly reveals poor ideological preparation.
-- With Gierek's "reorganization" (and Gierek had been a mining worker) careerism grew: new managers with technical skills joined the party with a view to career advancement rather than on political adherence grounds.
-- In January 1981, when the reactionary nature of Solidarity was already clear, 60% of its 8.5 million members were still wage earners. More: one sixth of the Solidarity members were also members of the PUWP, amounting to 40% of all PUWP members!!!
-- In a national inquiry in May 1981, 90% of the Poles declared confidence in Solidarity.
-- In July 1981 the PUWP officially supported the recruitment of Solidarity members as party members!!!
-- On the basis of percentages in support of the various reform proposals of Solidarity, Szimanski candidly and tout-court states that "Working-class concern was focused on the economic, rather than the political, aspects of the reforms."
-- Walesa was clearly an elitist. However, he attracted the masses, including workers, with his popular slogan "We can all live on one crust of bread as long as we get the same amount!" Apparently, the extreme demagoguery of his slogan and his friendship with Reagan, Thatcher, etc., passed largely unnoticed.

The ideological unpreparedness of the militants (and correlative lack of elucidation of the masses) was not exclusive of Poland. It has also played an important role in the collapse of the USSR and of the other socialist countries of Eastern Europe. In the USSR, for instance, the plenaries of the Central Committee stood calmly and idly by as they heard astonishing things, such as USSR was now a "state of all the people", communism was already in existence in the USSR, it was necessary for companies to operate on the basis of profit, a “market socialism” was needed, etc. As reported by various testimonies (see e.g. [24]), in the climax of open betrayal of 1989 militants became apathetic, unsure of what to do, waiting for orders that should come from above. What happened after the restoration of capitalism also clearly testifies to the appalling lack of political preparation of the militants and the masses. It was common, e.g., the belief that by entering into capitalism workers would retain the benefits of socialism (full employment, free education and health, etc.) plus an enormous plethora of consumer goods typical of the capitalist countries.

From the information we have been able to obtain it seems to us that this subject has not deserved the due attention of the Marxists who analyzed the causes of the collapse of socialism in Eastern Europe.




Notas e Referências | Notes and References

[1] Albert Szymanski, Class Struggle in Socialist Poland, Praeger Scientific, Praeger Pubs., NY, USA, 1984.
 
[2] Estatísticas Demográficas 2007, INE.
 
[3] Os oligarcas têm sempre dinheiro e recursos em excesso -- os enormes excedentes não gastos em satisfazer necessidades básicas da população -- para gastar em subversão e guerras. O interesse fulcral do socialismo é o oposto: usar todos os recursos possíveis para satisfazer necessidades do povo.
The oligarchs have always money and resources in excess – the enormous surpluses unspent in satisfying basic needs of the population – to spend in subversion and wars. The pivotal interest of socialism is just the opposite: to use all possible resources in order to satisfy people needs.
 
[4] Closing speech delivered by Boleslaw Bierut at the Fifth Plenary Session of the Central Committee of the Polish United Workers Party on the 16th of July 1950: http://www.revolutionarydemocracy.org/archive/poland.htm
 
[5] Marie Lavigne, The Socialist Economies of the Soviet Union and Europe, Martin Robertson & Co. Ltd, 1974.
 
[6] Tese do artigo | Thesis of the paper: Glenn E. Curtis, ed. Poland: A Country Study. Washington: GPO for the Library of Congress, 1992.
Nele também se afirma: «Desajustes, falhas de abastecimento e estrangulamentos apareceram na implementação desse plano que se propunha criar a infraestrutura da indústria futura: indústria pesada, mineração, geração de energia.» Desajustes, falhas de abastecimento e estrangulamentos surgem na implementação de muitos planos. Há que lidar com eles. O importante é que, apesar dessas omnipresentes dificuldades, o plano resultou.
It also says: “Maladjustments, shortages, and bottlenecks appeared in the implementation of that plan, which was intended to create the infrastructure for the industrial future: heavy industry, mining, and power generation.” Maladjustments, shortages, and bottlenecks appear when implementing many plans. They must be dealt with. What is really important is that besides those omnipresent difficulties the plan did succeed.
 
[7] David S Mason, Policy Dilemmas and Political Unrest in Poland, Journal of Politics, (1983): 397-421.
 
[8] Mason chega a apoiar a tese sem sentido e não verificada pela história de que as revoltas tendem a ocorrer quando as condições estão a melhorar e não quando atingiram o seu pior.
Mason even comes to support the nonsensical thesis, not verified by History, that revolts tend to occur not when conditions are at their worst, but when they are improving.
 
[9]  Cold War Broadcasting Impact, Report on a Conference organized by the Hoover Institution and the Cold War International History Project of the Woodrow Wilson International Center for Scholars at Stanford University, October 13‐16, 2004.
 
[10] Herbert Aptheker, The Truth about Hungary, Mainstream Pubs, NY, 1957.
 
 
[12] Szimanski: «Os comités eleitos de trabalhadores, constituídos em 1956, tinham o poder de alocar lucros das empresas, propor a demissão e nomeação de gestores de topo, e em geral tomar decisões fundamentais dentro das empresas compatíveis com os imperativos (reduzidos) do plano central e com leis económicas básicas.»
Szimanski: “The elected workers' councils that were set up in 1956 had the power to allocate the profits of the enterprise, propose the dismissal and appointment of top managers, and otherwise to make fundamental decisions within enterprises compatible with the (reduced) imperatives of the central plan and basic economic laws.”
 
[13] Domenico Mario Nuti, The Polish Crisis: Economic Factors and Constraints, Socialist Register, vol. 18, 1981.
 
[14] Mário Cardoso dos Santos, Estrutura e Evolução da População Activa em Portugal, Análise Social, http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1224165197C1mAP9iz4Ld29PZ7.pdf

[15] Vale a pena ler o artigo de 2010 do Financial Times sobre o assunto. Fala do Conde Sobanski, que recuperou um antigo domínio seu. Um de vários aristocratas que recuperou domínios na actual Polónia capitalista. O FT trata de dizer o pior possível dos comunistas. P. ex., sobre o «palácio arruinado por quarenta décadas de negligência comunista». Logo abaixo contradiz-se, dizendo que «Depois da guerra o palácio foi confiscado pelas autoridades e convertido em escola e depois num serviço público. À família Sobanski só eram permitidas relutantemente visitas ocasionais e curtas.» O FT chora de felicidade pela maravilha que é o Conde Sobanski ter recuperado o palácio, numa bela ilustração do reaccionarismo de estrema direita a que chegou o capitalismo europeu.
It’s worth reading the 2010 article of Financial Times on the topic. It tells about Count Sobanski, who got back one of its domains. This is one of several aristocrats who got back domains in today’s capitalist Poland. The FT tells than also the worst possible about the communists. E.g., about the “palace ruined by four decades of neglect during communist rule”. But it contradicts itself shortly below, saying that “After the war, the palace was confiscated by the authorities and turned first into a school, then an office. The Sobanski family was grudgingly allowed occasional short visits.” The FT sheds tears of happiness on how marvellous it is that Count Sobanski got back his palace, in a beautiful illustration of the heights reached by European capitalism in its far right reactionarism.

[16] Não encontrámos dados completos sobre o assunto. Uma fonte reaccionária ligada à igreja -- Marian S Mazgaj, Church and State in Communist Poland: A History, 1944-1989, McFarland & Co., Inc. Pubs., 2010 – refere que os «comunistas» expropriaram 370.000 acres = 149.734 ha (aprox. um décimo da área cultivada do Alentejo) mas este é um valor inferior ao de toda a terra pertencente à igreja polaca porque, segundo a mesma fonte, os «comunistas» só expropriaram domínios com mais de 100 ha.
We couldn’t find complete data on this topic. A reactionary source linked to the Church -- Marian S Mazgaj, Church and State in Communist Poland: A History, 1944-1989, McFarland & Co., Inc. Pubs., 2010 – mentions that the “communists” expropriated 370,000 acres = 149,734 ha, but this value is below all the land owned by the Polish Church since, according to the same source, the “communists” only expropriated land estates of over 100 ha.
 
[17] Excerto de | Excerpt from: Carol Rittner, Stephen D. Smith and Irena Steinfeldt, The Holocaust and the Christian World, Yad Vashem 2000, pp. 74-78.

[18] O livro bem conhecido do jornalista David Yallop, Em Nome de Deus (Publicações Dom Quixote 2008), oferece evidências impressionantes e confirmadas da confluência de altas figuras do Banco do Vaticano, da finança internacional, de políticos e organizações de extrema-direita, para assassinar o papa João Paulo I, um «progressista» cujo papado só durou dois meses, e eleger Woytila. João Paulo II teve papel destacado no incentivo à dissidência na Polónia, Hungria e Jugoslávia, na promoção da Opus Dei, e na beatificação de figuras reaccionárias como o cardeal Stepinac apoiante do regime fascista dos ustachis na Croácia e dos respectivos chefes religiosos de campos de concentração. João Paulo II ficará para a História como um dos papas mais reaccionários, que contribuiu para doses imensas de sofrimento humano.
The well-known book of the journalist David Yallop, In God’s Name, provides confirmed and impressive evidence on the convergence of top people from the Bank of Vatican, of international finance, and of far-right politicians and organizations, to assassinate pope John Paul I, a “progressist” whose papacy only lasted two months, and elect Woytila. John Paul II played a key role in encouraging dissent in Poland, Hungary and Yugoslavia, in the promotion of Opus Dei, and in the beatification of reactionary figures such as Cardinal Stepinac, a supporter of the fascist regime of the Ustashis in Croatia, and the respective religious leaders of concentration camps. John Paul II will become known of History as one of the most reactionary popes, who contributed to immense human suffering.

[19] Entrevista de Ochab à jornalista e feroz anti-comunista Teresa Toranska no seu livro Eles. Stalinistas Poloneses se Explicam, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1989, patrocinado pela Merk, Indústrias Químicas. Um livro concebido como apoio à campanha anti-comunista.
Teresa Toranska, "Them": Stalin's Polish Puppets, HarperCollins Pubs, 1988
Ochab's interview with the rabid anti-communist journalist Teresa Toranska in her book, "Them: Stalin's Polish Puppets, HarperCollins Pubs, 1988. A book designed to support the anti-communist campaign.

[20] Foi confirmado com pormenores da análise grafológica de documentos de acordos e quantias revebidas dos serviços secretos. Relatado por fontes ocidentais de 2016 (BBC, IntelNews, etc.) e pelo jornal Expresso (Luís M. Faria, 03.02.2017).
It has been confirmed with details of the graphological analysis of documents of agreements and amounts revealed by the intelligence services. This was reported by Western sources in 2016 (BBC, IntelNews, etc.) and by the Portuguese right wing newspaper Expresso (Luís M. Faria, 03.02.2017).

[21] Tom Braden, ex-chefe da divisão Internacional da CIA, revelou em 1967 que Brown era um agente da CIA. Escreveu que Brown estava ligado a ex-nazis e a mafiosos corsos para infiltrar sindicatios dirigidos por comunistas na Europa do pós-guerra; a CIA financiava estes esforços juntamente com a ILGWU (Braden, “I’m Glad the CIA Is 'Immoral’”, Saturday Evening Post, May 20. 1967)
Tom Braden, former head of the CIA's International division, revealed in 1967 that Brown was a CIA agent. Brown, he wrote, rallied ex-Nazis and Corsican Mafiosi to infiltrate Communist-led unions and terrorize the workers in post-war Europe; the CIA funded these efforts, along with the ILGWU (Braden, “I’m Glad the CIA Is 'Immoral’”, Saturday Evening Post, May 20. 1967)

[22] O general Joseph Pilsudski foi chefe de estado da Polónia e ditador fascista de 1926 a 1935. Com Pilsudski os sindicatos foram extintos, trabalhadores eram fuzilados, opositores torturados, campos de concentração instalados (na sequência de uma visita de Goebbels em 1934, acompanhada de pogroms oficialmente tolerados), e reforçadas as leis anti-semitas.
General Joseph Pilsudski was Poland's chief of state and fascist dictator from 1926 to 1935. Under Pilsudski unions were busted, workers shot down, opponents tortured, concentration camps set up (after a visit from Goebbels in 1934, accompanied by officially tolerated pogroms), and anti-Semitic laws enforced.

[23] Mandel, Crise à l’Est, Ernest Mandel, Inprecor, n.° 283 , 6 mars 1989, p.4


[24] Henri Alleg, O Grande Salto Atrás, Edições Avante! | Le Grand Bond en arrière. Éditions Le Temps des Cerises (réédition Delga / Le Temps des cerises, 2010).