sábado, 11 de março de 2017

«O “Holodomor” e o filme “Bitter Harvest” são mentiras fascistas»



Com a subida ao poder de fascistas e anticomunistas na Ucrânia, regressaram velhas mentiras históricas. Como a do alegado genocídio de ucranianos por fome alegadamente imposta pelos “estalinistas” em 1932-33: o alegado “Holodomor” retratado no filme “Bitter Harvest” (Colheita Amarga) a circular brevemente em Portugal.
   
Mentiras apoiadas pelos serviços secretos imperiais. Para branquear, saudar e legitimar o poder pró-imperial extremamente reaccionário, imposto na Ucrânia para servir os interesses do grande capital. E também para alimentar a campanha contra Estaline e o socialismo soviético.
   
Esta campanha chegou a Portugal. Em 3 de Março, duas semanas depois de a AR ter condenado a ilegalização do PC da Ucrânia, o PSD propôs um voto de “condenação pelo Holodomor”. O PS – que não gosta de deixar créditos direitistas em mãos alheias, ainda que escondidos por detrás de belas palavras como “homenagem” e “vítimas” – também propôs um voto de «homenagem às vítimas da grande fome na Ucrânia». Ambos os votos foram aprovados. O do PSD, com o apoio do CDS, PAN e um deputado do PS, a abstenção do PS e votos contra do PCP, BE, PEV e três deputados do PS. O do PS, com os votos do CDS, PAN e BE, a abstenção do PSD e votos contra do PCP e PEV. Note-se (mais uma vez!) o alinhamento do BE com o PS.
   
O PCP desmascarou, em certa medida, a «exumação do cadáver de uma campanha lançada há vários anos pela extrema-direita ucraniana». É uma campanha que desde a Guerra Fria tem sido desmascarada. É claro que muitos cidadãos honestos não têm conhecimento disso. No PSD, PS, etc., também há os desconhecedores; mas, mais do que isso, abundam os desonestos lambe-botas do grande capital e do império.
  
Para os cidadãos desconhecedores mas honestos aqui deixamos ficar a tradução de um excelente artigo de Grover Furr, Professor e especialista em história da URSS da Universidade de Montclair, EUA, publicado na revista Counterpunch em 3 de Março.

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O “Holodomor” e o filme “Bitter Harvest” são mentiras fascistas
   
(Nota do autor: Neste artigo baseio-me em grande medida em evidência citada na investigação de Mark Tauger da Universidade da Virgínia Ocidental. Tauger dedicou a sua vida profissional a estudar as fomes e agricultura russa e soviética. É uma autoridade mundial nestes temas e alvo do desagrado vigoroso dos nacionalistas e anticomunistas ucranianos porque a sua investigação explode as falsidades deles.)
   
O filme nacionalista ucraniano “Bitter Harvest” propaga mentiras inventadas pelos nacionalistas ucranianos. Na sua análise Louis Proyect propaga essas mentiras.
   
Proyect cita o artigo de Jeff Coplon “Em busca do Holocausto Soviético: Uma Fome de Há 55 Anos Atrás Alimenta a Direita” publicado em Village Voice, 1988. Nele, Coplon mostra que os mais destacados peritos ocidentais na versão dominante e anticomunista da história soviética, rejeitaram qualquer noção de uma fome deliberada imposta aos ucranianos. E continuam a rejeitá-la. Proyect omite a menção deste facto.
   
Houve uma fome muito séria na USSR, incluindo na (mas não limitada à) RSS da Ucrânia em 1932-33. Mas nunca existiu qualquer evidência de um “Holodomor” ou “fome deliberada” e não existe nenhuma hoje.
   
A ficção do “Holodomor” foi inventada por ucranianos colaboradores dos nazis, que encontraram depois da guerra portos de abrigo na Europa Ocidental, Canadá e EUA. Uma narrativa inaugural é a de Yuri Tchumatski, Porque Razão Um Holocausto Vale Mais Do Que Outros? publicada na Austrália em 1986 pelos “Veteranos do Exército Insurgente Ucraniano”; este trabalho constitui um ataque alargado aos “Judeus” por serem demasiado pró-comunistas.
   
A apreciação de Proyect perpetua as seguintes falsidades sobre a colectivização soviética da agricultura e sobre a fome de 1932-33:
   
* Que, em geral, os camponeses resistiram à colectivização porque era uma “segunda servidão”.
   
* Que a fome foi causada pela colectivização forçada. Na realidade a fome teve causas ambientais.
   
* Que “Estaline” – a liderança soviética – criou deliberadamente a fome.
   
* Que ela tinha como objectivo destruir o nacionalismo ucraniano.
   
* Que “Estaline” (o governo soviético) pôs um fim à política de “ucranização”, à promoção de uma política de encorajamento da língua e cultura ucranianas.
   
Nenhuma destas alegações é verdadeira. Nenhuma delas é apoiada por evidências. São simplesmente afirmadas pelas fontes nacionalistas ucranianas com o objectivo de justificar ideologicamente a sua aliança com os nazis e a sua participação no Holocausto Judaico, o genocídio dos polacos ucranianos (os massacre 1943-44 na Volínia) e o assassinato de judeus, comunistas, e muitos camponeses ucranianos depois da guerra.
   
O objectivo final é igualar o comunismo ao nazismo (o comunismo foi posto fora da lei na actual “Ucrânia democrática”), a USSR à Alemanha nazi, e Estaline a Hitler.
   
Colectivização da Agricultura – A Realidade
   
A Rússia e a Ucrânia sofreram fomes graves em ciclos de poucos anos durante mais de um milénio. A fome acompanhou a revolução de 1917, tornando-se mais séria em 1918-1920. Outra fome grave, incorrectamente chamada “fome do Volga”, surgiu em 1920-21. Houve fomes em 1924 e de novo em 1928-29, esta última especialmente severa na RSS da Ucrânia. Todas estas fomes tiveram causas ambientais. O método medieval de “campo aberto” da agricultura camponesa tornava impossível uma agricultura eficiente e inevitáveis as fomes.
   
Os líderes soviéticos, entre eles Estaline, decidiram que a única solução seria reorganizar a agricultura na base de grandes herdades como se fossem fábricas, tais como as que existem no Midwest Americano, que foram deliberadamente adoptadas como modelo. Quando os sovkozes  ou “herdades soviéticas” pareceram funcionar bem, a liderança soviética tomou a decisão de colectivizar a agricultura.
   
Contrariamente à propaganda anticomunista, a maioria dos camponeses aceitou a colectivização. A resistência foi modesta; os actos de rebelião aberta foram raros. Em 1932 a agricultura soviética, incluindo a da RSS da Ucrânia, estava largamente colectivizada.
   
Em 1932 a agricultura soviética foi atingida por uma combinação de catástrofes ambientais: seca em algumas áreas; demasiada chuva, noutras; ataques de “ferrugem”-puccinia e de “carvão” (doenças fungais); infestações de insectos e ratos. A erradicação de ervas daninhas foi negligenciada por fraqueza dos camponeses, reduzindo ainda mais a produção.
   
A reacção do governo soviético mudou quando a escala da falência das colheitas se tornou clara no Outono e Inverno de 1932. Acreditando inicialmente que a má gestão e sabotagem eram as principais causas de colheitas pobres, o governo removeu muitos líderes do partido e das herdades colectivas (não há qualquer evidência de que tenha havido “execuções” como a de Mykola no filme).  No início de Fevereiro de 1933, o governo soviético começou a fornecer ajudas massivas de cereais a áreas de fome.
   
O governo soviético também organizou rusgas em herdades camponesas para confiscar excessos de cereais a fim de alimentar as cidades, que não produziam a sua própria alimentação. Fizeram-no também para impedir o açambarcamento; numa fome os cereais poderiam ser revendidos a preços inflacionados. Em condições de fome um mercado livre de cereais não poderia ser permitido, a não ser que se deixassem os pobres morrer à fome como tinha sido a prática no regime dos Czares.
   
O governo soviético organizou departamentos políticos (politotdely) para ajudar os camponeses nos trabalhos agrícolas. Tauger conclui: “O facto de que a colheita de 1933 foi muito maior do que as de 1931-1932 significa que os politotdely por todo o país ajudaram uniformemente as herdades a trabalhar melhor.” (Modernização, 100)
   
A boa colheita de 1933 foi conseguida por uma população consideravelmente menor, já que muitos morreram durante a fome, outros estavam doentes ou fracos, e ainda outros tinham fugido para outras regiões ou para as cidades. Isto reflecte o facto de que a fome não foi causada nem pela colectivização, nem pela interferência do governo, nem ainda por resistência dos camponeses, mas sim por causas ambientais que já não estavam presentes em 1933.
   
A colectivização da agricultura foi uma verdadeira reforma, um marco na mudança revolucionária da agricultura soviética. Ainda houve anos de colheitas pobres; o clima da URSS não se alterou. Mas, graças à colectivização, só houve mais uma fome devastadora na URSS, a de 1946-1947. O mais recente estudioso desta fome, Stephen Wheatcroft, concluiu que a fome foi causada por condições ambientais e pelas devastações da guerra.
   
As Falsas Alegações de Proyect
   
Proyect repete acriticamente a inqualificável versão da história dos fascistas ucranianos cozinhada para benefício próprio.
   
* Não houve nenhuma “máquina estalinista da morte”.
   
* Funcionários dedicados do partido não foram “expurgados e executados”.
   
* “Milhões de ucranianos” não foram “forçados a entrar em herdades estatais e colectivas”. Tauger conclui que a maior parte dos camponeses aceitou as herdades colectivas e trabalhou bem nelas.
   
* Proyect aceita a alegação nacionalista ucraniana de “3 a 5 milhões de mortes prematuras”. Isto é falso.
Alguns nacionalistas ucranianos citam números de 7 a 10 milhões, para igualar ou ultrapassar os seis milhões do Holocausto Judaico (vide o Porque Razão Um Holocausto Vale Mais Do Que Outros? de Tchumatski). O próprio termo “Holodomor” (“holod” = “fome”, “mor” do polaco “mord” = “assassínio”, ucraniano “morduvati” = “assassinar”) foi deliberadamente construído para soar de forma semelhante a “Holocausto”.
O mais recente estudo académico das mortes pela fome avalia-as em 2,6 milhões (Jacques Vallin, France Meslé, Serguei Adamets, and Serhii Pirojkov, “A New Estimate of Ukrainian Population Losses during the Crises of the 1930s and 1940s” [Uma Nova Estimativa das Perdas Populacionais Ucranianas durante as Crises dos anos de 1930 e de 1940] Population Studies 56, 3 (2002): 249-64).
   
* Jeff Coplon não é um “sindicalista canadiano” mas sim um jornalista e escritor de Nova Iorque. O livro do falecido Douglas Tottle, Fraud, Famine and Fascism [Fraude, Fome e Fascismo], uma resposta razoável ao fraudulento livro de Robert Conquest Harvest of Sorrow [Colheita de Dor], foi escrito (tal como o livro de Conquest) antes da torrente de fontes primárias dos antigos arquivos soviéticos tornados públicos desde o fim da URSS em 1991, estando portanto muito desactualizado.
   
* A afirmação de Walter Duranty acerca de “omeletas” e “ovos” não foi feita “em defesa de Estaline” como alega Proyect mas como crítica da política do governo soviético:
Mas — para pôr as coisas nuas e cruas — não se pode fazer uma omeleta sem partir ovos, e os líderes bolcheviques eram tão indiferentes às vítimas que pudessem estar envolvidas na sua acção dirigida para a socialização como qualquer General que durante a Guerra Mundial ordenou um ataque custoso para mostrar aos superiores que ele e a sua divisão possuíam o espírito militar apropriado. De facto, os bolcheviques eram mais indiferentes, porque estavam animados por uma convicção fanática. (The New York Times March 31, 1933)
É evidente que Proyect simplesmente copiou esta falsidade proveniente de alguma fonte nacionalista ucraniana. “Garbage In, Garbage Out” [Entra Lixo e Sai Lixo].
   
* Andrea Graziosi, citado por Proyect, não é um estudioso da agricultura soviética ou da fome de 1932-33, mas um anticomunista ideológico que concorda com qualquer e toda a falsidade anti-soviética. O artigo citado por Proyect provém do Harvard Ukrainian Studies, uma revista vazia de qualquer investigação objectiva, editada e financiada pelos nacionalistas ucranianos.
   
* Proyect menciona “dois decretos secretos” do Politburo soviético de Dezembro de 1932 que claramente não leu. Estes punham um fim à “ucranização” fora da RSS da Ucrânia.  Dentro da RSS da Ucrânia a “ucranização”continuou inalterada. Não foi “terminada” como alega Proyect.
   
* Proyect, relativamente à União Soviética, não cita qualquer evidência de uma “política de destruição física na nação ucraniana, especialmente da sua intelligentsia” porque uma tal política não existiu.
   
O Triunfo do Socialismo
   
A colectivização soviética da agricultura constituiu um dos maiores feitos de reforma social do século XX, se não o maior deles todos, a par da “Revolução Verde”, do “arroz milagroso”, e dos empreendimentos da China e EUA no controlo da água. Se houvesse Prémio Nobel para proezas comunistas, a colectivização soviética seria um forte candidato.
   
A verdade histórica sobre a União Soviética não é só intragável para os colaboradores dos Nazis; ela é-o para os anticomunistas de todas as cores. Muitos que se consideram da Esquerda, tais como os Sociais-Democratas e os Trotskistas, repetem as mentiras dos fascistas confessos e dos escritores abertamente pró-capitalistas. Estudiosos objectivos da história soviética, como Tauger, determinados a dizer a verdade mesmo quando essa verdade é impopular, são demasiado raros e estão frequentemente soterrados pelo coro dos falsificadores anticomunistas.
   
Fontes: Trabalhos de investigação de Mark Tauger, especialmente “Modernization in Soviet Agriculture” [Modernização da Agricultura Soviética] (2006); “Stalin, Soviet Agriculture, and Collectivization” [Estaline, Agricultura Soviética e Colectivização] (2006); e “Soviet Peasants and Collectivization, 1930-39: Resistance and Adaptation.”  [Camponeses Soviéticos e Colectivização, 1930-1939: Resistência e Adaptação] (2005), todos disponíveis na Internet. Outros artigos de Tauger estão disponíveis nesta página: https://www.newcoldwar.org/archive-of-writings-of-professor-mark-tauger-on-the-famine-scourges-of-the-early-years-of-the-soviet-union/
Ver também o Capítulo I do meu livro Blood Lies; The Evidence that Every Accusation against Joseph Stalin and the Soviet Union in Timothy Snyder’s Bloodlands Is False [Mentiras Sangrentas: A Evidência de que Toda a Acusação contra José Estaline e a União Soviética em Terras-Sangrentas de Timothy Snyder É Falsa ] (New York: Red Star Press, 2013), em http://msuweb.montclair.edu/~furrg/research/furr_bloodliesch1.pdf
Sobre a fome de 1946-47 ver Stephen G. Wheatcroft, “The Soviet Famine of 1946–1947, the Weather and Human Agency in Historical Perspective.” [A Fome Soviética de 1946-1947, o Clima e Acção Humana em Perspectiva Histórica] Europe-Asia Studies, 64:6, 987-1005.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Três notícias reveladoras do sistema em que estamos



Há dias em que, espalhadas num único jornal, se encontram várias notícias bem reveladoras do sistema em que estamos. É o caso do JN da passada quarta-feira:

Notícia: Entre 2011 e 2015, isto é, em cinco anos, um total de 25 mil milhões de euros fugiu para offshores.

Logo, milhares de milhões de euros fugiram a impostos.
Quem foge aos impostos, quem é?
Quem aguento o Estado, quem é?

Notícia: O FMI e a CE pedem a Portugal “mais reformas laborais”

“reformas laborais” é o eufemismo pelo qual o capital designa
baixar salários, benefícios e direitos dos trabalhadores.
Vejam lá se o FMI e CE estão preocupados em “reformar”os offshores!
Ou em “reformar” o capital.
Concluindo e resumindo, que interesses representam?
E… “mais” reformas laborais!? Quando acabam?

Notícia: A Jerónimo Martins, dona da cadeia Pingo Doce, teve um aumento de lucros de 78% em 2016, face a 2015. Um lucro que totalizou 593 milhões de euros.

Não é só a Jerónimo Martins. São muitas outras empresas e bancos.
Mas, de 2015 para 2016 o salário mínimo aumentou de 505 para 530 euros.
Um aumento de 5% para mais de 1/3 dos trabalhadores portugueses.
Muitos, a trabalhar no Pingo Doce.
De 1998 a 2016 o salário médio dos licenciados desceu:
De 1518 para 1223 euros.
Uma descida de 19%.
E mesmo esta descida “média” é optimista. Os gestores, administradores, etc.,
também são licenciados.

A crise não é para todos.
Porque, como é óbvio, o sistema não é para todos.
Por muito democrático que pareça ser.
Pareça.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A Crescente Concentração de Capital | The Growing Concentration of Capital

Todos os dias se ouve falar de grandes multinacionais com subsidiárias em vários países, e centenas de milhares de assalariados – as corporações ou conglomerados transnacionais (ver definições abaixo, em Apêndice). Qual a verdadeira importância das transnacionais (TNCs)? Enorme, como iremos ver. Representam uma espantosa concentração e centralização de capital, que tem vindo a crescer desde o fim da 2.ª GM e de forma acelerada com as políticas neoliberais a partir dos anos oitenta.
    
A tendência para a concentração de capital por acumulação de mais valias, para alargar a produção e vencer a competição em regime de livre concorrência, tinha já sido assinalada por Marx em meados do século XIX. A ciência económica oficial negou durante muito tempo tal achado. Actualmente mesmo os economistas convencionais a explicam teoricamente [1]. A partir da crise de 1873 a concentração do capital intensificou-se, associada à corrida às colónias [2]. No início do séc. XX existiam já monopólios, cartéis e trusts industriais ligados a grandes bancos, com sucursais em colónias e protectorados. Os maiores vieram a empregar dezenas de milhares de trabalhadores até à 2.ª GM. O conglomerado Krupp tinha 78.000 trabalhadores em 1913 [3]. A Ford empregava 125 trabalhadores em 1903, 1.655 trabalhadores em 1909 e 21.000 em 1915 [4]. A GE tinha 4.000 trabalhadores em 1891 e 14.000 em 1927 [5]. Em comparação, na pequena economia portuguesa as fábricas que empregavam mais trabalhadores em 1937-39 eram as três fábricas dos tabacos: empregavam conjuntamente 2.098 operários [6].
    
Na obra bem conhecida de Lenine, O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo (1916), é feita uma análise da concentração do capital nas indústrias e bancos, com dados quantitativos. Lenine analisa em mais detalhe os casos da Alemanha e EUA. Refere que nos EUA «o crescimento da concentração da produção é ainda maior» do que na Alemanha, apresentando os dados que figuram na tabela abaixo [7] que mostram como em 1909 cerca de um centésimo das maiores empresas (este centésimo correspondendo a 3.000 empresas) dos EUA respondiam por quase metade da produção.
Every day one hears about large multinationals, with subsidiaries in various countries and hundreds of thousands of wage workers – transnational corporations and conglomerates (see definitions in the Appendix below). How important are transnationals (TNCs)? They are of huge importance, as we shall see. They represent an amazing concentration and centralization of capital, which has been growing since the end of WWII and at a faster pace after the 8o-ies with the neoliberal policies.
    
The tendency to concentrate capital by the accumulation of surpluses, in order to enlarge production and win competition in a free competitive regime, was remarked by Marx in the middle of the 19th century. Official economic science denied such finding during a long time. Nowadays even the mainstream economists explain it theoretically [1]. The concentration of capital intensified after the 1873 crisis, associated with the race to colonies [2]. Monopolies, cartels and trusts in the industries, linked to big banks and with agencies in colonies and protectorates, were already in existence in early 20th century. The larger ones were employing tens of thousands of workers on the eve of WWII. The Krupp conglomerate had 78,000 workers in 1913 [3]. Ford employed 125 workers in 1903, 1,655 workers in 1909 and 21,000 in 1915 [4]. GE had 4,000 workers in 1891 and 14,000 in 1927 [5]. As a comparison, the factories employing more workers in 1937-39 in the small Portuguese economy were three tobacco factories: they together employed 2,098 workers.
    
In his well-known work Imperialism the Highest Stage of Capitalism (1916) Lenin analyzes the concentration of capital in industries and banks, based on quantitative data. Lenin analyzes in more detail the cases of Germany and USA. He notes that in USA “the growth of the concentration of production is still greater” than in Germany, presenting the data filling the table below [7], which show how in 1909 about one hundredth of the larger US enterprises (the one hundredth corresponding to 3,000 enterprises) were responsible for nearly one half of the production.
     
Empresas dos EUA com valor de produção >= 1 milhão de dólares
US enterprizes with a production value >= 1 million dollars
Ano | Year
1904
1909
(1): Percentagem do total de empresas
        Percentage of all enterprizes
0,9
1,1
(2): Percentagem do total de trabalhadores
        Percentage of all workers
25,6
30,5
(3): Valor produzido (mil milhões de dólares)
        Production value (billon of dollars)
5,6
9,0
(4): (3) em percentagem do valor produzido pelo total de empresas
        (3) as a percentage of the value produced by all enterprizes
38,0
43,8
                                                                                       (In the tables the decimal point is replaced by a comma.)
    
Lenine também analisou a concentração do capital bancário, nomeadamente na Alemanha, apresentando a seguinte tabela suficientemente esclarecedora:
Lenin also analyzed the concentration of bank capital, namely in Germany, and presented the following table that needs no comments:
     
PERCENTAGEM DO TOTAL DE DEPÓSITOS     |     PERCENTAGE OF TOTAL DEPOSITS

Em 9 grandes bancos de Berlim
In 9 big Berlin
banks
Nos outros 48 bancos com um capital superior a 10 milhões de marcos
In the other 48 banks with a capital of more than 10
million marks
Em 115 bancos com um capital de 1 a 10
milhões de marcos
In 115 banks with a capital of 1-10
million marks
Em pequenos bancos
(com um capital inferior a
1 milhão de marcos)
In small banks (with a capital of less than a
million marks)
1907-08
47
32,5
16,5
4
1912-13
49
36
12
3
    
No período entre as duas guerras mundiais a concentração do capital americano estendeu-se a vários sectores [8]. O mesmo se verificou na Inglaterra e França, embora com mais atraso. Por esta altura o fenómeno é já reconhecido pela ciência económica oficial. De facto, o progresso tecnológico das forças produtivas e da racionalização dos métodos de produção compele a uma larga socialização da produção [9]. Não só a concentração aumenta como, através da banca e da Bolsa, aumenta a centralização do capital: uma ou poucas entidades económicas detêm (através de títulos de propriedade sobre activos e lucros) o controlo de várias corporações. Concentração e centralização estão actualmente profundamente inter-ligadas.
    
No sistema capitalista a socialização da produção, do trabalho, contradiz a propriedade privada dos meios de produção. A exploração do trabalho, doméstico e estrangeiro, para a obtenção de super-lucros por parte dos monopólios vai contra os interesses dos trabalhadores. A destruição e absorção por parte dos monopólios das pequenas e médias empresas concita também a oposição e protesto de pequenos e médios empresários. As democracias burguesas viram-se, por isso, obrigadas, desde o início do século XX, a decretar leis anti-cartel e anti-trust; modernamente, disposições gerais nesse sentido sobre empresas. Todas estas leis e disposições nunca tiveram consequências; são uma mera fachada. A democracia burguesa é uma democracia tutelada pelo grande capital. A concentração e centralização do capital continuam.
    
Após a 2.ª GM os EUA tornaram-se a potência capitalista hegemónica. Largamente hegemónica e que lidera todo o campo capitalista «ocidental». Entretanto, os monopólios dos EUA e Europa capitalista converteram-se em multinacionais, com empresas subsidiárias em vários países, nomeadamente nas colónias, semi-colónias, ex-colónias e países mais fracos como Portugal. A partir dos finais dos anos 70, no seguimento da chamada «crise do petróleo», assiste-se à progressiva fuga do capital dos sectores produtivos para a especulação financeira, com o desabrochar dos derivados [10] e o surgimento de multinacionais de investimentos e serviços financeiros. Aprofunda-se a concentração e centralização do capital bancário.
    
Tanto quanto sabemos, até aos anos oitenta não abundam as análises da concentração de capital. Por exemplo, Paul Baran e Paul Sweezy, na sua conhecida obra Monopoly Capital limitaram-se, quanto ao assunto, a uma simples nota de rodapé com uma tabela das contribuições percentuais em valor acrescentado bruto de lotes das maiores empresas, em 1947 e 1954 [9]. Todos os valores de 1954 são superiores aos correspondentes valores de 1947, indicando uma concentração.
    
Estudiosos soviéticos dedicaram mais atenção à análise do capital monopolista de vários países assentes em dados quantitativos. Assim, M. S. Dragilev num artigo da Grande Enciclopédia Soviética de 1979 [11] refere o aumento de fusões de capital nos EUA de 1939 para 1969 (passaram de 87 para 2.307) e os números de accionistas dos EUA em 1967: 20.000.000 totalizando 650 mil milhões de dólares (B$) com 2.024 famílias detendo 111 B$ (17%) e as 207 mais ricas controlando 482 corporações com um total de 182 B$ de activos. Na obra de Victor Tcheprakov [12] encontrámos dados de interesse sobre a concentração da produção e de capital em vários países. Na Itália, por exemplo, as maiores corporações, com capital superior a 10 mil liras, detinham 26,3% do capital corporativo total em 1948; em 1958 o número dessas corporações tinha aumentado e detinham agora 49,7% do total.
    
Desde os anos oitenta são cada vez mais os bancos e holdings financeiras que controlam monopólios industriais ao invés do que geralmente acontecia no passado. A partir da segunda metade do séc. XX surgem também grandes multinacionais na área do comércio a retalho (Walmart nos EUA em 1962), multinacionais que abarcam várias áreas de negócio (conglomerados) e associações de multinacionais (joint ventures).
    
Actualmente as TNCs estão em todas as áreas de negócio, podem empregar centenas de milhares de trabalhadores, têm dezenas de subsidiárias em diversas áreas e países bem como divisões próprias de financiamento, ligações a offshores, e estruturas muito complexas de títulos de propriedade que lhes dão o controlo sobre outras empresas. São como enormes polvos cujos tentáculos se estendem por todo o planeta, escapando a impostos e controlando governos.
    
Quatro exemplos:
(1) A 5.ª maior empresa exportadora de Portugal em 2015 foi a Faurecia Sistemas de Escape Lda, subsidiária do Grupo Faurecia, sediado em França, com 320 centros de produção e 30 de I&D em 34 países, 99.281 trabalhadores e 18,8 B€ (mil milhões de €) de receitas (2014). Mas o próprio Grupo Faurecia é controlado pela  PSA Peugeot Citroën [13], o segundo maior fabricante europeu de automóveis e motociclos com 184.107 trabalhadores e 54,7 B€ de receitas. A PSA Peugeot Citroën tem 21 subsidiárias, incluindo na área de caminhos-de-ferro, electrificação, e finanças (Banque PSA Finance). Por sua vez, um dos maiores accionistas da PSA Peugeot Citroën é a holding financeira SOGEPA.
(2) O conglomerado sul-coreano Samsung tem 489 mil trabalhadores e 305 B$ de receitas (2014). Tem mais de 20 empresas afiliadas, incluindo multinacionais, em várias áreas: electrónica, tecnologias de informação, electromecânica, construção civil e naval, hotéis e turismo, química fina, seguros, medicina, etc. As afiliadas e subsidiárias não têm necessariamente sede na Coreia do Sul. Por exemplo, a Samsung GM Machine Tools está sediada na China. A Samsung também participa em muitas joint-ventures com multinacionais da Coreia do Sul e de outros países. Para exemplo, a Samsung BP Chemicals é uma joint-venture 49:51 da Samsung com a britânica BP (49% de capital da primeira e 51% da segunda) para produção de químicos aplicados em baterias e LCDs, a SB LiMotive é uma joint-venture 50:50 da Samsung e Bosch para a produção de baterias de lítio, etc. Como se pode imaginar, a estrutura accionista do conglomerado é bastante complexa, além de variável ao longo do tempo. O mesmo, aliás, se pode dizer de cada uma das empresas afiliadas. Por exemplo, a afiliada e multinacional Samsung Electronics Co. Ltd, que melhor conhecemos dos televisores, computadores e telemóveis, tem como accionistas não só firmas do conglomerado mas outras da Coreia do Sul e do Japão.
(3) O Barclays Plc é uma enorme multinacional de serviços bancários e financeiros, com 4.750 agências em 50 países, 129,4 mil trabalhadores e 25,4 B£ de receitas (2015). Tem um enorme grupo de empresas subsidiárias de investimento, gestão financeira, corretagem, serviços offshore, centros tecnológicos, etc. É a TNC mais poderosa a nível mundial em termos de controlo accionista.
(4) A Walmart é a maior TNC a nível mundial. A área de negócio é a do comércio de retalho, incluindo o comércio on-line. Constitui uma clara ilustração da importância actual da distribuição de bens. Tem 2,3 milhões de empregados e 482,1 B$ de receitas. A família americana Walton controla a transnacional (51% das acções). Tem subsidiárias na América Latina, Japão, Índia, África do Sul e Grã-Bretanha.
    
Na segunda metade do séc. XX melhorou a recolha de dados estatísticos dos países capitalistas, com destaque para os EUA. É possível dispormos agora, para vários países, de dados que abarcam muitos anos. Construímos a figura abaixo com dados dos EUA disponibilizados pela revista Fortune [14]. Mostra a soma das receitas brutas (a preços correntes) das 100 maiores companhias dos EUA (as que têm maiores receitas brutas) em percentagem do PIB nominal.
In the period between the two world wars the concentration of US capital expanded to various sectors [8]. The same was observed in England and France, although with belatedness. By this time the phenomenon becomes recognized by the official economic science. As a matter of fact, the technological progress of the productive forces and of the rationalization methods of production as well, compels to a large socialization of production [9]. It is not only the concentration of capital which increases; through banks and stock exchange centralization also increases: one or a few economic entities hold the control of several corporations (through ownership titles on assets and profits). Concentration and centralization are today deeply intertwined.
    
In the capitalist system the socialization of production, of labor, contradicts the private ownership of the means of production. The exploitation of domestic and foreign labor, so that monopolies obtain super-profits, goes against the interests of the working class. The destruction and absorption by the monopolies of small and medium-sized enterprises also raise the opposition and protest of small and medium entrepreneurs. For that reason, the bourgeois democracies were compelled since early 20th century to decree anti-cartel and anti-trust laws; in more recent times, general regulations on enterprises covering that issue. All such laws and regulations were and are inconsequential; they are a mere façade. Bourgeois democracy is a democracy tutored by big capital. The concentration and centralization of capital are currently carried on.
    
USA became the hegemonic capitalist power after WWII. Largely hegemonic, holding the leadership of the whole “western” capitalist camp. In the meantime, the monopolies of USA and of capitalist Europe became multinationals, with subsidiary enterprises in several countries, namely in colonies, semi-colonies, former colonies, and weaker countries such as Portugal. Since the end of the seventies, following the so-called “oil crisis”, an ongoing fleeing of capital from productive sectors to financial speculation takes place, with the blossoming of derivatives [10] and the emergence of multinationals on investment and other financial services. The concentration and centralization of bank capital is reinforced.
    
As far as we know, studies on capital concentration are not easily found until the eighties. For instance, Paul Baran and Paul Sweezy, in their well-known work  Monopoly Capital, didn’t go farther on the matter than providing a mere footnote with a table of percent contributions in gross value added of batches of larger companies in 1947 and 1954 [9]. All 1954 values are larger than the corresponding 1947 values indicating a concentration.
    
Soviet scholars dedicated more attention to the analysis of monopoly capital on basis of quantitative data. For instance, M. S. Dragilev, in an article of The Great Soviet Encyclopaedia, 1979 [11], mentions the increasing number of capital merges in the USA from 1939 to 1969 (from 87 to 2,307) and the number of shareholders in 1967: 20,000,000 totalizing 650 billion dollars (B$) with 2,024 families holding 111 B$ (17%) and the 207 richest ones controlling 482 corporations with a total of 182 B$ of assets. In the work of Victor Tcheprakov [12] we also found interesting data on the concentration of production and capital in several countries. For instance, the largest Italian corporations with a capital above 10 thousand liras held in 1948 26.3% of the total corporate capital; in 1958 the number of such corporations had increased and they now held 49.7% of the total.
    
Banks and financial holdings control industrial monopolies in an ever larger scope since the eighties, instead of what used to be the case in the past. Since the second half of the 20th century also emerge large multinationals in the area of retail trade (Walmart in the USA in 1962), multinationals that encompass various business areas (conglomerates) and associations of multinationals (joint ventures).
    
Presently, TNCs are in all business areas, they may employ hundreds of thousands of workers, have tens of subsidiaries in various areas and countries, they have their own financial divisions, links to offshore, and very complex structures of ownership titles which allow them controlling other enterprises. They are as giant octopuses stretching their tentacles all over the world, evading taxes and controlling governments.
    
Four examples:
(1) The 5th largest exporting company in Portugal in 2015 was the Faurecia Sistemas de Escape Lda, a subsidiary of the Faurecia Group with headquarters in France. A group having 320 production plants and 30 R&D centres in 34 countries, 99,281 workers and 18.8 B€ (billion euro) of revenues (2014). But the Faurecia Group itself is controlled by the PSA Peugeot Citroën [13], the second largest European producer of cars and motorcycles, with 184,107 workers and 54.7 B€ of revenues. The PSA Peugeot Citroën has 21 subsidiaries, comprehending the areas of railways, electrification and financing (Banque PSA Finance). On the other hand, one of the largest shareholders of PSA Peugeot Citroën is the financial holding SOGEPA.
(2) The South-Korean conglomerate Samsung has 489 thousand workers and 305 B$ of revenues (2014). It comprises more than 20 affiliated enterprises, including multinationals, in several areas: electronics, information technologies, electro-mechanics, civil and naval construction, hotels and tourism, fine chemistry, insurances, medicine, etc. The affiliated and subsidiaries do not necessarily have their headquarters in South Korea. For instance, the Samsung GM Machine Tools is headquartered in China. Samsung also participates in many joint ventures with multinationals of South Korea and of other countries. For instance, Samsung BP Chemicals is a 49:51 joint venture of Samsung with the British BP (49% of capital of the former, 51% of the latter) for the production of chemicals applied to batteries and LCDs, SB LiMotive is a 50:50 joint-venture of Samsung and Bosch for the production of lithium batteries, etc. One easily imagines how complex is the shareholding structure of the conglomerate, which also changes along time. Moreover, the same can be said of any of the affiliated enterprises. For instance, as shareholders of the affiliated multinational Samsung Electronics Co. Ltd, well-known from the TV sets, mobile phones and computers, we find not only firms from the conglomerate but also other firms from South Korea and Japan.
(3)  Barclays Plc is a huge multinational of banking and financial services, with 4,750 agencies in 50 countries, 129.4 thousand workers and 25.4 B£ of revenues (2015). It comprises a large group of subsidiary enterprises in investment, financial management, brokering, offshore services, technological centers, etc. It is the most powerful TNC in the world in terms of shareholding control.
(4) Walmart is the largest TNC in the world. Its business area is retail trade, including e-commerce. It is a clear illustration of the present importance of the distribution of goods. It has 2.3 million workers and 482.1 B$ of revenues. The American family Walton controls the TNC (51% of stock). It has subsidiaries in Latin America, Japan, India, South Africa and Great-Britain.
    
The compilation of statistics in the capitalist countries improved after the second half of the 20th century, with prominence in US. It is now possible, for several countries, to make use of data spanning many years. We built the figure below with US data availed by the magazine Fortune [14]. It shows the sum of gross revenues (current prices) of the top 100 US companies (those with larger revenues) in percentage of nominal GDP.
     
   

Existe uma clara tendência de crescente concentração de receitas nas grandes companhias (com flutuações mais acentuadas nos períodos recessivos). Verifica-se também que a tendência de concentração (ver rectas de tendência) se acentuou a partir do final da recessão de 1990. Continua válido o que disse Lénine na obra citada: «As crises de todo o tipo – mais frequentemente as crises económicas, mas não apenas elas – aumentam, por sua vez, consideravelmente, a tendência para a concentração e para o monopólio».
    
Actualmente as 100 maiores companhias dos EUA respondem por mais de 45% do PIB. As 500 maiores companhias por 75% do PIB [15]! Além disso, se dividirmos as somas de receitas das 100 maiores face às correspondentes somas das 500 maiores, verifica-se que o quociente não se mantém constante mas, pelo contrário, tem tendência a aumentar. Isto é, não só a “pirâmide” da concentração cresce em altura mas, além disso, estreita em largura: cada vez mais a economia dos EUA é dominada por cada vez menos, quer em activos quer em lucros [16]. Isto sem tomar em conta os milhares de milhões de dólares em offshores [17].
    
No sector bancário dos EUA a concentração é enorme [18]. As figuras abaixo (do Federal Reserve Bank) são perfeitamente esclarecedoras. Note-se a enorme tendência para a centralização que se iniciou ainda antes da recessão de 1990.
A clear tendency of a growing concentration of revenues in large companies (with more pronounced fluctuations in recessive periods) is observed. It is also observed that the concentration tendency (represented by dotted lines) became stronger after the end of the 1990 crisis. What Lenin asserted in his mentioned work is still valid: “Crises of every kindeconomic crises most frequently, but not only thesein their turn increase very considerably the tendency towards concentration and towards monopoly.”
    
Today, the revenues of the largest 100 US companies add up to over 45% of the GDP. The top 500 companies add up to 75% of the GDP [15]! Furthermore, if one divides the sums of revenues of the top 100 by the corresponding sums of the top 500, one finds that the ratio doesn’t stay constant; on the contrary, it shows an increasing tendency. In simple words, it is not only that the concentration “pyramid” grows in height; it also shrinks in width: US economy is growingly dominated by fewer players, both in assets and profits [16]. And this without taking into consideration the billions of dollars stuck in offshore [17].
    
In the banking sector the US concentration is huge [18]. The charts below (from the Federal Reserve Bank) are crystal clear. Note the strong tendency towards centralization which began still before the 1990 recession.
     

    
A enorme e crescente concentração/ centralização do capital é um fenómeno geral no mundo capitalista. Existem dados e estudos que o comprovam para as maiores economias capitalistas. (Ver, p. ex., [19] para o Canadá, [20] para o Japão, [21] para o Reino Unido, [22] para a Alemanha.) Mesmo nas pequenas economias como a portuguesa o fenómeno é claro [23]. Neste caso, com uma forte influência da centralização global.
    
Dois aspectos devem ser tidos em conta na análise da concentração do capital:
(1) A concentração não ocorre da mesma forma em todas as áreas de negócio. Em dados períodos, a tendência para a concentração é crescente em certas áreas. É o caso actual dos bancos, da produção de computadores e telemóveis [24]. Noutras, a tendência é decrescente e pode estagnar. Noutras ainda, pode decrescer durante um certo período e depois voltar a crescer [25]. Mas o que importa é que globalmente, com a transferência de capitais dos sectores menos lucrativos para os mais lucrativos, a concentração é rapidamente crescente.
(2) A concentração/centralização do capital não significa que a competição desapareceu de todo. Para além da emergência de novos sectores de actividade, as crises cíclicas e outros eventos eliminam gigantes: lembremo-nos das falências do Barings Bank, da Lehman Brothers e da quebra da General Motors. Das 500 maiores firmas dos EUA em 1955 só 12% delas sobreviveram em 2015 [26].
    
Na época actual a concentração/centralização do capital atingiu níveis espantosos. Eugénio Rosa cita na sua obra ([23]) a seguinte afirmação de Jean Peyrelevade [27]: «No fim do ano 2003 a capitalização bolsista mundial era igual a 31.000 milhares de milhões de dólares, ou seja, 86% do PIB anual do planeta, que ascendia a 36.000 milhares de milhões de dólares. Os detentores de acções, através de organismos de gestão de património, de fundos mobiliários, de fundos de pensões, das sociedades de seguros de vida, ou de simples fundos mutualistas, os SICAV, possuíam, assim, um património bolsista que representava o valor de quase um ano de produção do universo». Eugénio Rosa refere que «Este gigantesco valor de capitalização bolsista era detido apenas por 5% da população mundial» com 46% do valor nos EUA, 25% em 15 países europeus e 15% no Japão.
    
Um estudo sobre a rede global de controlo corporativo foi publicado em 2011 por três investigadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique [29]. O estudo envolveu uma larga base de dados [30] contendo relações accionistas e outra informação [31] de 37 milhões de entidades económicas de 194 países. Os autores seleccionaram 43.060 TNCs sediadas em 116 países tendo pelo menos 10% de acções (com direito de voto) em companhias localizadas em mais do que um país. (Na selecção consideraram também subsidiárias, mas retendo um único representante final de cada grupo multinacional.)
Para cada TNC da lista de 43.060 TNCs construíram (com algoritmos de busca apropriados) uma rede de controlo corporativo que atribuía controlo total de uma companhia a uma entidade possuindo mais de 50% das acções. (Outros modelos de controlo foram aplicados com os mesmos resultados globais).
    
A rede final (ver figura abaixo) mostrou que 40% do controlo sobre o valor económico das INCs de todo o mundo era detido, através de uma complexa rede de relações de propriedade, por um grupo de 147 TNCs, o núcleo da rede. Este núcleo de 147 TNCs tinha quase o controlo total sobre si próprio, formando uma «super-entidade económica». A nota [32] apresenta as 50 principais TNCs do núcleo com o grau cumulativo de controlo. A repartição destas 50 por países, é a seguinte: 24 USA, 8 GBR, 5 FRA, 4 JPN, 2 CHE, 2 DEU, 2 NLD, 1 CAN, 1 CHN, 1 ITA.
The huge and increasing concentration/ centralization of capital is a general phenomenon of the capitalist world. We now have data and studies for the major economies which prove it. (See, e.g., [19] for Canada, [20] for Japan, [21] for the Great-Britain, [22] for Germany.) Even in the small economies as the Portuguese one the phenomenon is clearly observed [23]. In this case, with strong influence of the global centralization.
    
Two aspects should be taken into consideration when analyzing the concentration of capital:
(1) Concentration does not take place in the same way in all business areas.  In given periods of time there is a growing tendency for concentration in certain areas. That’s the case today with banks, production of computers and mobile phones [24]. In other areas there is a decreasing tendency which may stagnate. In still other ones, the tendency may decrease and then increase again [25]. But what really matters is that globally, with the transference of capitals from the less profitable to the most profitable sectors, the concentration is rapidly increasing.
(2) The concentration/centralization of capital doesn’t mean that competition has been swept away. Besides the emergence of new sectors of activity, the cyclic crises and other events eliminate giants: let’s recall the bankruptcies of the Barings Bank, the Lehman Brothers and the break of General Motors. From the top 500 US firms in 1955 only 12% of them survived in 2015 [26].
    
In our time, the concentration/centralization of capital has reached amazing levels. Eugénio Rosa cites in his work ([23]) the following assertion of Jean Peyrelevade [27]: “By the end of 2003 the capitalization of stock at world level equaled 31,000 billions of dollars, that is, 86% of the yearly GDP of the planet, which reached 36,000 billions of dollars. The shareholders, through management mechanisms of property, investment funds, pension funds, life insurance corporations, and of plain mutual funds, the SICAV, came to own in this way a stock property which amounted to almost one year of production of the whole planet.” Eugénio Rosa adds that “This gigantic value of stock capitalization was owned by only 5% of the world population” with 46% of value in USA, 25% in 15 European countries, and 15% in Japan.
    
A study on the global corporate control was published in 2011 by three researchers of the Federal Institute of Technology in Zurich [29]. The study involved a large database [30] containing equity relations and other information [31] of 37 million economic actors in 194 countries. The authors selected 43,060 TNCs located in 116 different countries which held at least 10% of shares (with voting rights) in companies located in more than one country. (The selection also took account of subsidiaries, but retaining a single final representative of each multinational group.)
For each TNC of the list of 43,060 TNCs they built (with appropriate search algorithms) a network of corporate control assigning total control of a company to an entity having more than 50% of the shares. (Other models of control were applied which led to the same global results.)
    
The final network (see figure below) showed that 40% of the control over the economic value of TNCs in the world was held, via a complex web of ownership relations, by a group of 147 TNCs, the network core. This core of 147 TNCs had almost total control onto itself, forming “an economic super-entity”. The note [23] presents the 50 main TNCs of the core with the cumulative degree of control.The breakdown of these 50 TNCs by countries is as follows: 24 USA, 8 GBR, 5 FRA, 4 JPN, 2 CHE, 2 DEU, 2 NLD, 1 CAN, 1 CHN, 1 ITA.
    
Esquerda: rede com nodos principais (1318 nodos e 12191 ligações). O tamanho dos nodos é proporcional ao logaritmo da receita operacional; a cor do nodo ao controlo da rede (de amarelo a vermelho); a cor da ligação ao seu peso. Direira: Zoom das maiores TNCs do sector financeiro com alguns ciclos destacados.
Left side: network with main nodes (1318 nodes and 12191 links). Node size scales logarithmically with operation revenue, node color with network control (from yellow to red). Link color scales with weight. Right side: Zoom on some major TNCs in the financial sector. Some cycles are highlighted.
Fonte | Source: Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston, The Network of Global Corporate Control, Plos One, vol. 6, no. 10, pp. 1-6 (October 26, 2011).
    
Três quartos das 147 TNCs do núcleo são intermediários financeiros. Das 50 principais 45 são do sector financeiro, com o banco Barclays no topo da lista. Continua válido o que Lenine já tinha observado: «… o capital-dinheiro e os bancos, como veremos, tornam ainda mais esmagador esse predomínio de um punhado de grandes empresas, e dizemos esmagador no sentido mais literal da palavra, isto é, milhões de pequenos, médios, e até uma parte dos grandes «patrões», encontram-se de facto completamente submetidos a umas poucas centenas de financeiros milionários». A concentração/ centralização do capital financeiro atingiu níveis inimagináveis face ao início do século XX que Lenine analisou, mas a mensagem essencial é a mesma.
    
A concentração de capital em enormes empresas do sector produtivo permite uma grande eficiência produtiva, a aplicação de tecnologias inovadoras, a racionalização de processos de produção. Deveria, portanto, permitir satisfazer as necessidades básicas das populações do planeta. Mas não é isso que vemos acontecer no sistema capitalista. A par com a crescente concentração cresce também a desigualdade social, quer dentro de cada país, quer entre países, com a penúria de milhares de milhões, conforme tem sido ampla e profundamente estudado e comprovado, mesmo por economistas convencionais, como Thomas Piketty no seu livro O Capital no Século XXI. De facto, enquanto o sistema capitalista com a sua contradição básica – a socialização da produção com propriedade privada dos meios de produção – continuar a imperar, continuaremos a observar a desigualdade social crescendo necessariamente a par com a concentração de capital.
Three fourths of the 147 TNCs in the core are financial intermediaries. 45 out of the 50 main ones are of the financial sector, with the Barclays bank at the top of the list. What Lenin had already observed continues valid: “…money capital and the banks make this superiority of a handful of the largest enterprises still more overwhelming, in the most literal sense of the word, i.e., millions of small, medium and even some big “proprietors” are in fact in complete subjection to some hundreds of millionaire financiers.” The concentration/centralization of financial capital has reached unimaginable levels when compared to the beginning of the 20th century that Lenin analyzed, but the substantive message is the same.
    
The concentration of capital in huge enterprises of the productive sectors allows a high productive efficiency, the application of innovating technologies, the rationalization of processes of production. It should then allow satisfying the basic needs of the populations of the planet.  But that is not what we see happening in the capitalist system. Running parallel with the growing concentration of capital also grows the social inequality, both within and between countries, with the destitution of billions, as has been widely and profoundly studied and proved, even by mainstream economists, such as Thomas Piketty in his book Capital in the 21st Century. Indeed, as long as the capitalist system with its basic contradiction holds sway – the socialization of production with private property of the means of production – we will keep on observing social inequality necessarily growing together with the concentration of capital.
    
 Apêndice: Definições | Appendix: Definitions
    
Companhia, empresa, firma: designação genérica de uma entidade empresarial que no sistema capitalista pode assumir várias formas de propriedade privada e opera tendo em vista o lucro.
Company, enterprise, firm: generic designations of an entrepreneurial entity, which in the capitalist system may assume various forms of private ownership and operates for profit.
Corporação: termo de origem anglo-saxónica que corresponde à entidade empresarial legalmente conhecida por Sociedade Anónima de Responsabilidade Limitada (SARL), cujos proprietários são detentores de acções (accionistas que podem ser pessoas, companhias, ou outras instituições incluindo estatais) que só respondem por dívidas até ao limite das acções que detêm. As acções são títulos de propriedade sobre fracções de activos e lucros líquidos. O controlo da corporação (administração, gestão, distribuição de dividendos, etc.) é usualmente exercido directa ou indirectamente pelos maiores accionistas que detêm a maioria (50% mais uma) das acções.
Corporation: entrepreneurial entity whose proprietors are shareholders (persons, companies or other institutions including from the state) with liability on debts restricted to the amount of individually owned stock. A share or stock is a claim on a fraction of the company's assets and earnings. Corporation control (administration, management, distribution of dividends, etc.) is usually operated directly or indirectly by the largest shareholders with a majority of the company's stock (50% of the shares, plus one). American corporations are designated by “Corp.” and “Inc.”; those from Britain and Commonwealth countries by “Ltd.” or “Plc” when shares can be offered to the general public.
Cartel: grupo de produtores ou fornecedores conluiados para regular a oferta e manipular preços.
Cartel: a group of producers or suppliers colluded to regulate supply and manipulate prices.
Conglomerado: corporação composta por empresas que operam em distintas áreas de negócio com certa autonomia, embora obrigadas a reportar a gestão à da companhia matriz.
Conglomerate: a corporation made up of companies operating in distinct business areas with a certain degree of autonomy, though obliged to report management to the parent company.
Grupo corporativo: conjunto de corporação matriz e corporações ou empresas subsidiárias que funcionam como entidade económica única e controlo centralizado.
Corporate group: a collection of parent and subsidiary corporations or firms that function as a single economic entity through a common source of control.
Sociedade Gestora de Participações Sociais (holding): companhia que possui acções de outras companhias controlando as suas políticas e gestão, com o fim de formar um grupo corporativo e não para produzir os seus próprios bens e serviços. Existem também holdings para possuir propriedades, patentes, marcas registadas e outros activos.
Holding company: a company that owns other companies' outstanding stock to control their policies and management, and form a corporate group rather than for the purpose of producing its own goods or services. Holding companies also exist for the purpose of owning property such as real estate, patents, trademarks, and other assets.
Trust: grupo de grandes accionistas de várias corporações na mesma área de negócio a quem é confiado (entrusted) a gestão de mercado em benefício de todas. Semelhante ao cartel já que o trust age num sentido anti-competitivo dado o seu controlo do mercado. O termo também é por vezes usado no sentido de grupo corporativo
Trust (corporate trust): a group of large shareholders of several corporations in the same area of business which are entrusted with market handling in the benefit of all. Similar to a cartel since a trust acts in an anticompetitive direction given its power over the market. The term is sometimes used in the sense of corporate group.
Oligopólio: situação em que um pequeno número de empresas produtoras do mesmo tipo de bens ou serviços detém a larga maioria do respectivo mercado.
Oligopoly: situation where a small number of firms producing the same type of goods or services has the large majority of the respective market.
Monopólio: situação extrema do oligopólio com uma única empresa ou corporação sem competidores no mercado. Actualmente e a nível global esta situação é praticamente impossível. O termo é usado informalmente para designar as grandes multinacionais que controlam mercados nacionais ou mundiais.
Monopoly (monopolistic company or corporation): the extreme situation of the oligopoly, where a company or corporation has no competitors in the market. Nowadays and at a global level this situation is practically impossible. The term is used in an informal way to designate large multinationals that control markets at a national or worldwide level.
Multinacional: corporação com instalações e outros activos em pelo menos mais um país do que o da sede. A multinacional tem escritórios e/ou fábricas em diversos países e geralmente uma repartição central que coordena a gestão global. As grandes multinacionais têm orçamentos que excedem os de muitos pequenos países.
Multinational: corporation with facilities and other assets in at least one country other than its home country. A multinational has offices and/or factories in different countries and usually has a centralized head office coordinating the global management. Very large multinationals have budgets that exceed those of many small countries.
Transnacional: conglomerado multinacional.
Transnational: a multinational conglomerate.
Empreendimento conjunto (joint venture): acordo empresarial em que duas ou mais partes estipulam unir recursos para desenvolver uma actividade específica. Cada uma das partes é responsável por custos e lucros associados com isso. O empreendimento, porém, tem a sua identidade própria, separada dos outros interesses empresariais das partes.
Joint venture: business arrangement in which two or more parties agree to pool their resources for the purpose of accomplishing a specific task. Each of the participants is responsible for profits, losses and costs associated with it. However, the venture has its own identity, separate from the participants' other business interests.
    
Notas e Referências | Notes and References
    
[1] Ver o nosso artigo sobre a tendência para o monopólio a partir do «mercado livre».
[2] Ver o nosso artigo sobre o capitalismo liberal.
[3] Citado em | Cited in: Michel Beaud, Histoire du Capitalisme. De 1500 à nos jours. Éditions du Seuil, 1981. (Reedições posteriores.)
[5] Fleck, Denise Lima. The building and development of the American electrical manufacturing industry and its top two companies – General Electric & Westinghouse, Rio de Janeiro, UFRJ /COPPEAD, 2009.
[6] Jorge Costa et al., Os Donos de Portugal. Cem anos de poder económico (1910-2010), Ed. Afrontamento, 2010.
[7] Lenine indica a fonte dos dados | Lenin mentions the data source: Statistical Abstract of the United States, 1912, p. 202.
[8] Lewis Corey na sua obra The Decline of American Capitalism (NY, 1934) diz: «o movimento para crescente eficiência tecnológica, produção e competição, resultou, como sempre, em maior concentração e centralização do controlo corporativo: enquanto em 1923 as maiores 1240 corporações industriais receberam 64,9% de todo o rendimento líquido corporativo, em 1929 as maiores 1289 corporações receberam 75,6%.
Lewis Corey in his book The Decline of American Capitalism (NY, 1934) says: “The movement of increasing technological efficiency, production, and competition, resulted, as always, in greater industrial concentration and centralization of corporate control: in 1923 the largest 1,240 manufacturing corporations received 64.9% of all corporate net income, while in 1929 the largest 1,289 corporations received 75.6%.”
[9] Paul Baran, Paul Sweezy, Monopoly Capital, Penguin Books, 1966.
Obra de fraco valor científico, embora com alguma informação de interesse. Note-se que o valor acrescentado bruto é menor que o valor da produção dado haver consumos intermédios das empresas.
A work of poor scientific value, although with information of interest. The gross added value is smaller than the production value since thereare intermediary enterprise consumptions.
A tabela mencionada (pag. 222 do livro) é | The table mentioned (book p. 222) is:


1947
1954
As maiores 50 empresas.   Largest 50 companies.
17
23
As maiores 100 empresas. Largest 100 companies.
23
30
As maiores 150 empresas. Largest 150 companies.
27
34
As maiores 200 empresas. Largest 200 companies.
30
37

[10] Ver figura da secção «Derivados: a resposta capitalista ao declínio da taxa de lucro» num artigo nosso sobre o sector financeiro.
[11] M. S. Dragilev, Concentration of Capital, The Great Soviet Encyclopedia, Moscow, 1979.
[12] Victor Tcheprakov, Le Capitalisme Monopoliste d’État, Editions du Progrès, URSS, 1969.
[13] Detinha 57,4% das acções da Faurecia em 2014. It owned 57.4% of Faurecia’s stock in 2014.
[15] Andrew Flowers, Big Business Is Getting Bigger, May 18, 2015; Christopher Tkaczyk, Stacy Jones, Grace Donnelly, Everything You Need to Know About the Global 500 in 6 Charts, Jul 22, 2016.
[18] Hubert P. Janicki and Edward Simpson Prescott, Changes in the Size, Distribution of U.S. Banks: 1960–2005, Federal Reserve Bank of Richmond, Economic Quarterly vol. 92/4 Fall 2006, pp. 291-315.
[19] Brennan, J., 2015. Ascent of Giants: NAFTA, Corporate Power and the Growing Income Gap. Ottawa: Canadian Centre for Policy Alternatives, Figure 6, p. 33.
[20] Stephen D. Prowse, The Structure of Corporate Ownership in Japan, The Journal of Finance, vol. 47, no. 3, Proc. 52nd Annual Meeting of the American Finance Association, 1992, pp. 1121-1140.
[21] Sanjiv Mahajan, Concentration ratios for businesses by industry in 2004, Economic Trends 635, October 2006, UK Office for National Statistics.
[22] Caroline Fohlin, The History of Corporate Ownership and Control in Germany. In: A History of Corporate Governance around the World: Family Business Groups to Professional Managers, Randall K. Morck, ed., University of Chicago Press, 2005; Jeremy Edwards, Marcus Nibler, Erik Berglöf, Julian Franks, Corporate Governance in Germany: The Role of Banks and Ownership Concentration, Economic Policy, vol. 15, no. 31, pp. 237-267, 2000.
[23] Ver: Eugénio Rosa, Os Grupos Económicos e o Desenvolvimento em Portugal no Contexto da Globalização, Tese de Doutoramento, ISEG, 2012 – publicado pela editora Página a Página, 2013; Sílvio Costa, A Concentração Bancária em Portugal, Tese de Mestrado, Univ. de Coimbra, 2014.
Neste e noutros artigos é usado um indicador de concentração conhecido por índice de Herfindahl (IH) que é simplesmente a soma estendida a todas as N empresas de uma área de negócio dos quadrados das respectivas quotas de mercado. Por exemplo, para duas empresas, ambas com 50% do mercado, temos IH = 0,52 + 0,52 = 0,5. O IH varia de 1/N (número enorme de pequenas empresas) até 1 (monopólio).
This and other articles make use of an indicator of concentration known as Herfingdahl índex (HI), which is simply the sum for all N companies of a given business sector of the squares of the respective market shares. For instance, for two companies both with a 50% market share we get HI = 0,52 + 0,52 = 0,5. HI varies from 1/N (for a large number of small firms) up to 1 (monopoly).
[25] Sam Batkins, Curtis Arndt, Ben Gitis, Market Concentration Grew During Obama Administration.
[28] A afirmação de Jean Peyrelevade consta no seu livro O Capitalismo Total, Edições Século XXI, Lisboa, que não lemos. O autor é economista, engenheiro aeroespacial e homem de negócios.
[29] Stefania Vitali, James B. Glattfelder, Stefano Battiston, The Network of Global Corporate Control, Plos One, vol. 6, no. 10, pp. 1-6 (October 26, 2011).
[30] Orbis 2007 marketing database
[31] Classificação industrial, local geográfico e receita operacional | Industrial classification, geographical position and operating revenue.
[32] De From Stefania Vitali, et al., The Network of Global Corporate Control, Plos One, vol. 6, no. 10, pp. 1-6

Escalão
Rank
Nome Da Entidade Económica
Economic Actor Name
País
Country
Código NACE
NACE code
Controlo cumulativo da rede
Cumul. Network control (%)
1
Barclays Plc
GB
6512
4.05
2
Capital Group Companies Inc, The
US
6713
6.66
3
Fmr Corp
US
6713
8.94
4
Axa
FR
6712
11.21
5
State Street Corporation
US
6713
13.02
6
JPMorgan Chase & Co.
US
6512
14.55
7
Legal & General Group Plc
GB
6603
16.02
8
Vanguard Group, Inc., The
US
7415
17.25
9
UBS Ag
CH
6512
18.46
10
Merrill Lynch & Co., Inc.
US
6712
19.45
11
Wellington Management Co. L.L.P.
US
6713
20.33
12
Deutsche Bank Ag
DE
6512
21.17
13
Franklin Resources, Inc.
US
6512
21.99
14
Credit Suisse Group
CH
6512
22.81
15
Walton Enterprises Llc
US
2923
23.56
16
Bank Of New York Mellon Corp.
US
6512
24.28
17
Natixis
FR
6512
24.98
18
Goldman Sachs Group, Inc., The
US
6712
25.64
19
T. Rowe Price Group, Inc.
US
6713
26.29
20
Legg Mason, Inc.
US
6712
26.92
21
Morgan Stanley
US
6712
27.56
22
Mitsubishi Ufj Financial Group, Inc.
JP
6512
28.16
23
Northern Trust Corporation
US
6512
28.72
24
Societe Generale
FR
6512
29.26
25
Bank of America Corporation
US
6512
29.79
26
Lloyds Tsb Group Plc
GB
6512
30.30
27
Invesco Plc
GB
6523
30.82
28
Allianz Se
DE
7415
31.32
29
TLAA
US
6601
32.24
30
Old Mutual Public Limited Company
GB
6601
32.69
31
Aviva Plc
GB
6601
33.14
32
Schroders Plc
GB
6712
33.57
33
Dodge & Cox
US
7415
34.00
34
Lehman Brothers Holdings, Inc.
US
6712
34.43
35
Sun Life Financial, Inc.
CA
6601
34.82
36
Standard Life Plc
GB
6601
35.2
37
CNCE
FR
6512
35.57
38
Nomura Holdings, Inc.
JP
6512
35.92
39
The Depository Trust Company
US
6512
36.28
40
Massachusetts Mutual Life Insur.
US
6601
36.63
41
ING Groep N.V.
NL
6603
36.96
42
Brandes Investment Partners, L.P.
US
6713
37.29
43
Unicredito Italiano Spa
IT
6512
37.61
44
Deposit Insurance Corporation of JP
JP
6511
37.93
45
Vereniging Aegon
NL
6512
38.25
46
BNP Paribas
FR
6512
38.56
47
Affiliated Managers Group, Inc.
US
6713
38.88
48
Resona Holdings, Inc.
JP
6512
39.18
49
Capital Group International, Inc.
US
7414
39.48
50
China Petrochemical Group Co.
CN
6511
39.78